Gripe aviária, dengue, malária – epidemias do século XXI

Todos os dias publicamos novos conteúdos e conquistamos um número cada vez maior de usuários. A equipe do portal AMA agradece a todos os usuários que acessam constantemente este site, que já é uma referência nacional sobre preservação ambiental e desenvolvimento sustentável. E lembre-se, não basta apenas conhecer os problemas, é necessário agir! Cada um fazendo sua parte, de forma consciente, ajuda a melhorar o ambiente em que todos nós vivemos.

Gripe aviária, dengue, malária – epidemias do século XXI

Seriam essas epidemias um sinal de alerta? Bom, se começar assim, com certeza irá tomar um rumo de um conteúdo de profecias. Mas do ponto de vista científico, epidemias desse tipo, são juntamente com tantos outros problemas naturais que observamos como a elevação do nível dos oceanos, que determinam o índice de destruição do meio ambiente e conseqüentemente, um mundo mais instável. A relação dessas epidemias com a degradação do meio ambiente esta diretamente relacionada com o aquecimento global que torna um ambiente propício ao desenvolvimento e disseminação de agentes causadores e hospedeiros de doenças.

Com a elevação da temperatura ocorrerá o derretimento de geleiras, neve em regiões montanhosas e calotas polares, e toda esta água passando do estado sólido para o líquido, fará com que ocorra um aumento do nível dos oceanos, que por ter água com alto grau de salinidade, imprópria para utilização humana, compromete as reservas de água doce de países inteiros, já que ao entrar em contato com essas reservas tornará as águas com teor de salinidade deixando-as indisponíveis para utilização. E técnicas para retirar o sal da água (dessalinização) e deixa-la potável são muito caras.

DengueCom a falta de água potável que inevitavelmente atingirá no início regiões de maior pobreza, conforme já afeta em regiões do semi-árido do nordeste onde a seca predomina, será um dos fatores mais relevantes para o aumento das doenças que se não forem controladas, em um curto prazo estará disseminada em regiões de qualquer poder socioeconômico e estarão definidas epidemias entre as populações.

Os mesmos eventos extremos, como inundações, podem levar também à transmissão de doenças infecciosas, como a leptospirose. As modificações de temperatura e regime de chuvas podem trazer maior abundância e disseminação de hospedeiros intermediários e patogênicos (que provocam doença). Podemos citar a relação entre a incidência de cólera e o aumento de temperatura das águas do mar que está provada, com base em estudos científicos.

A proliferação dessas doenças também está relacionada com a poluição em rios devido à falta de sistemas de esgotos e tratamento de água, áreas onde o lixo é jogado sem tratamento como em lixões que ao localizar-se próximo de áreas urbanas trazem grandes danos à saúde dos moradores locais.

Gripe aviáriaNo entanto, os diferentes ecossistemas podem comportar-se de formas variadas em relação a determinados índices epidêmicos. Vamos analisar isso com base em exemplos relacionando ecossistemas com algumas doenças que podem causar epidemia. No caso de precipitações muito intensas, na floresta tropical existirá um escoamento superficial, sendo as larvas de mosquito arrastadas, levando a uma diminuição da malária. Já no semi-árido, as mesmas precipitações levarão à formação de poças d’água, que servirão como criadouro para os vetores, aumentando assim a incidência da doença. No semi-árido igualmente, as chuvas em maior intensidade que a usual provocarão um aumento da produtividade ecossistêmica, fazendo com que haja um aumento na população de roedores reservatórios, ocasionando surtos de peste bubônica. Por sua vez, nas favelas urbanas, pela deficiente coleta de lixo e má drenagem, poderão ocorrer surtos de leptospirose.

O aumento da faixa de clima tropical no planeta levará a um aumento dos agentes infecciosos de doenças mais comuns, causando pandemias (epidemias generalizadas). A migração de animais que transportam um agente infeccioso e o transmite de um hospedeiro a outro para áreas que antes não contavam com tais transmissores será um grave problema de saúde pública, pois os sistemas de saúde, se não tiverem uma visão de longo prazo e pró-ativa, serão pegos de surpresa por doenças com as quais não estão acostumados. Temos no Brasil alguns exemplos disso: a dengue e a leishmaniose, doenças já esquecidas pela maioria dos médicos, pois não apareciam há muitas décadas de maneira tão intensa, causaram muitas vítimas. No caso da leishmaniose, recente surto no estado de Mato Grosso do Sul levou a dificuldades de diagnóstico, causando óbitos que poderiam ter sido evitados se a doença fosse prontamente diagnosticada.

Desnutrição (África)No caso dos fenômenos de seca, a saúde da população é afetada inicialmente pela condição de fome epidêmica, que leva a um sistema imunológico deprimido, à migração e a problemas sócio-econômicos, todos trazendo um risco aumentado de infecção. Os problemas de saúde exercerão pressão na infraestrutura de saúde pública, causando superocupação de serviços, degradando o atendimento. A seca também traz incêndios florestais, causando doenças respiratórias e espalhando os hospedeiros intermediários de agentes infecciosos de doenças, como o mosquito transmissor da malária para centros urbanos. As más condições sanitárias, causadas entre outras razões pela falta de água, levam a um aumento de doenças diarréicas, as quais debilitam mais ainda a população, especialmente crianças. Também devido à falta de higiene, podem ocorrer doenças como tracoma, uma conjuntivite grave, caracterizada pela presença de minúsculas granulações sobre a mucosa ocular, que dão a sensação de areia nos olhos e escabiose, um tipo de sarna, infectando a parte externa da pele.

Com mais pessoas doentes, afetadas por desnutrição, a produtividade cai e ocorre um aumento dos gastos com medicamentos e cuidados à saúde. A economia dos países, principalmente os em desenvolvimento, poderá ser seriamente abalada em um quadro como esse. E para controlar essas epidemias, como serão necessários altos investimentos, perguntamos, será que em países pobres ou até subdesenvolvidos como o nosso, o governo terá porte para controlar essas epidemias? Dificilmente. Talvez pela magnitude da dificuldade isso não seja possível nem com ajuda de outros países. Por isso, é altamente importante evitar essas catástrofes que além de muitas outras que já vimos, também citando agora epidemias, é preciso acabar com as fontes poluidoras para frear o aquecimento global e a degradação do meio ambiente (Mudar radicalmente, este é o lema do século XXI).

Artigos relacionados:

Os impactos das mudanças climáticas referentes ao IPCC

Desastres que marcaram época e muitas vidas

Utilizar adequadamente os recursos naturais para preservar o meio ambiente

Sobre

Maurí­cio Machado

Biólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.

Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

Deixar uma Resposta

Você precisa estar logado para publicar um comentário.