Ação e reação

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Ação e reação

  

  Esse é o ponto mais importante no momento para um perfeito entendimento do grave problema do meio ambiente. Referimo-nos ao interregno entre a ação e a reação. É lei básica, natural, de que à ação corresponde uma reação de força igual e em sentido contrário. Essa reação natural sempre se manifesta, mas o espaço de tempo entre a causa e o efeito varia muito segundo as circunstâncias. O não entendimento dessa correlação leva-nos a ignorar o maior perigo que já surgiu para a biodiversidade do planeta: o desequilíbrio definitivo das condições ambientais, cuja estabilidade e permanência são fundamentais para o ato de viver.

  O que leva muitas pessoas a não enxergar essa hecatombe é justamente o grande tempo entre a ação      de envenenamento e degradação que a atividade econômica vem realizando, e os malefícios visíveis e sensíveis que virão. Deve-se levar em conta que esses males vêm sendo praticados lenta, cumulativa e exponencialmente a partir da revolução industrial do século XVIII, acentuando-se muito  a partir da década de 1980. Outro pormenor a ser observado é o de que o tempo na medida humana é muito pequeno, enquanto a Natureza faz suas contas em escala astronômica, isto é, as conseqüências virão muito tempo depois de praticada a degradação. Um ferimento no braço é feito em um segundo; o restabelecimento do tecido ofendido é feito lentamente, imperceptível, e requer diversos dias. A Natureza demora, mas não esquece. Executar a ação é esperar a reação.  

   Outro aspecto importante dessa visão é que o ecossistema se restabelece das feridas até certo limite, até onde lhe é possível. E essa marca já foi ultrapassada em 25% ou mais, por conseqüência das atividades gananciosas das corporações que conduzem a atual civilização e cujos objetivos são ilimitados.

   Quando um meteorologista anuncia que vai chover nos próximos dois dias, ele não está adivinhando, está interpretando os sinais da Natureza. No caso ambiental, ela já está dando sinais de desequilíbrio climático, mostrando o degelo dos pólos e pontos elevados, da elevação das águas marítimas, secas intensas, partículas em suspensão no ar. São apenas os primeiros atos de reação. Ainda há tempo para que haja uma reversão das conseqüências mais graves, mas isso impõe situações dolorosas, como a renúncia aos confortos materiais. Se não houver esse sacrifício hoje, amanhã o caos será a paga. E o primeiro ato para evitar ou suavizar esse destrutivo rumo civilizacional será a formação de um governo global que deverá implantar a administração ambiental. Isso porque tal problema não é de países – que na verdade não existem – mas é do mundo. Viu-se recentemente em Copenhague a cabal demonstração dessa necessidade. E urgente.

   O desconhecimento desse descompasso entre a ação e reação constitui a grande ilusão da humanidade, que agora se ocupa de assuntos secundários como guerras, festas, confortos, lucros, ganâncias cegas. Essa acomodação dos pseudos governantes, pois não passam de representantes do sistema econômico, levará o nosso meio ambiente para uma situação irreversível, isto é, para a impossibilidade de vivência. Em que se constitui nosso meio ambiente? É um tênue espaço de 4.000 metros em torno do planeta, onde ainda existem  ar, água e terra produtiva.

  Estamos no ano de 2010, início de uma década que deveria ser de atividades radicais para preservação de nossas condições básicas de existência. Será uma década histórica, uma encruzilhada vital.

  Atualmente, o nosso único lar, a Terra, está com um processo insidioso de doença, cujos sintomas mais graves ainda não surgiram, mas já deram os primeiros sinais. Está ela contaminada com infecções civilizatórias, cujas ações produzem diversos tipos de bactérias mortais: progresso, lucro, festas, ganância, poder, tecnologia, mentiras, irresponsabilidades e umas pequenas sementes inocentes.

   Hoje, estamos plantando sementes de fel. A desídia da humanidade levará a fazê-las nascer, crescer e se impor com o amargor que lhe é próprio. Elas só precisam de uma coisa: tempo. E isso nós lhes estamos concedendo.

Sobre

Maurício Gomide

83 anos, pensador e escritor ambientalista. Reside atualmente em Belo Horizonte(MG), colaborando em diversos blogs ambientalistas.
BLOG: http://planetafala.blogspot.com

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