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Enxugando gelo – IV (Conclusão)

terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Categoria(s): Aquecimento global, Artigos, Desastres ecológicos, Desenvolvimento sustentável, Impacto Ambiental, Recursos naturais
|-> Publicado por: Antidio S.P. Teixeira

Partes anteriores deste artigo:
Enxugando gelo – (Introdução)
Enxugando gelo – II
Enxugando gelo – III

 

Como já foi demonstrado, a utilização de matéria fossilizada como combustível deu origem à Revolução Industrial; e esta desenvolveu, como excrescência, um sistema de domínio político predatório ao meio ambiente calcado no consumo supérfluo:
o capitalismo, transvertido em sistema econômico“.

Até então, os estilos de vida entre os povos eram rudimentares; predominava a atividade artesanal e produzia-se em maior escala, apenas, o que era essencial à vida. A camada protetora de ozônio estava intacta, era muito mais espessa e suas reservas sobre os pólos elevavam-se acima das linhas de sombras da Terra em cada pólo captando, mesmo nos invernos, calor permanentemente para manter a integridade do gás protetor. As fontes de energia poluentes com base na biomassa silvestre, eram renováveis, uma vez que as áreas florestais devastadas eram recompostas naturalmente por si mesmas. Com a queima de combustíveis fósseis, o carbono foi guindado das entranhas da Terra e, agora, combinado com o oxigênio formando CO ou CO2, foram lançados sobre as regiões equatoriais, onde ficaram retidos e foram se acumulando enquanto rebaixavam, gradativamente, as reservas polares, fazendo com que as cristas atmosféricas das reservas mergulhassem nas sombras da própria Terra, com perda da captação de calor nos invernos. O ozônio, perdendo a insolação temporária, resfriando-se abaixo do ponto crítico, vem retomando a sua forma molecular primitiva de oxigênio e compensando o déficit ocasionado pela queima intensiva de combustíveis em geral, para atender a demanda energética natural e a que passou a se exigida para fomentar o progresso.

Tanto maior a demanda de oxigênio, seja ele para suprir a respiração dos seres animados, para a degradação natural da matéria orgânica morta ou para alimentar as combustões para fins energéticos, ele é suplementado pelo ozônio da camada protetora da Terra, depois de revertido nas mais altas camadas atmosféricas polares, durante as gélidas noites de inverno nos pólos.

Por isso, temos o adelgaçamento gradual do escudo protetor, partindo dos pólos na direção dos trópicos, e o conseqüente espessamento da camada de gases pesados resultantes das combustões, sobre as regiões intertropicais. Tais gases, em maiores volumes sobre as ditas regiões, absorvem e concentram os raios infravermelhos, mantendo a atmosfera superaquecida ao que chamamos de “aquecimento global” ou “efeito estufa”. Enquanto isso, as camadas de ozônio acima do Trópico de Câncer e abaixo do de Capricórnio tornam-se mais permeáveis aos raios ultravioletas, degradador dos microorganismos iniciadores da cadeia alimentar agrícola e, conseqüentemente, da pecuária. E seus efeitos já estão sendo sentidos na escassez de alimentos e dando início à agitação social com gravidade previsível para todo o mundo.

Com as mudanças climáticas de formas aleatórias às previsões tradicionais, a ação de fenômenos naturais muda de lugares surpreendendo regiões despreparadas para recebê-los, tanto em qualidade como em intensidade como a onda de calor que matou milhares de pessoas na Europa em 2.003; as enchentes que ocorreram no meado deste ano (2.008) na região central dos USA, quando a agricultura e imóveis rurais foram devastados por chuvas nunca, antes, vistas na região. Mais recentemente no estado de Santa Catarina; e, ainda os incêndios e secas que vêm ocorrendo em outras partes do mundo. O somatório destes prejuízos, juntado aos crescentes custos de produção determinados pela utilização de energia obtida de combustíveis fósseis, e de matérias primas utilizadas, ambos, extraídos em maiores profundidades e/ou distâncias de novas jazidas, e ainda, as despesas com medidas preservacionistas do meio ambiente, inviabilizam a continuidade deste sistema “econômico” que proporciona à minoria dominante estilos de vida incompatíveis com a própria natureza humana, à custa dos direitos de subsistência natural dos excluídos sociais de seus direitos de sobrevivência natural em liberdade. O momento é de decisão: “Morrer com a paixão ou sobreviver com a razão“.

PS.- Depois de lida e assimilada esta exposição em quatro capítulos, espero que vocês tenham entendido o porque da necessidade de conscientizar a humanidade de consumir apenas, o que for essencial à vida e empreender um programa de reajustamento da população mundial aos recursos naturais da Terra, através do controle e seletividade da natalidade em nome da sobrevivência dos seres animados como nós. Claro que isso será tarefa para muitas décadas, porém, é o único caminho que a razão nos aponta. Se este movimento não tiver o início já, de nada adiantará seus esforços para salvar os seres das florestas e dos mares porque você estará, apenas, “enxugando uma montanha de gelo“.

(Oportunamente falaremos, de forma compreensível, sobre a “energia” presente em tudo e em todos.)



Sobre o autor: 75 anos, administrador de empresas aposentado, com experiência em empresas de vários ramos industriais. Ambientalista por vivência, observação e interpretação dos fenômenos naturais, autodidata nesta área.
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2 Respostas para “Enxugando gelo – IV (Conclusão)”

  1. Felipe ZIliotti;:

    Simplesmente, fantástico. Sem comentários.

  2. Antídio S.P. Teixeira:

    Obrigado pelo estímulo, Felipe. Espero que outros ambientalistas compreendam o ponto de vista.Forte abraço.

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