A Teia da Vida

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A Teia da Vida

Fritjof Capra é físico e escritor austríaco. Autor de vários livros (O Tao da Física O Ponto de Mutação são os dois mais famosos),  dedica-se ativamente à educação ecológica. Abaixo, reproduzo texto redigido por Capra:

“Uma vez que a característica mais marcante da biosfera é a sua capacidade intrínseca de sustentar a vida, uma comunidade humana sustentável tem de ser projetada de tal modo que seus modos de vida, suas atividades, sua economia, suas estruturas físicas e suas tecnologias não prejudiquem de modo algum essa capacidade intrínseca da natureza.
Essa definição implica em que o primeiro passo da caminhada rumo à construção de comunidades sustentáveis é a aquisição de uma “educação ecológica” (ecoliteracy), ou seja, a compreensão dos princípios de organização que os ecossistemas desenvolveram para sustentar a teia da vida. Nas décadas vindouras, a sobrevivência da humanidade vai depender dessa educação ecológica – da nossa capacidade de compreender os princípios básicos da ecologia e viver de acordo com eles. Isso significa que a educação ecológica tem de tornar-se uma qualificação essencial dos políticos, líderes empresariais e profissionais de todas as esferas, e tem de ser, em todos os níveis, a parte mais importante da educação – desde as escolas primárias e secundárias até as faculdades, as universidades e os institutos de educação continuada e de formação profissional.
Precisamos ensinar aos nossos filhos os fatos fundamentais da vida – que os resíduos deixados por uma espécie viva servem de alimento para outra espécie; que a matéria circula continuamente pela teia da vida; que a energia motriz dos ciclos ecológicos vem do sol; que a diversidade é a garantia da capacidade de resistir aos imprevistos; que a vida, desde o momento em que surgiu, há mais de três bilhões de anos, não tomou conta do Planeta pelo combate, mas pela organização em redes. A educação ecológica é o primeiro passo em direção à sustentabilidade.
O segundo passo é a passagem da educação ecológica para o projeto ecológico (Ecodesign). Precisamos aplicar nossos conhecimentos ecológicos à redefinição fundamental das nossas tecnologias e instituições sociais, de modo a transpor o abismo que atualmente separa os projetos humanos dos sistemas ecologicamente sustentáveis da natureza. A prática do desenho industrial num contexto como esse exige uma mudança fundamental da nossa atitude em relação à natureza: deixar de pensar no que podemos extrair da natureza e começar a pensar no que podemos aprender com ela.
(…)
À medida que formos entrando nessa nova economia do hidrogênio, sua eficiência energética será tão superior à dos combustíveis fósseis que até mesmo o petróleo mais barato perderá a sua competitividade e não valerá mais o custo de sua extração. Como gostam de salientar os projetistas ecológicos, a Idade da Pedra não terminou porque as pedras se esgotaram da face da Terra. Do mesmo modo, a Era do Petróleo não vai terminar por causa do esgotamento do petróleo, mas porque teremos desenvolvido tecnologias superiores.
Para concluir, quero lembrar a vocês dos dois fenômenos que terão um efeito decisivo sobre nosso bem-estar e nossos futuros modos de vida: a ascensão do capitalismo global e a criação de comunidades sustentáveis baseadas na prática do projeto ecológico. Essas duas possibilidades – ambas as quais envolvem redes complexas e tecnologias avançadas e especiais – encontram-se atualmente em rota de colisão.”

Sobre

Antonio RadiEngenheiro Agrônomo/Representante ComercialVer todas as publicações de Antonio Radi »

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