Espécies ameaçadas de extinção

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Espécies ameaçadas de extinção

 

     O Ministério do Meio Ambiente, pelo Ibama, ainda no tempo da ministra Marina Silva e depois de exaustivos estudos e pesquisas, apurou que 1.472 espécies vivas da flora e da fauna no Brasil estão ameaçadas de extinção. No entanto, foi oficialmente divulgado que o número era de apenas 472 espécies. Esse informe falso foi proveniente de pressão da presidência, alegando que aquele número iria refletir negativamente para o Brasil nos órgãos internacionais.  

   Mas essa tragédia não se restringe apenas às nossas fronteiras. O número de espécies ameaçadas de extinção no planeta é realmente ignorado. Conhece-se, no entanto, que as já extintas, só no mês de janeiro de 2010, foram de 1.600. O mundo todo – cantinho por cantinho, na terra e no mar – é habitado, visitado e vasculhado pelo animal humano, o maior e mais eficiente inimigo gratuito da Vida e que conta em seu arsenal com um ferramental extremamente sofisticado, potencializante do poder de destruição. A causa primordial dessa insensatez é o antropocentrismo que comanda nossa vida mental e sempre dá razão ao próprio. É um tipo radical de egoísmo que chama para sua espécie toda a exclusividade, não levando em consideração que essa orientação é altamente contraproducente para o todo. Esse tipo de egoísmo, alojado no subconsciente, é tão forte que nos leva até a construir argumentações inconsistentes parecendo serem justas. E procuramos legitimar nossos julgamentos com a justificativa da ética, esse instrumento social cego e hipócrita que procura esconder procedimentos injustos.  

   Meio ambiente é um conjunto equilibrado de condições de vivência para todos os seres que compõem a biodiversidade. O animal humano é apenas um desses personagens. A quantidade de humanos no mundo se tornou tão grande que já não pode ser designada como parte da família viva. Agora eles se tornaram praga ambiental. O que é praga? É quando uma espécie animal ou vegetal aumenta sua população de tal modo que passa a ser prejudicial ao meio vivente, desequilibrando o habitat mundial. Impede, dessa forma, que os outros componentes tenham condições mínimas de sobrevivência. Precisamos nos conscientizar de que o mundo é pequeno para tão grande população humana; ou de que o mundo é grande, mas a população humana é maior.

   As ações humanas prejudiciais à ecologia são diversas. Matar seres de outras espécies  pelo simples prazer de matar. Eufemisticamente, chamam a isso de esporte. Matar animais para atender a crenças infundadas, calcadas apenas na ignorância ou não uso do razão. Aprisionar animais para finalidades absurdas, como estimação, prazer de posse, escravidão ou serventia, coleção, comercialização, exibições. Apossar-se do hábitat da flora e fauna, destruindo os recursos naturais de sobrevivência dos seus representantes. Industrialização e comércio dos subprodutos retirados dos cadáveres dessas vítimas indefesas e inocentes. Citamos a seguir alguns exemplos de como se processam esses crimes ambientais:

a – na luta de sumô, no Japão (Japão, país tido como civilizado!), os contendores, para ter êxito no tablado, bebem sangue de tartaruga preta, degoladas minutos antes dos enfrentamentos;

b – relatório recente do Centro Nacional de Pesquisas e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP) informa que a “onça-pintada da caatinga nordestina, estimada em 356 (!?) exemplares, está próxima de desaparecer (serem assassinadas) dentro de 3 anos, por perda do seu hábitat.” (Não há perda de hábitat. Há é ocupação e destruição do seu hábitat pela construção do progresso em atendimento aos interesses antropocêntricos).

C – o almiscareiro, simpático animal ruminante da família dos cervídeos, é intensamente perseguido e assassinado para extração de uma glândula odorífera que possui, chamada de almíscar, usada na fixação de perfumes que vão satisfazer as vaidades femininas.

  Houve épocas em que, por motivo de desastres naturais, diversas espécies foram extintas. Isso é um fato não intencional, efeito de ajustes geológicos e ocorrências cósmicas. Mas o que se presencia atualmente, com o excesso de humanos e aceleração de suas ações no objetivo sagrado do lucro é um procedimento inteiramente irracional contrariante ao que a própria razão indica.

   Não, efetivamente não está havendo perigo de extinção das espécies. Elas não estão ameaçadas. O processo de morte delas está em curso há bastante tempo. Elas estão sendo efetivamente extintas. Isso diz tudo? Não. Isso é só uma dissimulação para dizer sem dizer e encobrir o autor. As espécies não estão ameaçadas de extinção. Elas estão sendo assassinadas pelo homem. Essa frase é a verdadeira; indica e traduz fielmente o verdadeiro acontecimento. Aponta a ação e o culpado. E aquele processo de destruição – a que é chamado de progresso – é dinâmico; não cessa nem diminui. Ao contrario; acelera-se cada vez mais, enquanto toda a humanidade, insaciável, fica rezando contritamente em prol do antropocentrismo. Injustiça!  

Segundo os informes científicos, existem ou existiam aproximadamente dois milhões de variedades no campo da flora e da fauna.  Por ação humana, uma espécie a cada hora é assassinada. Até quando, ó Catilina!?

Sobre

Maurício Gomide83 anos, pensador e escritor ambientalista. Reside atualmente em Belo Horizonte(MG), colaborando em diversos blogs ambientalistas. BLOG: http://planetafala.blogspot.comVer todas as publicações de Maurício Gomide »

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