A agonia da Terra

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A agonia da Terra

Para enriquecer o conhecimento sobre a vigilância que os ambientalistas exercem sobre o andamento da agonia do planeta, trazemos aos leitores desta magnífica página a oportunidade de ler o artigo de Gaëlle Dupont, publicado no jornal francês Le Monde, tradução de Jean-Yves de Neufville e divulgação de Claudiney Morais.

“O dia em que a humanidade esgotou o produto global da Terra.

“Na terça-feira, 23 de setembro de 2008, nada mudou no cotidiano dos terráqueos. Não houve nenhuma penúria nas lojas de alimentação, nenhum corte de água ou de eletricidade que fugisse do ordinário. Contudo, segundo os dirigentes da organização não-governamental canadense Global Footprint Network, um evento importante ocorreu em 23 de setembro. Aquele foi o “Global Overshoot Day”, literalmente “o dia da ultrapassagem do limite global”. Isso significa que, entre os dias 1º de janeiro e 23 de setembro, a humanidade consumiu todos os recursos que a natureza pode produzir em um ano. A partir de 24 de setembro, e até o final do ano, a humanidade passou a viver, por assim dizer, acima dos seus meios. Para continuar bebendo, se alimentando, se aquecendo, se deslocando, ela passa a explorar de maneira excessiva o meio natural, e compromete com isso a sua capacidade de regeneração. Portanto, ela está reduzindo e comprometendo seu capital.

“O “dia da ultrapassagem do limite global”, uma imagem destinada a impressionar as mentes, foi inventado pelos criadores do conceito de “rastro” ecológico. Na esteira das conclusões da Cúpula da Terra, que foi realizada no Rio de Janeiro, em 1992, os universitários William Rees e Mathis Wackernagel elaboraram e testaram um método que permite medir o impacto das atividades humanas sobre os ecossistemas. Trata-se de quantificar as superfícies biologicamente produtivas necessárias para a construção de cidades e das suas infra-estruturas, para o fornecimento dos recursos agrícolas, aquáticos e florestais que nós consumimos, e ainda para a absorção dos resíduos que nós produzimos, inclusive o CO2 proveniente da combustão das energias fósseis.

“A unidade de medição que é utilizada para calcular o “rastro” ecológico deixado por um indivíduo, uma cidade ou um país, é o “hectare global”, cujas capacidades de produção e de absorção de resíduos correspondem à média mundial.

“Segundo os cálculos da Global Footprint Network, as necessidades da humanidade começaram a exceder as capacidades produtivas da Terra em 1986. Desde então, em conseqüência do aumento da população mundial, a data na qual a humanidade esgota os recursos teoricamente produzidos em um ano vem ocorrendo sempre mais cedo. Em 1996, o nosso consumo ultrapassava 15% da capacidade de produção do meio natural, e o “dia da ultrapassagem” caía em novembro. Em 2007, a ultrapassagem ocorreu em 6 de outubro.

“A ferramenta utilizada pela Global Footprint Network permite quantificar a evolução do consumo de recursos no decorrer do tempo, e sensibilizar a opinião para as conseqüências dos excessos da sua exploração. Ela autoriza igualmente fazer comparações entre regiões do mundo. Os habitantes dos Emirados Árabes Unidos apresentam o mais importante de todos os “rastros” ecológicos: cada habitante consome anualmente o equivalente de 12 hectares globais. Eles são seguidos de perto pelos americanos, com um coeficiente de 9,5 hectares por habitante. A França ocupa o 12º lugar deste ranking mundial, com um pouco menos de 6 hectares por habitante. Já, os habitantes do Bangladesh, da Somália e do Afeganistão são aqueles que apresentam o menor consumo de recursos em todo o mundo, com menos de meio-hectare por habitante.”

Sobre

Maurício Gomide83 anos, pensador e escritor ambientalista. Reside atualmente em Belo Horizonte(MG), colaborando em diversos blogs ambientalistas. BLOG: http://planetafala.blogspot.comVer todas as publicações de Maurício Gomide »

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