Retrato do mundo

Todos os dias publicamos novos conteúdos e conquistamos um número cada vez maior de usuários. A equipe do portal AMA agradece a todos os usuários que acessam constantemente este site, que já é uma referência nacional sobre preservação ambiental e desenvolvimento sustentável. E lembre-se, não basta apenas conhecer os problemas, é necessário agir! Cada um fazendo sua parte, de forma consciente, ajuda a melhorar o ambiente em que todos nós vivemos.

Retrato do mundo

O verdadeiro degradador do planeta deve estar muito satisfeito com as Ongs e os esforços individuais dos ambientalistas titulares de blogs, inclusive comigo que sou ambientalista bloguista. Reconheçamos: somos totalmente inofensivos à estrutura econômica mundial representada pelos seus respectivos governos, compostos por políticos eleitos num faz-de-conta democrático.

Em publicações recentes, diversas Ongs proclamam com orgulho: “Há 30 (ou mais) anos defendendo a Natureza”. Agora digo eu: São inúteis, pois em 30 anos já era para terem mudado o mundo se tivessem capacidade efetiva de atuar em defesa do planeta; se tivessem poder de decisão ou, pelo menos, de aglutinação. O fato é que ficaram esse tempo todo só denunciando a destruição. 90% dos bloguistas também estão no mesmo caminho: denunciam isso e aquilo. Dão conselhos sobre comportamentos ecológicos, como economizar palitos, gastar menos papel, menos água, pedir leis adequadas para crimes ambientais (ora, leis…), sugerir regulamentação de moto-serras, instituição de cotas para fontes poluidoras e outras do mesmo gênero.

Os discursos das autoridades são todos no sentido de pedir aos cidadãos que colaborem individualmente para atuações condizentes com o desenvolvimento sustentável. Uma balela destinada a enganar o povo, como se “desenvolvimento sustentável” existisse. Apenas jogo de palavras. Sem nexo. Um paradoxo formal.

Tudo isso é inútil, inglório e equivocado, quando não de má fé. Desculpem minha franqueza, mas me julgo no direito de dizer o que penso. Em assunto de vida-ou-morte não podemos vacilar. Boi é boi; poluição é envenenamento mesmo.

Se refletirmos bem, notaremos que estamos apenas a 10 metros do precipício e continuamos caminhando no mesmo rumo, o rumo do desenvolvimento, digo, precipício. A degradação do planeta tem sido vista por muitos como enorme, do tamanho de um elefante. Eu lhes digo: não, seu tamanho é o do próprio planeta. É gigantesco. O esforço para a reversão desse rumo também deve ser gigantesco. Como?
Simples: identificada a causa de um efeito, remova-se a causa e não teremos o efeito.

Vou pôr o dedo na ferida e dizer qual é a causa da degradação ambiental: a concepção civilizacional de lucro, do ganha-ganha, da ganância; a arquitetura social fundamentada na economia individualista, e o excesso populacional excessivamente excedido (pleonasmo proposital). Essa adoração religiosa do dinheiro gerou os argentários e tudo o mais. Gerou a invenção do motor, que é um escravo mecânico. Com isso, a força humana de transformação (destruição) ficou multiplicada por 150 como média mundial. Como temos 5 bilhões de habitantes alinhados no esquema econômico (considerados 1,5 bilhão como marginalizados pela miséria), a população potencial teórica de destruição, efetiva, real, é de 75o bilhões. Esclarecido fica que tal abordagem requer a extensão de um livro. Aqui, estamos condensando nossas razões, esperando que os leitores reflitam e deduzam as conclusões.

Entendemos que para a reversão de rumo da atual civilização, o mundo precisa urgentemente de um governo efetivo, forte, soberano, para executar os assuntos que devem ser executados. Vejam: cada família tem seu governo (geralmente o pai), municípios têm seus governos, os estados ou províncias têm seus governos, os países têm seus governos. Até um time de futebol tem um núcleo gerenciador. Uma orquestra tem seu maestro. Todos esses governos, mas todos mesmo, agem em função de seus próprios interesses. O planeta, coitado, não tem um governo para defender suas conveniências. Com isso, ao olharem apenas para seus próprios interesses, todos se banqueteiam com os recursos naturais do planeta, sem dó nem piedade, como se eles fossem inesgotáveis. É preciso ter em mente a lei de Lavoisier: nada se cria; nada se destrói. Tudo se transforma. É lei, lei natural, sem apelação. Isso aí em cima é apenas um toque rápido para apontar o real caminho a ser seguido.

Quanto aos ambientalistas, sugiro que se aglutinem e dêem força a um único canal representativo, e os demais – como eu, por exemplo – encerraríamos nossos blogs. A união faz a força. Podemos e devemos tentar exercer mais influência nos governantes, sob o comando de uma entidade forte de ambientalistas. Entendo que devemos lutar, de imediato, pela criação de um Governo Mundial. É o primeiro e necessário passo para equacionar o problema ambiental, que já não é ambiental, é vital.

Alguém dirá que esse caminho é gigantesco. É sim; do exato tamanho do perigo e urgência de solução. Nem por isso deixaremos de clamar, clamar… Na hora de a “onça beber água”, esse governo único vai ser mesmo formado, por imposição de catástrofes naturais… só que então vai ser muito tarde… Precisamos agir com antecipação; é isso o que a inteligência nos indica.

Sobre

Maurício Gomide83 anos, pensador e escritor ambientalista. Reside atualmente em Belo Horizonte(MG), colaborando em diversos blogs ambientalistas. BLOG: http://planetafala.blogspot.comVer todas as publicações de Maurício Gomide »

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