Consumose é uma doença contagiosa que afeta o corpo, a mente e a alma

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Consumose é uma doença contagiosa que afeta o corpo, a mente e a alma

 

Temos a satisfação de divulgar artigo de Janos Biro:

  “Deveríamos considerar seriamente o impacto psicossocial do ato aparentemente inocente de levar uma criança às compras, ao shopping ou ao supermercado. Lá ela estará exposta a um ambiente repleto de agentes simbólicos infecciosos, e sem proteção alguma. Ela é um alvo fácil. De fato, ela é o alvo mais visado pelas campanhas publicitárias, porque sua resistência à indução de desejos de consumo é muito baixa. É comum ver pais brigando com seus filhos enquanto estes berram e esperneiam por causa de um produto, como se não valesse a pena viver sem poder consumir aquele produto. Esta é exatamente a ideia que foi introduzida nas mentes deles por meio de imagens atraentes. Deveríamos protestar contra os donos das lojas, que montam um esquema astucioso para retirar nossa capacidade de pensar, e nos transformam em zumbis obcecados por consumo. Nós não deveríamos expor crianças a um ambiente que as adoece. Elas não são plenamente culpadas por sentirem esse desejo de consumo avassalador, pois o ambiente foi criado para gerar esse comportamento obsessivo. Nós adultos só nos comportamos melhor porque já fomos anestesiados pelo excesso de exposição ao agente infeccioso. Este tipo de ambiente produz desorientação tal como o consumo de álcool, porque ao pisar numa loja já estamos consumindo imagens. Expor crianças a isso deveria ser proibido, mas na prática é quase inevitável.”

 “O ambiente de um grande supermercado ou shopping é construído para atingir os pontos fracos da psicologia humana. A simples abundância de produtos num mesmo lugar pode ser desconcertante para uma mente acostumada a pensar em proporções mais humildes. Aliás, a visão de uma grande quantidade de produtos cria a ilusão de que pelo menos um daqueles deveria ser seu, que há suficiente para todos. A aparente abundância é capaz de fazer uma pessoa desistir de todo tipo de comedimento, crendo que isto não é necessário, ou seja, instigando a cobiça. O espectro do consumo fica o tempo todo sussurrando nos nossos ouvidos a crença de que você é o que você compra. Aceitando essa premissa, o consumo adquire um significado existencial. Uma pessoa pode passar a literalmente viver para e pelo consumo, perdendo as características morais que a tornam humana. Ou seja, efetivamente morrendo por dentro.”

 Fonte: Fábio Oliveira – fabioxoliveira2007@gmail.c

Fabioxoliveira.blog.uol.com.br/

Sobre

Maurício Gomide

83 anos, pensador e escritor ambientalista. Reside atualmente em Belo Horizonte(MG), colaborando em diversos blogs ambientalistas.
BLOG: http://planetafala.blogspot.com

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