Por que ainda acredito em Papai Noel

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Por que ainda acredito em Papai Noel

 

   Durante toda a minha vida acreditei e continuo acreditando na existência de Papai Noel, o bom velhinho. Aquele que vive numa casinha acolhedora assentada em meio às neves da Lapônia. Emprega seu tempo todo fabricando, com a maior boa vontade e prazer, brinquedos para as crianças do mundo. Sabe de suas responsabilidades para o final de cada ano e as cumpre com rigor. Nessa época, sai em seu majestático trenó, arrastado pelas sempre fortes, fieis e dedicadas renas na sua viagem pelo globo, semeando alegria e felicidade para os infantes.   

  Muitas pessoas me perguntam como sou capaz de ser simplório durante tão longo tempo. Respondo que o bom velhinho existe mesmo, pois não há motivo para não existir alguém inteiramente dedicado a fazer brotar a felicidade na alma das cândidas crianças, sejam elas americanas, iraquianas ou afegãs, todas iguais. Já notaram o quanto é sincero e transparente um bebê nas suas expressões faciais? E segue assim enquanto estiver ligado ao círculo familiar. Merece, por isso, ser protegido com afeto e amor pelos pais, até que a força da correnteza social individualista o arranque dali para engrossar seu caudal coletivo, padronizado nos moldes desejados pelo sistema do ganha-ganha.   

  Todos nós deveríamos acreditar nas boas virtudes do Papai Noel e fazê-las prosperar contra as violências incrustadas na sociedade. As pessoas, em geral, desconhecem o prazer e conforto que me proporciona a fé inabalável na existência do Papai Noel. É de admirar a presteza e satisfação com que o bom velhinho exerce sua função inteiramente gratuita. Conta ele com apenas aquele antigo trenó e indômitas renas que nunca se cansam. Nunca fez acordos espúrios com políticos, sistemas econômicos e jamais praticou a corrupção ou utilizou sua imagem imaculada para outros fins que não fosse o bem. Ele é o baluarte de esperança de todas as futuras gerações.  

  Eu tenho que acreditar naquela valorosa e perfeita obra celeste, pois a criança que ainda habita meu ser tem todas as condições necessárias para viver num mundo de bondade, solidariedade, honestidade, sinceridade, amor, pureza, autenticidade de sentimentos e senso de justiça e gratidão, principalmente para com nossa mãe Terra que nos fornece todos os recursos necessários à vida; a minha e a de toda a biodiversidade.

  Hoje aquele fantástico sonho infantil, que se tornou um ideal, está inteiramente transformado e descaracterizado pelos danosos interesses religiosos e comerciais. As renas foram substituídas por imensos aviões cargueiros; apareceram milhares de falsos Papais Noéis que nada têm a oferecer, senão o estímulo ao consumo. Papai Noel, nesta atual civilização, é uma imagem utilizada como instrumento para arrancar da alma dos incautos todas as formas de desejos de bens materiais. Os brinquedos de outrora, inocentes mas poderosos, que mexiam com a imaginação infantil, foram expulsos de suas mentes e substituídos por outros modernos, monstruosos, que geram e exigem sentimentos de posse, poder, ganância e violência. 

   Essa onda insensível e arrasadora que varre, por igual, as mentes das crianças e adultos e que descaracteriza os autênticos valores     da racionalidade humana, encontra no verdadeiro Papal Noel a resistência indômita e o abrigo seguro para os que não se conformam com a escravidão mental.  

   Não obstante o desvirtuamento e exploração mercantil que fazem desse heróico ancião, eu insisto em continuar acreditando no bom velhinho porque nele está a boa e justa causa, sintetizada na honestidade, sinceridade e justiça que um dia hão de suplantar as atuais adversidades.

   Nesse mundo de tanta hipocrisia, falsidade e destruição de valores, alguém tem que se opor a essa avalanche.

   E esse alguém só pode ser o bom e suave velhinho, o verdadeiro Papai Noel da reminiscência de todos nós.

Sobre

Maurício Gomide83 anos, pensador e escritor ambientalista. Reside atualmente em Belo Horizonte(MG), colaborando em diversos blogs ambientalistas. BLOG: http://planetafala.blogspot.comVer todas as publicações de Maurício Gomide »

  1. Lúcio Gomes
    Lúcio Gomesdez 22, 2010

    Fantástico sonho infantil? Só se for para crianças de famílias com dinheiro. Pergunte sobre o papai noel para crianças que fazem parte do tráfico e matam por falta de opção e são incriminados como se fossem culpados, mas não tiveram a sorte que você teve para ter uma boa educação.

    Papai Noel? Espírito Natalino? Só estimula o consumismo e destaca o país da desigualdade social.

    Quando passo pelas ruas que todos vêem o brilho das luzes, eu vejo a escuridão da falsidade, do mundo irreal de fantasias.

    Mas isso porque olho além do óbvio, busco a realidade.

    Só falta você também acreditar em deus. Tudo é história, só dá certo e é perfeito porque é um mundo de fantasias, irreal, não existe, e vale a pena a redundância para acordar as pessoas.

    Acompanho seus posts e esse blog e muito me decepcionou este seu artigo, Gomide. Sinceramente, jamais imaginei que você fosse dizer uma hipocresia dessas.

    Fale para todas as pessoas em estado terminal, sofrendo pobreza extrema, vendo filhos e familiares morrendo de fome, morrendo de sede, ou bebendo água muito mais suja do que a água que você usa para lavar o chão da sua casa e bebem essa água contaminada, pobre, por falta de opção.

    Será que o bom velinho irá levar comida e água limpa para essas pessoas? Ou será que isso é tarefa divina?

    Acorde, seu deus não põe comida na sua mesa, a menos que você seja o padre ou o pastor.

    Obs.: escrevo deus em minúsculo, assim como hoje escrevo gomide.

    Desculpe minha irritação diante de tanta falsidade, ainda mais nessa época do ano.

  2. Lúcio Gomes
    Lúcio Gomesdez 22, 2010

    Para encerrar, digo que precisamos ver a realidade, entender os problemas que enfrentamos para podê-los resolver. Claro, é muito melhor e mais fácil viver no mundo de fantasias, mas jamais conseguiremos mudanças se continuarmos nesse conto de fábulas.

    Por favor, espero uma resposta sua a altura, para poder voltar a me orgulhar de seus pensamentos e continuar divulgando este blog e seu livro para alertar a população.

    Abraços, e desculpe minha extrema irritação realística. Não suporto mais receber “feliz natal e próspero ano novo” por pessoas que até mesmo desejariam me ver morto.

  3. Maurício Gomide Martins
    Maurício Gomide Martinsdez 25, 2010

    Caro Lúcio Gomes,
    Obrigado pela sua manifestação sobre o artigo. O que o artigo diz é exatamente a essência de seu pensamento. Entendo que você não soube captar o sentido simbólico do texto, naturalmente pela leitura apressada. Meus textos requerem do leitor boa dose de reflexão.
    Numa conversa direta como esta, posso lhe dizer que É CLARO QUE NÃO ACREDITO EM PAPAI NOEL. Eu acredito é na pureza de sentimento dos que ainda não se deixaram impregnar pelos desvirtuamentos da lenda, consumindo insanamente e seguindo SEM PENSAR a propaganda dirigida. O povo, em geral, não sabe que é dirigido, por ele não usa a capacidade mental.
    Leia novamente o artigo e sinta a mensagem que ele pretende passar. Ele é uma condenação ao que ai está. A crença pessoal na lenda é apenas simbólica, para dar sustentação à parte argumentativa.
    Parece que você leu o texto ao pé da letra. Alguns artigos que componho (não é só este)carregam forte dose de ironia. Como na literatura não existe um sinal diacrítico de ironia, os textos da espécie ficam expostos à argúcia do leitor.
    Se você tem alguma dúvida sobre outros trabalhos nossos, fico à sua disposição para prestar melhores esclarecimentos.
    No caso presente, fui obrigado a quebrar o encanto do estilo fantasioso-simbólico do artigo para poder ser mais claro com o amigo.
    Apareça sempre, que estarei ao seu dispor.
    Maurício

  4. Lúcio Gomes
    Lúcio Gomesdez 27, 2010

    Está certo Maurício. Entendido agora o sentido do texto.

    Muito obrigado pela sua resposta e continue sempre suas excelentes publicações.

    Obrigado.

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