

Sábado, 11 de Outubro de 2008
Categoria(s): Artigos, Auto-suficiência, Desenvolvimento sustentável, Economia, Recursos naturais
|-> Publicado por: Antidio S.P. Teixeira
O mundo capitalista se debate na primeira e, provavelmente, a última grande crise “sócio-econômica-financeira-ambiental“. Muitos mestres em economia ou em comunicação, vêm a público prestar esclarecimentos sobre o acontecimento e apontar caminhos para restabelecer a confiança no sistema e levar investidores de volta a aplicação de seus recursos nas bolsas de valores, um jogo de azar, o que na verdade, só faria retardar o estouro para uma deflagração mais estrondosa amanhã.
O fato é que o sistema financeiro mundialmente adotado como econômico é deficitário porque consome mais do que produz e o pouco que produz é mal distribuído e termina por ficar em poder de menores parcelas da população mundial. Por isso, para sobreviver ele necessita de um aumento contínuo de consumo a fim de obter, cada vez mais lucros para poucos. Como a maior fatia da humanidade é despojada de recursos para consumir o indispensável para ter uma condição de vida digna, a produção vai se restringindo cada vez mais e sendo sofisticada para satisfazer os desejos mais extravagantes das minorias que conseguem auferir maiores rendimentos.
Esta inviabilidade foi prevista por Marx e, no entanto, ela tornou-se viável até o momento, porque contou com fontes energéticas como hulha e petróleo, assim como jazidas de matérias-primas aflorando no solo e, por isso, baratas; a atmosfera, os mares e as florestas com suas faunas se renovavam naturalmente mantendo a pureza necessária à vida.
Nessas exuberantes condições de riquezas naturais, a ambição de poder de reis e de poucos cidadãos europeus começou a implantar políticas financeiras que deram origem ao capitalismo atual e moribundo. À medida que foram sendo aplicados mais recursos que propiciaram a evolução tecnológica, homens e animais de tração foram sendo excluídos do trabalho, deixados sem meios de subsistência em todo o mundo e, hoje, afeta até as classes de profissionais liberais.
O desvio da evolução social natural começou, exatamente, no momento em que, acidentalmente, se transformou a hulha em coque, e, com este, fundiu-se o ferro o que, até então, o faziam num processo penoso e limitado, por ocupar muita mão-de-obra de lenhadores, carvoeiros e transportadores que alimentavam as empíricas siderúrgicas, razão do seu elevado custo e aplicação limitada à fabricação de armas, ferramentas e artefatos de maiores necessidades. Passando o ferro a ser fundido em grande escala e com um combustível altamente concentrado e barato por nenhum trabalho ter custado ao homem para fabricá-lo e concentrá-lo através de milhões de anos, novas aplicações modificaram o comportamento social da humanidade.
Trefilados permitiram as construções de elevados prédios, superpovoando, deste modo, as áreas urbanas; tubos de ferro fundido resolveram problemas de abastecimento de água; trilhos, máquinas a vapor e motores a explosão que impulsionaram vagãos e navios para abastecerem as novas cidades que cresceram mais para o alto, o que fez com que o homem dependesse, cada vez mais, de energia elétrica para bombear água, acionar elevadores e ventiladores etc.
Assim, também, para transportar passageiros, sendo hoje o avião, o mais rápido, preferido e o maior consumidor de energia por unidade de massa transportada. Só que, as minas de hulha mais próximas foram se esgotando, outras ficando cada vez mais profundas e/ou distantes; o petróleo que, inicialmente, em algumas regiões, chegava a esguichar do solo, quando se escavavam poços para água, hoje ele é extraído de poços cuja profundidade já não se medem mais em metros, mas em quilômetros.
A disputa pelas jazidas destes combustíveis tem sido motivos de caríssimas guerras fazendo milhares de mortos deixando crianças órfãs. Os custos para obtenção desses combustíveis e de outras riquezas minerais se elevaram consideravelmente durante estes dois últimos séculos, transferindo para as planilhas de custo de produção e de vendas das mercadorias produzidas com eles.
O desastre começou a ser apontado na consciência de ambientalistas na década de 1970 quando observaram, pela primeira vez, o “buraco” na camada de ozônio sobre o Pólo Sul e foram despertados para o fato de que os gases emanados pela queima de combustíveis fósseis, predominantemente os óxidos de carbono, não dispondo de meios para se reciclarem, vinham se acumulando na atmosfera e causando alterações climáticas precursoras de intempéries com sérias implicações na produtividade agropecuária e danos imobiliários, tanto nas áreas urbanas como, também nas rurais.
Resumindo: os custos operacionais da produção mundial já superam em muitas vezes os recursos financeiros globais obtidos para suas aquisições, o que não deixa mais margens para os lucros fáceis de outrora. Esta é a causa; o desfecho dependerá das atitudes que serão tomadas pelos governantes do mundo.

Domingo, 02 de Novembro de 2008
A visão do distinto comentarista que complementa nossa abordagem, vale por uma aula para uma melhor compreensão do momento histórico por que passa o mundo capitalista.
Acrescentamos que, (numa transcrição sintética) quando ele diz que “os custos de produção superam os recursos financeiros”, até há pouco tais recursos, conhecidos por ativos financeiros, eram suficientes e abundantes. Sim, eram suficientes porque, tal como no milagre de multiplicação dos pães, os recursos reais - dinheiro - (representativo de bens) foram ficticiamente mil vezes multiplicados pelo “sabidos” capitalistas. Agora, o que há é apenas uma caida na real… Aquela abundância de ativos na realidade não existia.
O interessante dessa tragédia é que ela se transformou em comédia. Ora vejam, o governo dos paises capitalistas estão comprando as empresas privadas e, com isso, caminhando para o socialismo, o mesmo socialismo soviético, onde o Estado era dono de tudo.