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Poluir menos não significa prejudicar a economia

Quinta-feira, 26 de Julho de 2007
Categoria(s): Artigos
|-> Publicado por: Maurí­cio Machado

No complexo mundo capitalista tudo tem seu preço. Temos conhecimento de que é necessário investir para depois colhermos nossos frutos, gastar com estudo para depois ser retribuído em uma futura profissão, empregar capitais na criação de um comércio para depois faturar com as vendas, entre muitas outras alternativas para sobreviver no gigante ciclo monetário. Para resolver questões ambientais não é diferente.

Estamos diante de um dos maiores problemas já enfrentados pela humanidade em todos os tempos: as mudanças climáticas. Alternativas não faltam, já foram expostas desde simples possibilidades como reflorestamento até a substituição da matriz energética, sendo todas, visando à redução das emissões de gases que intensificam o efeito estufa, para assim, frearmos o aquecimento global. Atitudes individuais também já foram abordadas para preservação do meio ambiente, como utilização consciente dos recursos naturais e reciclagem.

Para que nós, seres humanos mudemos de atitudes precisamos mais do que ter consciência do grave problema que é necessário a contribuição de cada um para ser resolvido. É necessária muita força de vontade, pois não é fácil deixarmos um hábito que seguimos há muitos anos e trocarmos por hábitos ecologicamente corretos. Leia mais nesta publicação em que abordamos a diferença entre utilizar o essencial para nosso bem-estar e desperdício.

Mais do que força de vontade, para que grandes mudanças ocorram em benefício ao meio ambiente, é necessário um investimento. Situação a qual não paramos para refletir, até quando ou quanto vale a pena gastar? E agora se trata de mudanças que envolvem tecnologia para substituir fontes de geração de energia que utilizam combustíveis fósseis (como o petróleo) que é esgotável e esse é um dos motivos de seu preço cada vez mais alto por fontes alternativas de energia que não poluem e são inesgotáveis como energia do sol ou do vento.

Para essa grande mudança é necessário pagar para ter esta solução aplicada em larga escala substituindo assim as fontes poluidoras. E esse investimento vale a pena, e afirmamos ainda que reduzir a poluição contribuirá para a saúde da população, evitará grandes problemas ambientais e não prejudicará no desenvolvimento de um país.

A pesquisa:

Tendo como base os EUA que junto com a China são os países que mais emitem gás carbônico, principal gás causador do efeito estufa, foi analisado o impacto econômico se os norte-americanos reduzissem as emissões de gás carbônico significativamente. Os dados divulgados pela Agência de Proteção Ambiental (EPA) revelam que se fosse cortado 65% das emissões de CO2 do país, em relação aos níveis de 1990 que foi o ano base definido para as metas do Protocolo de Kyoto, comprometeria no máximo 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) americano em 2030, um valor equivalente a 419 bilhões de dólares. E para manter as metas de redução até 2050 o valor seria de 1,3 trilhão de dólares ou 3,2% do PIB do país.

Os opositores insistem em defender a idéia de que isso seria um grande impacto na economia dos EUA e prejudicaria seriamente o desenvolvimento do país que é altamente industrializado e apresenta um elevado tráfego de veículos.

Porém isso não é um argumento sólido para desviar das metas de redução de gases poluentes, já que não estamos falando em fechar as indústrias do país ou acabar com a utilização do automóvel e sim em substituir a matéria-prima que é utilizada para gerar energia que essas máquinas necessitam.

Logo, o investimento que aparenta ser incrivelmente alto (1,3 trilhão de dólares), não compromete a economia dos EUA, até porque isso significa apenas 3,2% de todo PIB do país, e esse será um gasto para mudar a base energética do país que atualmente é representada pela ampla utilização de combustíveis fósseis como em termelétricas que utilizam carvão e automóveis que utilizam derivados do petróleo como a gasolina e ambos emitem gás carbônico.

Joseph Lieberman, que é um dos criadores do plano de redução na emissão de gases poluentes dos EUA disse que de fato nada é de graça, mas afirmou que o impacto é gerenciável e viável economicamente, dessa forma não desestabilizará o país. E informou ainda que a Comissão de Meio Ambiente do Senado americano deve aceitar pelo menos cinco propostas para acabar com o aquecimento global.

Com o plano de reduzir em 65% as emissões dos EUA até 2050, manteria a taxa de gás carbônico inferior a 500 ppm (partes por milhão) até o final deste século e segundo cientistas é uma quantidade considerada essencial para impedir grandes desastres ambientais provocados pelo aquecimento global. Veja as conseqüências do aquecimento global.

Com isso, o gasto para frear o aquecimento global seria compensado por não ter que gastar reconstruindo cidades de devastações arrasadoras ocasionadas devido ao aumento da temperatura, e as irreparáveis perdas humanas e até a possibilidade de se tornar uma situação irreparável e comprometer todo o planeta.

A agência ambiental EPA ainda avaliou que o valor do galão de gasolina nos EUA aumentaria em 26 centavos de dólar em 2030 e em 68 centavos até 2050. E também teria um aumento, porém menor, no valor da eletricidade e do gás natural. Apesar de estarmos falando de centavos, milhões de pessoas sofrendo o aumento destes “centavos” comprometeria os gastos do país.

Desta maneira torna-se fundamental a substituição de combustíveis fósseis e investimento em fontes alternativas de energia, mantendo um preço viável para consumo e podendo tornar mais lucrativa a distribuição de energia gerada por fontes alternativas, já que a matéria-prima (sol, vento…) não fornece gastos, sendo necessário empregar dinheiro apenas no desenvolvimento e manutenção dessas tecnologias.

Outro ponto positivo que podemos abordar ainda que concretiza a importância em se investir em grandes mudanças que beneficiem a preservação do meio ambiente, incluindo a redução da emissão de gases poluentes é que há o novo comércio milionário do carbono, em que podem ser negociados créditos de carbono para compensar emissões, que de acordo com cálculos, haverá uma movimentação de cerca de 25 bilhões de dólares em 2030 e de quase 60 bilhões em 2050.

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2 Respostas para “Poluir menos não significa prejudicar a economia”

  1. Marcos:

    Nossa, vocês destrincharam bem o aquecimento global, fatiaram cada item sobre este assunto.
    Após algumas horas de leitura aqui no AMA eu passei a entender tudo sobre este grave problema.

    Ah! e mais do que simplesmente enteder sobre o aquecimento global, é mudar as atitudes, que já mudei meus hábitos e de toda minha família. Mais do que isso, ainda estou conversando com pessoas sobre o tema e falando para elas preservarem mais o meio ambiente e indicando este projeto para pressionarmos autoridades a fazerem o mesmo e realizarem muitas outras alterações para reduzir as emissões de gases poluentes.

  2. Maurí­cio Machado:

    Parabéns Marcos!
    Excelente atitude, são pessoas como você que ajudam a resolver complexas questões como essas, se dedicando para entender sobre este importante tema (mudanças climáticas) e o principal: alterando suas atitudes e ainda influenciando outras pessoas a também terem essas atitudes conscientes sobre o meio ambiente.

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