Crítico polemiza conclusões sobre as mudanças climáticas

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Crítico polemiza conclusões sobre as mudanças climáticas

O professor Luiz Molion, PhD (doutorado) em meteorologia, questionou as conclusões publicadas no relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês). Para ele, as previsões sobre o aquecimento global que vêm sendo analisadas e expostas com base em pesquisas científicas podem estar sofrendo pressões políticas de governos e países desenvolvidos como Alemanha e Inglaterra que demonstram preocupações com o crescimento de países em desenvolvimento como, por exemplo, o Brasil que devido ao amplo e rico território geográfico, dispõem de maiores reservas naturais para geração de energia. Devido a esta vantagem territorial, os países desenvolvidos teriam interesse em ampliar as dimensões do problema climático.

Um aspecto que devemos analisar está contido na pergunta do meteorologista Molion: “A quem interessa o aquecimento global?”. Segundo o profissional que contestou o “exagero” do aquecimento global, a pergunta destacada ainda não foi respondida já que pode haver um esquema realizado por países ricos para impedir o crescimento dos países em desenvolvimento, ocorrendo então uma manipulação dos dados obtidos em pesquisas para não expor o problema da maneira real, mas sim da forma que melhor beneficie os “maiores”.

Porém discordamos desta idéia, concluindo que isto está se tratando de mais uma tentativa de polemizar, pois de fato não haveria discordância maior do que se tratasse de um problema sério que estaria tendo dados manipulados. Mas não se preocupem, pois vamos explicar todos os fatores necessários para cortar este início de polêmica. Antes de citar respostas de profissionais do próprio IPCC e que são responsáveis por outros órgãos de proteção ambiental, vamos expor também nossa linha de raciocínio assim ficará claro que não estamos defendendo o aquecimento global porque simplesmente é uma área do interesse de ambientalistas, mas sim por ser um grave problema e que tem de ser contido o mais rápido possível.

Primeiramente, já vamos responder a pergunta que segundo o crítico ainda não foi respondida ou talvez não de forma clara para seu entendimento: A quem interessa o aquecimento global?

O aquecimento global não interessa a ninguém, pelo motivo de ser um gravíssimo problema que deve acabar. Quem teria interesse em cultivar ou ampliar a idéia de um problema se este não tivesse proporções preocupantes? Para o crítico Luiz Molion há o interesse de países ricos utilizarem o aquecimento global como uma proposta subjacente para manipular países em desenvolvimento retardando o crescimento. E até poderia ser verdade, afinal há inúmeras tentativas de quem já ter poder, ampliar ainda mais essa dominância.

Porém, não há neste caso como manipular o crescimento de países em desenvolvimento já que os maiores “prejudicados” com o aquecimento global são os próprios países ricos (desenvolvidos) que são altamente industrializados e maiores emissores de gases causadores do efeito estufa como o gás carbônico e por isso terão de mudar suas fontes de produção de energia passando a investir em energia limpa como a gerada pelo sol ou pelo vento que substituam aquela gerada pelos combustíveis fósseis como o carvão ou derivados do petróleo que é um combustível muito utilizado em motores de explosão, incluindo em veículos que representam um grande tráfego nos países ricos e que também teriam de substituir esse combustível pelo álcool por exemplo que é um biocombustível e ainda como a demanda é muito grande, viabilizar outros tipos de tecnologia para automóveis como células a combustível ou combustão interna a hidrogênio.

Como é possível analisar, os países ricos são os que mais têm de realizar mudanças para minimizar suas elevadas taxas de poluição que tanto contribuem para o aquecimento global. Isso até beneficiaria países subdesenvolvidos como no caso do Brasil que aumentaria a taxa de exportação de biocombustíveis como o álcool etanol. E se os países desenvolvidos realmente estivessem manipulando dados de estudos científicos, iriam minimizar ao máximo os resultados previstos sobre os impactos do aquecimento global e não aumenta-los.

Até mesmo porque se de fato preocupações com o crescimento de países em desenvolvimento estivesse afetando a realidade do aquecimento global alegando que iriam crescer mais rapidamente por ter um território que traz vantagens com maiores reservas naturais para geração de energia então confirma de maneira até mais nítida que os resultados deveriam ser os menores possíveis, dizendo por exemplo que o aquecimento global não influencia o planeta, continuando assim a utilizar fontes de energia altamente poluidoras.

Agora vamos expor as opiniões de outros profissionais, iniciando pelo pesquisador Carlos Nobre, integrante do IPCC, respondendo de forma direta as críticas realizadas ao relatório da organização, de ocorrer pressões políticas e governamentais em seus resultados: “Os governos indicam vários nomes de cientistas, mas o painel é independente, não tem representantes de governos. E só entram no IPCC cientistas com muita credibilidade e que sejam atuantes na área de mudanças climáticas. Não existe achismo no IPCC, tudo está muito bem embasado e não entramos em aspectos políticos”.

O cientista que já participou de três painéis intergovernamentais (1990, 2001 e 2007) diz que o processo para aprovação dos textos é muito transparente e passa por uma revisão da comunidade científica mundial, além de uma sessão final em que os representantes de governos aprovam o texto final. “Esse processo é o mais transparente do sistema ONU. Se alguém quer criticar alguma conclusão cientifica, podemos debater sem problemas, mas querer desmerecer todo o trabalho do IPCC em função de uma teoria conspiratória é inaceitável”.

Isso comprova a importância, segurança e credibilidade dos dados publicados nos relatórios do IPCC.

Continuamos agora com a visão de Thelma Krug, secretária nacional de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental que considera impossível um relatório elaborado por 2500 renomados e capacitados cientistas ter caráter político, pois mesmo que tenha um grupo com alguns cientistas participantes que defendem um determinado partido político, a grande maioria não iria concordar com as idéias que estes determinam quando há caracteres políticos. E ninguém é mais valorizado do que outro, como, por exemplo, elevar as idéias de cientistas americanos e descriminar os demais, isso não ocorre, todos tem o mesmo peso em suas idéias e as discussões foram extremamente intensas.

Thelma Krug reconhece que apesar de o IPCC não realizar pesquisas e sim aglutinar conhecimento já existente, ou seja, ter como base pesquisas já realizadas por diversas instituições e mesmo esse conhecimento ser produzido majoritariamente nos Estados Unidos e na Europa, o próprio relatório menciona que a questão da coleta de dados é mais limitada nos países em desenvolvimento, mas ela diz que há mecanismos para compensar o degrau científico e tecnológico entre os países ricos e os demais.

Ela ainda afirma que o IPCC procura assegurar o equilíbrio geográfico e regional através do processo de seleção de cientistas: “Não que o número seja igual de país para país, mas tenta-se fazer um balanço”. Além disso, as despesas para a participação de cientistas dos países mais pobres são pagas através do “trust fund”, enquanto aqueles dos países ricos pagam a própria fatura. E podemos perguntar ainda se o fato de serem “convidados” não provoca nos cientistas uma sensação de inferioridade e submissão, mas ela conclui dizendo que os cientistas não fazem normalmente esse discernimento já que são de bom nível.

Concluímos então que as críticas ou tentativa de polêmicas realizadas pelo meteorologista e professor Luiz Molion são irrelevantes e não procedem. E lembramos ainda que já interrompemos uma polêmica logo no início deste projeto de alguns cientistas que acham que os resultados alarmantes do aquecimento global, com grande citação de termos como catástrofes, extinção da humanidade, etc, que não são comprovados e podem deprimir a sociedade, mas explicamos diversos itens que comprova a grande devastação que o aquecimento global provocará se continuar as emissões de gases poluentes e toda degradação ao planeta e que isso é importante não para deprimir a sociedade, mas sim para alertar e aumentar o desejo de mudar para resolver este problema.

Se alguém também discorda de alguma idéia sobre o aquecimento global publicada neste projeto ou em algum outro local, discutam sobre isso, publiquem um comentário e traga para nós propostas que desejam que sejam analisadas para verificar a veracidade das informações.

Sobre

Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

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