Comercialização de limites para emitir gás carbônico

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Comercialização de limites para emitir gás carbônico

O sistema denominado Implementação Conjunta ou de forma popular quota/cota ou crédito de carbono e outros gases causadores do efeito estufa, permite aos países industrializados adquirirem direitos para emitir gases do efeito estufa que intensificam o aquecimento global para permanecer dentro das metas de emissão até 2012 determinadas pelo Protocolo de Kyoto. Quem irá vender esses créditos são os países que já reduziram suas emissões de gases poluentes em níveis além do exigido no mesmo protocolo e com isso poderá gerar um mercado extremamente lucrativo.

A Rússia, por exemplo, pretende começar a comercializar suas cotas de emissão de gases do efeito estufa em 2008 quando tiver atingido os requisitos necessários para implementar os mecanismos determinados pelo Protocolo de Kyoto, segundo o vice-ministro da Economia, Anderi Sharonov. Com isso as nações que querem comprar direitos podem incentivar projetos em outros países para reduzir as emissões e as financiadoras podem contar os cortes como se fossem seus.

Sharonov afirmou que a Rússia pretende vender cotas para 300 milhões de toneladas de CO2 e equivalentes para países da União Européia e estima que a quantidade de carbono que a União Européia precisaria, é entre 250 milhões e 350 milhões de toneladas e a Rússia deve ter cotas a mais para 3 bilhões de toneladas, mesmo com um forte crescimento econômico.

A Rússia pode ganhar bilhões de dólares com o mecanismo e com as metas do protocolo que pretende estabilizar as emissões de gases-estufa no mundo todo. Segundo Sharonov, o custo de reduzir as emissões na Rússia é de US$ 5 a US$ 10 por tonelada, já no restante da União Européia, o valor é dez vezes maior, de US$ 50 a US$ 100. Com este lucrativo mercado indústrias estrangeiras podem se alojar na Rússia ampliar a economia de energia e guardar cotas para vende-las.

Esse pensamento apenas nas metas do Kyoto, que são bem pequenas e não é o suficiente para recuperar o planeta do aquecimento global é um egoísmo e uma idéia totalmente capitalista. Agora não devemos mais pensar em lucrar com os problemas do aquecimento global, temos que lutar da melhor maneira possível para combater este fenômeno, sendo uma questão de salvação do planeta e toda população humana. Como diminuirão em 50% as emissões de gases poluentes definidas em um acordo pós-Kyoto a longo prazo (até 2050), se querem vender créditos para se poluir, só porque uma determinada nação já alcançou as metas básicas do Kyoto.

Pode até haver estimulação para reduzir emissão de gases já que países que vão adquirir as cotas de carbono perceberão um gasto para poluir e incentivos também outros países que vendem essas quotas a emitirem menos gás carbônico para vender mais créditos, porém no final ficará a mesma média de poluição em todo planeta, apenas sendo intensificada nos lugares que já são grandes poluidores e diminuir em países onde será investido o incentivo para poluir menos e realizar a venda de créditos do carbono, mas isso não é uma média para ser adotada, dizendo que cada país pode poluir até o índice que foi definido no protocolo de Kyoto. Todos devem tentar reduzir ao máximo suas emissões para se conseguir reverter situações do aquecimento global, caso contrário as catástrofes serão inevitáveis.

Há aqueles que criticam a Rússia por ainda não ter aplicado o sistema de venda de créditos de gases do efeito estufa e dessa maneira os investidores ainda estão incertos do resultado. Estes que criticam a lentidão da aplicação são certamente os adeptos ao mecanismo já que serão beneficiados vendendo as quotas, mas a Rússia já criou um sistema nacional para registrar as emissões de gases-estufa.

As emissões desse tipo de gás pela Rússia despencaram nos anos 1990, devido a queda das indústrias soviéticas, mas estão voltando a crescer, com o desenvolvimento da economia. As emissões atuais, porém, ainda estão bem abaixo dos níveis de 1990, que servem como parâmetro para as metas de Kyoto.

A preocupação com o meio ambiente levou os países da Organização das Nações Unidas (ONU) a assinarem um acordo que estipulasse controle sobre as intervenções humanas no clima. Este acordo foi concretizado em dezembro de 1997 com a assinatura do Protocolo de Kyoto. Desta forma, este protocolo determina que países desenvolvidos signatários (chamados também de Partes do Anexo I), reduzam suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) em 5,2%, em média, relativas ao ano de 1990, até 2012. Esse período é também conhecido como primeiro período de compromisso. Para não comprometer as economias desses países, o protocolo estabeleceu que parte desta redução de GEE pode ser feita através de negociação com nações através dos mecanismos de flexibilização, ou seja, utilizando os créditos de carbono.

Porém, se a quota de carbono avaliar apenas os países que aderiram ao protocolo de Kyoto então os americanos mesmo sendo grandes poluentes estariam fora dessa média e isso não é válido, já que é a principal nação que deve reduzir os gases do efeito estufa.

Para entender melhor a contabilidade dos créditos de carbono, vamos analisar alguns dados, tendo como referencial de que uma tonelada de CO2 corresponde a um crédito de carbono. O CO2 equivalente é o resultado da multiplicação das toneladas emitidas dos gases do efeito estufa pelo seu potencial de aquecimento global, ou seja, seu nível de contribuição para este fenômeno. O potencial de aquecimento global do CO2 foi estipulado como 1. O potencial de aquecimento global do gás metano é 21 vezes maior do que o potencial do CO2, portanto o CO2 equivalente do metano é igual a 21, sendo assim, uma tonelada de metano corresponde a 21 créditos de carbono já que contribui 21 vezes mais ao aquecimento global (desculpem a excessiva repetição do 21, foi apenas uma maneira detalhada para se explicar, pois não estamos recebendo para fazer propagandas da operadora de telefonia).

Tabela do potencial de aquecimento global dos gases do efeito estufa:

– CO2 – Dióxido de Carbono = 1 (base para calcular os créditos)

– CH4 – Metano = 21

– N2O – Oxido Nitroso = 310

– HFC – Hidrofluorcarbono = 140 ~ 11700

– PFC – Perfluorcarbono = 6500 ~ 9200

– SF6 – Hexofluor Sufuroso = 23900

Como já avaliamos em artigos anteriores o protocolo de kyoto é a mais básica meta para introduzir-se a redução de gases do efeito estufa, que ainda pouco irão servir para reverter as situações climáticas. O ideal será alcançar metas definidas a longo prazo, como “esfriar a terra 50“, essa sim irá trazer bons resultados ao clima, apesar de ser difícil atingi-la é necessário e deve ser fiscalizada com metas intermediárias a curto e médio prazo e aplicadas a todos os países, e multando severamente países que não atingirem metas parciais até se enquadrarem nos objetivos e não ficar vendendo direito para poluir mais.

Para exemplificar a idéia que citamos de metas intermediárias é de reduzir em 10% até 2015, 20% até 2020, 35% até 2035, até chegar na redução de 50% em 2050. (caso contrário não haverá preocupações rígidas com a poluição até 2049 e depois tentará reduzir em 50% as emissões de gases o que será impossível).

Apesar da aparente idéia inicial do Protocolo de Kyoto de tentar melhorar o clima no planeta, a idéia dos créditos de carbono acabam favorecendo mais ao mercado do que ao ambiente, sendo certificados que autorizam aos países desenvolvidos o direito de poluir.

Este mecanismo para comercializar créditos de gases causadores do efeito estufa deveria entrar em vigor apenas quando o problema do aquecimento global estivesse controlado e as metas já definidas mundialmente com todos os países participando para manter o nível em suas emissões de forma a não prejudicar a situação climática e então países que emitem abaixo da meta poderiam vender créditos a países que necessitam consumir parcialmente mais, desde que analisado e autorizado por órgãos de responsabilidade internacional confirmando que não haveria interferência ambiental na região. Mas quando e qual seria esta meta em que já estaria controlado o problema do aquecimento global? Provavelmente próximo de 2050 se todas as soluções forem aplicadas corretamente e ao ter atingido a redução de 50% na emissão dos gases poluentes referente aos índices do ano base que é de 1990. Caso contrário, a realização deste mecanismo atualmente é muito arriscado e certamente não será o suficiente para reverter a situação climática já que a meta de reduzir em pouco mais de 5% a emissão de gases é mínima.

Sobre

Maurí­cio Machado

Biólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.

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  1. PEDRO VIANA
    PEDRO VIANAabr 17, 2008

    objetivo firmar acordos e discussões internacionais para conjuntamente estabelecer metas de redução na emissão de gases-estufa na atmosfera, principalmente por parte dos países industrializados, além de criar formas de desenvolvimento de maneira menos impactante àqueles países em pleno desenvolvimento. metas de redução de gases foram implantadas Brasil, México, Argentina, Índia e principalmente a China
    As etapas do Protocolo de Kyoto

    Em 1988, ocorreu na cidade canadense de Toronto a primeira reunião com líderes de países e classe científica para discutir sobre as mudanças climáticas, na reunião foi dito que as mudanças climáticas têm impacto superado somente por uma guerra nuclear. A partir dessa data foram sucessivos anos com elevadas temperaturas, jamais atingidas desde que iniciou o registro.

    Assinado em Kyoto, no Japão, o acordo entrou em vigor em Fevereiro de 2005 e impõe uma redução da emissão de seis gases que contribuem largamente para o aquecimento do planeta: o CO2 (gás carbónico ou dióxido de carbono); o CH4 (metano), o N20 (óxido nitroso), e outros três gases fluorados (HFC, PFC, SF6) – estes últimos encontrados em electrodomésticos tão comuns como os frigoríficos.
    Assinado em Kyoto, no Japão, o acordo entrou em vigor em Fevereiro de 2005 e impõe uma redução da emissão de seis gases que contribuem largamente para o aquecimento do planeta: o CO2 (gás carbónico ou dióxido de carbono); o CH4 (metano), o N20 (óxido nitroso), e outros três gases fluorados (HFC, PFC, SF6) – estes últimos encontrados em electrodomésticos tão comuns como os frigoríficos.

  2. Maurí­cio Machado
    Maurí­cio Machadoabr 23, 2008

    Bom complemento Pedro.
    Para mais detalhes sobre o Protocolo de Kyoto, acesse: É necessário revisar as metas estabelecidas no Protocolo de Kyoto

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