A verdadeira população mundial

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A verdadeira população mundial

Propomo-nos aqui a apresentar a verdadeira dimensão da população mundial, fato desconhecido pela imensa maioria do povo.

Quando consultamos os relatórios estatísticos sobre as populações no mundo, ficamos sabendo que existem, hipoteticamente, 12.000 elefantes, 2.000 tigres indianos, 600.000 cangurus, etc. Se formos conferir esses dados, vamos contar os animais um a um. Contando, por exemplo, os tigres indianos, vamos achar os 2.000 exemplares e proclamar que existem no mundo 2.000 tigres indianos. Significa que 1 tigre é 1 tigre, representa 1 tigre, que executa ações de 1 tigre. O valor numérico 2.000 registra a existência natural e efetiva de 2.000 tigres.

Quando verificamos os dados oficiais sobre a população de humanos, somos informados de que existem 6.700.000.000 (seis bilhões e setecentos milhões) de pessoas. Mas isso não é verdade; é uma meio-verdade. É uma informação verdadeira quanto à representatividade natural, numérica, existencial. Mas, potencialmente, isto é, suas ações individuais, culturais e civilizacionais, correspondem a uma população, sob o impulso literário da hipérbole, de 670.000.000.000.000 (seiscentos e setenta trilhões). (A rigor e friamente, após os devidos cálculos, encontramos 750.000.000.000 setecentos e cinqüenta bilhões, o que já é um absurdo).

Vamos abrir um parêntese aqui para algumas considerações que ajudarão a compreender melhor essa informação. Desde os tempos imemoriais, o homem é um escravocrata. Sempre quis que outro exercesse esforços musculares em seu próprio benefício, poupando seu suor e lhe dando o prazer do conforto. Sabemos pela História que todos os povos procuraram usufruir os esforços alheios, ou pelo uso da força muscular de seu semelhante (escravidão), ou dos animais domesticados (uma forma disfarçada de escravidão), ou do uso das forças da natureza (que não deixa de ser uma forma de uso da servidão, mas de caráter intelectual). Essa última forma é apropriadamente chamada de tecnicologia e considerada natural e não antiética.

Até o início do século XVIII, as invenções humanas não prejudicavam significativamente a Natureza porque apresentavam resultados comedidos e sempre no uso de produtos orgânicos, que se reciclam naturalmente. Em 1705, no entanto, um inglês chamado Thomas Newcomen inventou uma geringonça mecânica que produzia força motriz pela pressão do vapor de água. Outro inglês, James Watt, em meados do mesmo século aperfeiçoou tal invenção e lhe deu condições de uso prático, acendendo assim o estopim da destruição do mundo pela criação do primeiro motor a vapor.

O ano de 1764 assinala o início – há menos de 300 anos – da trilha equivocada e suicida da civilização atual. Com a invenção do motor, tornou-se possível acelerar os movimentos de transformação material dos recursos do planeta. Surgiram as primeiras fábricas e se iniciou a era industrial. Em seguida, com as descobertas científicas, a tecnologia avançou e produziu o motor de explosão, o motor elétrico, o motor nuclear. Em outras palavras: criaram-se milhões de escravos, sempre a serviço dos donos do poder econômico, cujos representantes são os políticos.

Sem falar em geladeira, televisor, ventilador, lavadora de roupa e outros, damos um exemplo concreto: eu tenho um automóvel com potência de 60 HP, que equivalem a 450 homens. Logo, tenho 450 escravos. Não nos esqueçamos que somente dos EE.UU. saem para a Europa 1.000 vôos diários pela manhã. À tarde os aviões fazem o retorno. No mundo, são 60.000 decolagens. Tais máquinas são alimentadas com petróleo. Na Natureza, não existe milagre. Tudo que se cria, não se cria; transforma-se. No caso, transformamos o combustível em movimento. Para meu conforto; para não despender esforço com a locomoção. Além disso, produz-se rapidez e eu ganho tempo. Tempo…

Falei, em linhas gerais sobre a população numérica. Mas, na verdade, temos que considerar o fator tempo nessa equação. Enquanto as ações da atual civilização se processam a 2.000 k por hora, a Natureza tem ritmo próprio equivalente a 1 cm por dia. Se levarmos em conta tal ritmo civilizatório, a população mundial efetiva passa a ser de trilhões, como sugerimos acima. Em outras palavras: as ações humanas degradam o planeta num percentual superior à sua capacidade de regeneração, advinda esta principalmente pela radiação solar. Isso significa simplesmente que o mundo tem gente demais. Não precisamos matar ninguém; basta matar os motores.

Sobre

Maurício Gomide83 anos, pensador e escritor ambientalista. Reside atualmente em Belo Horizonte(MG), colaborando em diversos blogs ambientalistas. BLOG: http://planetafala.blogspot.comVer todas as publicações de Maurício Gomide »

  1. Antídio S.P. Teixeira
    Antídio S.P. Teixeiraout 25, 2008

    Caríssimo Gomide:
    Complementando: “se matarmos estes seus motores” que, na verdade, são animais mecânicos que produzem movimento a partir de alimentos que foram elaborados pela Natureza com o calor que foi coletado da luz solar e armazenado durante muitos milhões de anos pelo mundo vegetal,hoje fossilizados,a humanidade estará reencontrando a estrada perdida no século XVIII quando seus líderes a desviaram para trilhas que a conduziram ao desastre sócio-econômico-ambiental que está começando a se manifestar e apavorando os atuais dirigentes do mundo. Os motores pararão não por falta de alimentos como pensam muitos; mas pelo excesso de poluentes que lançaram e se acumularam na atmosfera durante este 2,5 séculos e, hoje, causam mais prejuízo do que lucros sociais. PAREMOS OS MOTORES PARA DAR CONTINUIDADE À VIDA.

  2. Maurí­cio Machado
    Maurí­cio Machadoout 27, 2008

    Ótima análise Maurício Gomide.
    A questão de que não é somente seres vivos que consomem recursos naturais é um fator que muitos deixam de lado, mas com sua excelente comparação torna-se claro o imenso consumo, ao analisar que um único e aparentemente simples carro é equivalente a força de 450 homens.

    Ao observarmos o tempo então, chega a ser desesperador a gigantesca diferença entre o ritmo da natureza e do ser humano.

    Sendo assim, finalizo com toda clareza e inclusive concordância com o comentário acima do Antídio Teixeira, que se a população não mudar os hábitos consumistas, será cada vez menor as chances de serem mantidas condições naturais para a vida.

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