Batatas recheadas

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Batatas recheadas

Segundo o Instituto Akatu, o desperdício de alimentos nos lares brasileiros atinge a indecente cifra de 33% . . . isto mesmo, 1/3 de tudo que compramos para comer é jogado no lixo!!!
Não sei qual é o número do desperdício em restaurantes mas penso que deva ser ainda mais extravagante.
Ora, hoje fomos (eu e família) jantar em um Shopping; nos acomodamos naquelas mesinhas miúdas e demos início à refeição. Daí a pouco chegaram duas jovens e sentaram ao nosso lado; ambas traziam nas bandejas aquelas “bombas” calóricas chamadas Roasted Potatoes (desculpem, mas as mesinhas são muito próximas umas das outras e não tive como não reparar). Pensei com os botões de minha camiseta: será que elas vão dar conta de comer tudo isso aí? Não deram.
Alguns minutos depois ambas se levantaram e partiram deixando para trás quase tudo o que trouxeram para comer.
Aproveitei a oportunidade e chamei minhas crianças para ver aquela barbaridade: olha aqui quanta coisa que as moças deixaram. . . saiba que isto tudo vai ser jogado no lixo, ouviu? No lixo. . . e com tanta gente passando fome por aí. . .
Neste instante chega a mulher da limpeza, uma simpática senhora de nome Noema . . . aproveito para perguntar-lhe: não é verdade Dna. Noema que esta comida toda vai para o lixo? É sim, respondeu ela e emendou: agora pouco joguei no lixo um prato quase cheio de comida, com bastante carne dentro. . . sabe, a gente ganha pouco e tá tão difícil comprar carne que tive vontade de levar aquela sobra para casa. . . só que não pode.
No caminho de volta, lembrei-me de um trecho do livro O Nome da Rosa de Umberto Eco:

Enquanto estava comendo vi num canto Salvatore, evidentemente apaziguado com o cozinheiro, que devorava com alegria uma torta de carne de ovelha. Comia como se nunca tivesse comido em sua vida, não deixando cair sequer uma migalha, e parecia dar graças a Deus por aquele evento extraordinário.”

Atualmente, alimentar-se é um evento extraordinário para quase um bilhão de pessoas no mundo . . . a persistir a insanidade de nossa civilização, comer satisfatoriamente torna-se-á um privilégio de poucos.

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Antonio RadiEngenheiro Agrônomo/Representante ComercialVer todas as publicações de Antonio Radi »

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