Enxugando gelo – III

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Enxugando gelo – III

Partes anteriores deste artigo:
Enxugando gelo – (Introdução)
Enxugando gelo – II

 

Pelo que acabamos de explicar, entende-se que a atmosfera terrestre mais densa, mais pesada, portanto, se estende sobre as regiões intertropicais alcançando elevadas alturas por efeito da força centrifuga exercida pelo movimento de rotação terrestre; em compensação, promove o rebaixamento da mesma sobre os pólos, obedecendo ao princípio dos vasos comunicantes. Inversamente, com a atmosfera menos densa, mais leve, portanto, ela sofre rebaixamento sobre as regiões intertropicais dado à redução da força centrífuga, causando considerável elevação sobre os pólos. Era assim desde o começo da formação da vida animada até o momento em que se começou a queimar resíduos fossilizados. Qual a importância?

É que, nesta situação, considerando-se o desvio de 23º e 27º entre o eixo de rotação terrestre e a reta Sol/Terra, o ozônio que compunha as coberturas polares se elevavam até alcançar os raios solares, mesmo no inverno, mantendo, deste modo, a temperatura nas camadas mais elevadas acima de -112,5ºC necessária para conservar a integridade do mesmo que, abaixo desta, ele (O3) retorna à sua forma molecular primitiva de oxigênio (O2).

(Nota: este fato explica porque agora, o “buraco na camada de ozônio” cresce no período mais frio, de meados do inverno até a entrada da primavera, recuperando-se no verão).

Foi nesta situação, com a atmosfera altamente oxigenada que, após muitos milhões de anos, as vidas animadas, dependentes da oxigenação, começou a se formar partindo de células aeróbicas.

Considerando a capacidade de locomoção, destes novos seres rapidamente se multiplicaram, se diversificaram, evoluíram e se espalharam sobre o restante do planeta, sendo que nós somos os produtos finais deste longo curso de fabricação.

 

COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS X OXIGÊNIO
Como vimos, na “precombustão” a energia luminosa do Sol se condensa e se concentra na combinação entre o carbono absorvido da atmosfera com o hidrogênio derivado da desintegração da água para formar a matéria orgânica; enquanto isso, libera o oxigênio remanescente na atmosfera. Quando um ser vegetal morre, a mesma cota de oxigênio que ele liberou em vida é tomado de volta para realizar a decomposição de seus tecidos orgânicos, o que manteria o equilíbrio ambiental. Ocorre que, no decorrer de muitos milhões de anos, grande parte da matéria orgânica, (biomassa), não se decompôs, ou seja, não se oxidou, por ter sido soterrada por enxurradas e diversas outras formas de movimento de solo, o que veio dar origem aos combustíveis fósseis; e o oxigênio que foi liberado pelos vegetais que foram fossilizados, espalhou-se na atmosfera , onde, exposto à ação dos raios ultravioletas, converteu-se em ozônio, vindo formar o escudo protetor do planeta, e se acumular como grandes reservas sobre os pólos, elevando-se em torno do eixo virtual do movimento de rotação terrestre, onde o ápice do cone formado recebia insolação perene. Da matéria orgânica nasceram os combustíveis fósseis e suas contrapartidas de oxigênio e ozônio foram liberadas na atmosfera. Portanto, quando queimamos materiais fossilizados, estamos utilizando a mesma cota de oxigênio que foi liberada pelos vegetais que lhes deram origem há milhares de anos e que permitiu a formação da vida animada e a sua manutenção até hoje. E, como tais vegetais viveram em sucessivas épocas sobre um mesmo solo, se somarmos tais espaços e multiplicarmos pelo tempo de ocupação, veremos como resultado uma área muitas vezes maior do que a que hoje, tem nosso planeta em disponibilidade para realizar a regeneração dos efluentes das suas combustões. Por isso, os efluentes das combustões de fósseis não são recicláveis naturalmente

 

COMEÇO DO DESEQUILÍBRIO AMBIENTAL
Até o meado do século XVIII, a vida humana e de animais domésticos usados como força de tração eram preciosas porque representavam produção agrícola ou artesanal para as classes dominantes. Então, homens e povos escravizavam ostensivamente outros para usufruírem sua capacidade de trabalho. O grande erro de desvio do desenvolvimento natural e paulatina da humanidade, começou no momento em que determinado carvoeiro, na Inglaterra, escondeu dentro de um forno de fabricação de carvão vegetal, certa quantidade de hulha por baixo da lenha a ser carbonizada, produto aquele cujo uso como combustível havia sido proibido no reino, dado os freqüentes acidentes com morte provocados pelo gás metano que este fóssil libera ao atingir determinada temperatura. Queimada a fornada e retirado o carvão vegetal, verificou ele que a hulha havia se transformado numa borra negra e duríssima. Era o coque, produto que concentra altíssimo teor calórico. Dado a esta dureza e, logicamente, a capacidade de resistir ao peso de maiores quantidades de minério de ferro durante a fundição, nasceram os altos-fornos. Logo, o ferro que era caríssimo até então, porque era fundido com carvão vegetal em pequenas fornadas de até 15 quilos, tornou-se baratíssimo porque, o número de empregos criados na mineração da hulha e na sua aplicação na siderurgia era muitas vezes menor do que o desemprego causado entre lenhadores, carvoeiros e transportadores, inclusive animais de carga ou tração. Com o ferro baratíssimo, começou o desenvolvimento de novas aplicações começando pelo fabrico de vergalhões e vigas que induziram a engenharia a promover o crescimento vertical causando a concentração urbana. Tubos de ferro, resolveram o problema de abastecimento de água; a invenção das máquinas a vapor e trilhos, praticamente revolucionou a tração, não só nos transportes, assim como nas fábricas que começaram a surgir. Na parte bélica, navios que, até então eram frágeis embarcações feitas com madeira, passaram a ser feitos com chapas de ferro e, os avôs dos canhões que eram feitos com as caríssimas ligas de cobre e estanho (bronze), passaram a ser feitos com ferro, fazendo com que os países detentores de jazidas de hulha e de ferro, tornarem-se potências militares e colonizadoras de países que não dispunham de tais riquezas. Sobre esta base, começou a se assentar uma nova filosofia em que as classes dominantes não mais necessitavam escravizar seres humanos para o trabalho direto, mas sim para obrigá-los a consumir produtos mais baratos, elaborados por máquinas feitas e impulsionadas por combustíveis fósseis. Só não imaginaram que, para liberar a energia neles contida, se utilizavam como comburente, reservas de oxigênio/ozônio primitivas e que deram condições naturais para criação e desenvolvimento das formas de vida animadas, nas quais representamos o mais avançado estágio da evolução. Só que a conta das benesses que têm servido às minorias dominantes e o desespero às maiorias que são induzidas a consumir o que lhes são nocivos à mente, à moral e ao próprio corpo, vem sendo apresentada há poucas décadas, enquanto que os crédulos defensores do meio ambiente têm suas atenções desviadas para degenerações subseqüentes com a omissão da causa básica.

Considerem que, desde que se começou a queimar combustíveis fósseis para obtenção do calor que alimentou as siderúrgicas, as usinas termelétricas, os fogões, aquecedores e refrigeradores domésticos, as queimadas para fins agrícolas e de urbanização, assim como para impulsionar transportes rodoviários, navais e aéreos, progresso que designamos como Revolução Industrial, queimamos oxigênio indiscrinadamente fazendo rebaixar a altura das reservas sobre os pólos. Como subprodutos, obtivemos os óxidos de carbono que, por serem mais densos, passaram a se acumular sobre as regiões intertropicais, nelas retendo o oxigênio desfalcado das regiões polares. Rebaixadas na altura as reservas atmosféricas sobre estas regiões, elas perderam o banho solar que recebiam, perenemente, e a camada de ozônio mergulhada nas sombras, e sujeita a temperaturas inferiores ao seu ponto crítico de desintegração, passou a alimentar com oxigênio o que foi consumido pelo progresso dos povos.

(Na próxima semana falaremos sobre as conseqüências destas iniciativas impensadas).

Veja também:
Enxugando gelo – IV (Conclusão)

Sobre

Antidio S.P. TeixeiraAdministrador de empresas aposentado, com experiência em empresas de vários ramos industriais. Ambientalista por vivência, observação e interpretação dos fenômenos naturais, autodidata nesta área.Ver todas as publicações de Antidio S.P. Teixeira »

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