Inteligência é loucura

Todos os dias publicamos novos conteúdos e conquistamos um número cada vez maior de usuários. A equipe do portal AMA agradece a todos os usuários que acessam constantemente este site, que já é uma referência nacional sobre preservação ambiental e desenvolvimento sustentável. E lembre-se, não basta apenas conhecer os problemas, é necessário agir! Cada um fazendo sua parte, de forma consciente, ajuda a melhorar o ambiente em que todos nós vivemos.

Inteligência é loucura

Para variar um pouco o modo de abordar a tragédia por que passa o planeta, assunto muito sério e vital, que não está sendo levado AGORA em devida conta, mas que será objeto de atenção quando a situação não tiver mais retorno, apresentamos abaixo a letra de uma canção produzida pelo marcante cantor Moacyr Franco. Entendemos que, mediante profunda meditação sobre as vívidas palavras ali colocadas com extrema propriedade, o leitor poderá sentir a intensa angústia do autor quando de sua construção. Ela retrata, no nosso entender, a exata situação periclitante da vida e a desesperança da luta pela sobrevivência. Numa apreciação simplista, condensada, não hesitamos em registrar esta canção como um tratado completo de ecologia. A crítica é livre.

INTELIGÊNCIA É LOUCURA

Eu vi a flor se agarrando
Às asas de um colibri
Ela implorava chorando
Vê se me leva daqui.

A vida vai se acabando
Ai, ai, ai,
Nesse planeta infeliz.

À boca grande do homem
A terra já não resiste
O bicho foge do incêndio
O passarinho está triste.

Guariba cega e queimada
Ai, ai, ai,
Pergunta se Deus existe.

Quando o Tietê tá espumando
Ou quando a baleia berra
Às vezes fico pensando
Quem sabe é melhor a guerra.

É hora de ir embora
Ai, ai, ai,
E deixar livre esta terra.

De que valeu o progresso?
Pra que as duas culturas?
Um mundo louco possesso
Doença ao invés de fartura.

Queria ser um morango
Ai, ai, ai,
Inteligência é loucura.

Que seja um homem feliz
Quem tem num bicho um irmão
Quem deite e acorde sorrindo
E ensine ao filho o perdão.

Que seja a minha riqueza
Ai, ai, ai,
O que couber nesta mão.

Sobre

Maurício Gomide

83 anos, pensador e escritor ambientalista. Reside atualmente em Belo Horizonte(MG), colaborando em diversos blogs ambientalistas.
BLOG: http://planetafala.blogspot.com

Ver todas as publicações de Maurício Gomide »

  1. Antídio S.P. Teixeira
    Antídio S.P. Teixeiraout 16, 2008

    Não tenham dúvida de que este foi mais um brado de alerta não entendido pela humanidade; e que, ainda hoje, podemos dizer que, com raríssimas excessões, a humanidade continua sem entender nada. Parabéns pela apresentação desta pérola.

  2. Felipe Ziliotti
    Felipe Ziliottiout 22, 2008

    Prezado Sr. Maurício Gomide, uma dúvida,política sobre essa música. Não conheço as origens do autor, nem seus ideias políticos, mas gostaria de saber, se, de alguma forma o refrão:
    “De que valeu o progresso?
    Pra que as duas culturas?”

    Tem alguma ligação, com de certa maneira, uma crítica ao capitalismo?

  3. mgomide4
    mgomide4out 22, 2008

    Caro Felipe,
    Muito obrigado pelo seu pronunciamento. Pelo que sei, trata-se de autor e cantor de canções românticas, dono de bela voz e que teve sua época de sucesso nos anos 1960/70. Naqueles tempos, o Brasil tinha sua própria e genuina cultura musical, não necessitando importar gostos estrangeiros. Quanto aos seus ideais políticos, posso afirmar que Moacyr Franco nunca se manifestou em assuntos políticos, motivo por que não sabemos suas preferências nessa área. Quer-me parecer que ele seguia a religião católica porque compôs algumas canções que se referiam a “festa de reis” e “milagre de São Sebastião”, muito bonitas. Você pede que lhe diga se os dois refrões implicam uma crítica ao capitalismo. Isso requer uma explicação; em assuntos ambientais, a palavra capitalismo tem acepção ampla, significando sistema econômico, isto é, todo e qualquer acúmulo de riquezas, às custas, em última instância, dos recursos da Terra. Dessa forma, enquadram-se num mesmo capitalismo toda a arquitetura cultural existente no mundo, com exceção das sociedades primitivas. Isto posto, cabe-nos dizer, quanto aos refrões, que uma peça poética é construida com palavras que traduzem sentimentos e emoções. Não cabe em literatura poética a linha argumentativa, adequada na prosa, mais especificamente no ensaio. Pode notar que o autor da canção não se ateve a motivações políticas; apenas externou, com profundeza de sentimento, um lamento ante a visão da degradação ambiental. É na sua expressão emocional que deve ser lida qualquer peça poética. Uma poesia nunca tem com que se explicar. Ela nasce da alma e se dirige à alma de outrem. Não vou me alongar em considerações sobre a arte. Entendo que nosso espaço deve ser limitado.
    Não se amofine; compareça sempre. Estamos às ordens.

Deixar uma Resposta

Você precisa estar logado para publicar um comentário.