Os Bodes e os Monstros de Gaia
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Categoria(s): Artigos
|-> Publicado por: Antonio Radi
Proposta originalmente pelo médico, escritor e ambientalista britânico James Lovelock, a Hipótese ou Teoria de Gaia sugere que a Terra é e age como um organismo vivo. Lovelock, através de sua polêmica Teoria, defende que são os seres vivos que criam as condições para sua própria manutenção e perpetuação, interferindo e moldando o ambiente ao seu redor.
Bem, mas como eu já disse há pouco, além de teorias o Sr. Lovelock também escreve livros. Permito-me aqui extrair três trechos de sua obra intitulada A Vingança de Gaia (Ed. Intrinseca, 2006) os quais, penso eu, fornecem um ótimo combustÃvel para a reflexão:
- ” Os fundadores das grandes religiões do judaÃsmo, cristianismo, islamismo, hinduÃsmo e budismo viveram épocas quando éramos bem menos numerosos e vivÃamos de um modo que não sobrecarregava a Terra. Aqueles homens santos não teriam nenhuma idéia do estado atribulado do planeta mil ou mais anos depois, e sua preocupação, justificada, teria sido com os assuntos humanos. A boa conduta individual, familiar e tribal exigia regras e orientações. Éramos a famÃlia humana crescendo no mundo natural de Gaia e, como crianças, aceitávamos nosso lar como algo natural e nunca questionávamos sua existência. O sucesso desses fundamentos religiosos é medido por sua persistência, como crenças e guias, por mais de mil anos de aumento adicional da população. Quando criança, em me embebia na crença cristã, e esta inconscientemente continua guiando meu pensamento e conduta. Agora enfrentamos as consequências de poluir nosso lar planetário, e novos perigos espreitam, bem mais difÃceis de entender ou enfrentar do que os conflitos tribais e pessoais do passado. Nossas religiões ainda não nos deram as regras e orientações para nosso relacionamento com Gaia. O conceito humanista de desenvolvimento sustentável e o conceito cristão de direção são maculados por uma arrogância inconsciente. Não dispomos do conhecimento nem da capacidade para atingi-los. Não somos mais qualificados para sermos os dirigentes ou empreiteiros da Terra do que os bodes para serem jardineiros.”
- “Somos uma espécie equivalente à quela dupla esquizóide do romance de Stevenson O Médico e o Monstro. Temos a capacidade de destruição desastrosa, mas também o potencial de edificar uma civilização magnÃfica. O monstro nos levou a usar mal a tecnologia; abusamos da energia e superpovoamos a Terra, mas não é abandonando a tecnologia que sustentaremos a civilização. Pelo contrário, temos de usá-la sabiamente, como faria o médico, tendo em mira a saúde da Terra, não a das pessoas. Daà ser tarde demais para o desenvolvimento sustentável; precisamos é de uma retirada sustentável.”
- ” (…) para lidar com a ameaça da mudança global, entendê-la e até atenuá-la, precisamos conhecer a verdadeira natureza da Terra, imaginado-a como o maior ser vivo do sistema solar, e não algo inanimado como a infame Espaçonave Terra. Até que ocorra essa mudança de corações e mentes, não sentiremos instintivamente que vivemos em um planeta vivo capaz de reagir à s mudanças que efetuamos, quer anulando as mudanças, quer anulando a nós. A não ser que vejamos a Terra como um planeta que se comporta como se estivesse vivo, pelo menos a ponto de regular seu clima e quÃmica, faltará a vontade de mudar nosso meio de vida e de entender que fizemos dele nosso pior inimigo.”
Sobre o autor:
Engenheiro Agrônomo/Representante Comercial