Como vejo a questão ambiental

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Como vejo a questão ambiental

Na Revista Época de 23/11/09. – Mundo/Meio Ambiente – Pág. 86, lê-se:
“Há uma tendência de que, para facilitar a escolha dos consumidores, leis nacionais exijam que os rótulos indiquem as emissões (gases poluentes) dos produtos. A primeira surgiu na Suécia. O país vai obrigar os fabricantes de alimentos a contar as emissões de carbono associadas à produção de cada item. A maior rede de fast-food do país, a Max, já tem a informação no menu. E a Lantmannem, a maior indústria de alimentos, começou a incluir as emissões nos rótulos de frangos, aveia e macarrão.”

Parece-nos que a idéia deles é despertar a consciência dos consumidores para a quantidade de gases que são lançados na atmosfera para produção dos alimentos consumidos, o que é uma iniciativa válida porém tímida se considerarmos que a produção e o consumo de alimentos básicos é o que menos impacto causam ao meio ambiente, uma vez que há uma troca de resíduos entre os mundos vegetal e animal e, consequentemente, dupla reciclagem dos rejeitos. O grande problema do desequilíbrio está no consumo do que excede das necessidades naturais, o consumo supérfluo, que depende de elevados teores energéticos caloríficos oriundos da queima de combustíveis fósseis.

Os gases liberados em tais combustões, predominantemente os óxidos de carbono, (CO e CO2), não dispõem de meios próprios para se reciclarem, tornando-se, assim, cumulativos no meio ambiente em mais de dois séculos, misturados com idênticos gases provenientes da queima de combustíveis produzidos a partir da biomassa. Portanto, a consciência que deve ser despertada na humanidade para assegurar a continuidade da vida no Planeta como um todo, é que todo consumo de produtos e utilização de serviços depende de várias formas de energia; e que cerca de 80% das que são utilizadas no mundo, derivam da queima de hulha, petróleo e/ou gás natural, cujos efluentes, numa atmosfera já saturada, causam os desequilíbrios que vêm se manifestando em todos os continentes. Portanto, se as formas de energia limpa disponíveis na Natureza e cujos custos de captação restringem seu consumo a ponto de determinar a redução do consumo global, não são as necessidades sociais básicas dos povos que devem ser reduzidas, mas as supérfluas que têm sustentado o sistema financeiro que domina o mundo como sendo “econômico”.

Necessitamos conscientizá-los dos percentuais de carbono que são lançados na atmosfera por aviões que transportam para o hemisfério Sul, pêras portuguesas, azeite espanhol, vinhos franceses, figos turcos, quinquilharias chinesas, etc. e, de cá para lá: melões, mangas, melancias e outras bugingangas, para satisfazer exigentes gostos de minorias sociais mundiais mais aquinhoadas na distribuição de rendas. Viagens de turismo, corridas automobilísticas, engarrafamento de trânsito, guerras com detonação de bombas e lançamentos de foguetes, e a mobilização de tropas e equipamentos, são grande poluidores do meio ambiente que a sociedade tem que tomar consciência para coibi-los. Sim, porque os custos devastadores já estão sendo cobrados da sociedade na forma de catástrofes como o “katrina” e outros tornados que, agora, começam a açoitar o hemisfério Sul, como já tem ocorrido em São Paulo e Santa Catarina; as inundações que estão ocorrendo em todo o mundo destruindo lavouras, estradas, edificações urbanas e rurais se alternado com secas causadoras de devastadores incêndios florestais que, além de contribuírem com mais carbono na atmosfera, dizimam a biodiversidade nativa. O somatório de tais prejuízos globais degrada, cada vez mais a combalida economia mundial que poderá reagir com catástrofes ainda mais violentas. Pensem em tudo isso antes de fazerem uma reforma não essencial em sua casa; de se deslocarem por grandes distâncias com a finalidade de lazer; ao inutilizar ou reter bens disponíveis que poderão ser essenciais para outras pessoas ou reciclados por empresas.

Precisamos mudar os nossos conceitos de vida a bem da própria vida; utilizarmo-nos mais de nossa energia física que, acumulada em nossos corpos pelo desuso, nos faz adoecer para alimentar uma vasta rede de “vendedores” de saúde. Só aí, haverá imensurável economia de energia e sensível redução no lançamento de carbono na atmosfera.

Sobre

Antidio S.P. TeixeiraAdministrador de empresas aposentado, com experiência em empresas de vários ramos industriais. Ambientalista por vivência, observação e interpretação dos fenômenos naturais, autodidata nesta área.Ver todas as publicações de Antidio S.P. Teixeira »

  1. Maurício Gomide
    Maurício Gomidedez 09, 2009

    Caro Antídio,
    Realmente, é ridículo despender trabalho e atenção com coisas pequeníssimas, como a produção de gases poluentes na industrialização de alimentos, quando os envenenamentos gigantescos, provocados pelo consumo criminoso, fútil e desnecessário de fósseis nas corridas de carros, jetsky, turismo, etc. suplantam em muito aquele referencial. Isso mostra que nossos governantes nacionais não enxergam ou não querem enxergar a realidade do desequilíbrio ambiental que ocorre no planeta, pelo trilhamento do caminho suicida. Nos tempos em que vivemos, limiar de 2010, insisto que a tomada de decisão e praticabilidade emergencial é agora. E deve ser orquestrada em âmbito global, por uma governança forte mundial. Estamos chegando a um ponto simbólico em que o homem deve oferecer a amputação de um pé para evitar a hecatombe posterior, próxima de perder todos os membros necessários à própria vivência.

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