Icebergs podem compensar parte dos impactos do aquecimento global

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Icebergs podem compensar parte dos impactos do aquecimento global

Devido ao aumento da temperatura no planeta houve um aumento dos icebergs, que são grandes blocos de gelos que se separam da Antártida e flutuam pelo oceano, isso prejudica as espécies no local que dependiam desta área, mas acabam transformando-se em focos para outros tipos de vida no mar.

Quando estes enormes blocos de gelo se separam do continente, além de parte da água que estava no estado sólido passar para o estado líquido, neste derretimento também acabam sendo depositadas partículas como pedaços de solo e rocha, desenvolvendo-se então focos de alimento para o plâncton e pequenos animais conhecidos como krill que são a base (produtores) da cadeia alimentar no ambiente marinho (entenda mais sobre cadeia alimentar). Segundo a geóloga Kristen St. John, da Universidade James Madison, achou interessante a escala deste fenômeno, e afirma que a falta de ferro limita a atividade biológica no oceano meridional, e se os icebergs estão transportando minerais ricos em ferro para locais longe da costa, é lógico que estes grandes blocos estejam ajudando na base da cadeia alimentar, o que pode ter efeitos positivos por toda a cadeia.

Com este novo ciclo de vida que pode se originar no “alto mar” pode haver uma compensação no impacto que o desprendimento dos blocos de gelo ocasionam. De fato, os cientistas liderados por Kenneth L. Smith Jr., do Instituto de Pesquisa Monterey Bay Aquarium, encontraram um aumento nas formas de vida ao redor dos dois icebergs que estudaram (W-86 e A-52, no Mar de Weddell, próximo à Antártida), coletando amostras da água ao redor do gelo e usando um submarino de controle remoto para estudar o gelo por baixo, estendendo-se em um comprimento de 4 km de todo bloco.

Em uma comparação estabelecida pelo pesquisador Russell R. Hopcroft, do Instituto de Ciência Marinha da Universidade do Alasca, Fairbanks, ele afirma que assim como uma poça d’água em um deserto pode ser um foco para desenvolvimento de vida, icebergs à deriva são como oásis no oceano antártico e também podem promover vida.

Além do estímulo de vida ao redor dos icebergs, como conseqüência também podem ajudar a reduzir o excesso de gás carbônico na atmosfera, compensando em uma pequena quantidade o aquecimento global que os separou do continente já que os icebergs à deriva podem servir como rota para a captura e seqüestro do carbono.

Porém essa idéia de “compensação” não é totalmente correta, pois mesmo havendo uma compensação servindo como um escoadouro para o gás carbônico, captando-o da atmosfera e deixando o mesmo no fundo dos oceanos e ainda dando abertura para cadeias alimentares permitindo vida ao redor dos icebergs, não devemos esquecer que a região onde este gigantesco bloco de gelo (iceberg) se separou e influenciou completamente o ciclo de vida neste local em que estava equilibrado, afetando espécies como os ursos polares. Realmente não devemos tomar nenhuma conclusão precipitada, já que foi estudado apenas dois icebergs, sendo necessárias mais pesquisas para concluir a compensação na região que foi afetada pelo desprendimento do bloco de gelo em relação à região em que permanece no oceano e está permitindo nova vida marinha.

De qualquer maneira o que temos certeza em afirmar é que não há lado bom com o derretimento das geleiras ou desprendimento de blocos do continente da Antártida, pois por mais que ocorra uma compensação na emissão de gases poluentes que ainda assim não é o suficiente e mesmo que seja comprovado que a cadeia alimentar estabelecida no novo local para onde o bloco de gelo permanece restabelece o ciclo de vida equilibrando a perda que se teve no local de onde o bloco estava inicialmente, o que ainda achamos que não será possível, pois quando o gelo está na área da região polar, este é uma área para animais como ursos polares, pingüins, e flutuando sobre os oceanos sem nexo com outras áreas, provavelmente será hábitat para outros tipos de espécies menores e isso certamente causará desequilíbrios.

Enfim, mesmo que os dois itens apontados acima (absorção de gás carbônico do ar e equilíbrio de espécies) sejam compensados, outro item que ainda deve ser analisado é o aumento do nível do mar, e este que é um grave problema não há como ser compensado, já que inevitavelmente a água líquida que se escoa para os oceanos e aumenta o nível do mar atingirá muitas áreas litorâneas, ilhas que terão sérios prejuízos conforme já analisamos no artigo “O que o aquecimento global pode provocar no Brasil e no mundo“.

Por isso, mesmo que os icebergs tenham seu lado positivo, este é um processo natural que a natureza trata de buscar o equilíbrio necessário e com isso continua sendo preciso frear o aquecimento global. Caso contrário é o mesmo que ter em mente que o aquecimento global deve ser incentivado assim o planeta fica mais quente e não iremos mais ter frio e todas as relações anexas para aqueles que, por exemplo, não gostam de acordar cedo no inverno ou sentem falta de nadar em uma boa piscina por estar frio.

Nunca se esqueçam da seguinte afirmação: Aquecimento global está entre os maiores problemas que temos de enfrentar em nossa geração, no século XXI, e nem de longe há itens positivos ocasionados por este fenômeno. Diferente do efeito estufa, que é necessário para manter condições de temperatura adequadas para vida na Terra, o que não se pode ocorrer é sua intensificação, que ocasiona o aumento da temperatura. Para entender mais sobre essa relação, leia o artigo: Como diminuir o aquecimento global se nós alimentamos diariamente o efeito estufa?.

Sobre

Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

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