

sábado, 20 de dezembro de 2008
Categoria(s): Artigos, Desenvolvimento sustentável, Meio Ambiente, Resíduos
|-> Publicado por: Maurício Gomide
Vimos recente reportagem dando conta de que, como reflexo da conscientização dos problemas ambientais, tem havido grande incremento na utilização de sacolas de pano, reutilizáveis e vendidas nos supermercados. Conclui a reportagem que, no Brasil, dessa forma, são retiradas de circulação milhões de sacolas de plástico.
Este é mais um aspecto de divulgação de benefícios e melhorias para o meio ambiente. Tem o mesmo efeito para o meio ambiente que as propagandas de grandes empresas que anunciam suas ações sustentáveis. Mineradoras que extraem o minério de forma sustentável. Bancos que emprestam dinheiro pelo plano sustentável. Inseticidas de ação prolongada e sustentável. Até a Petrobrás retornou sua propaganda, anteriormente proibida por decisão judicial, dizendo-se sustentável. Mais uns meses, os professores de português vão ensinar: “sustentável é um sufixo que pode ser usado indiferentemente após qualquer palavra. Por exemplo: sujeira-sustentável, veneno-sustentável, crime-sustentável, polícia-sustentável, economia-sustentável, lucro-sustentável, desequilíbrio-sustentável”.
Ah! estávamos falando das sacolas sustentáveis. Bem, muita gente vai elogiar os cuidados dos supermercados com a sustentabilidade dos invólucros. E isso reverte em melhorias para a imagem de tais lojas. Acontece que as donas de casa usam as benditas sacolas plásticas para acondicionar o lixo miúdo. Privadas desse utensílio, passarão indubitavelmente a comprar sacolas de plástico em rolo para manter o hábito de aprisionar higienicamente citados lixinhos que toda casa produz. E as donas de casa estarão satisfeitas em adquirir sacolas de pano, porque isso é moda e provoca visibilidade, além de aliviar a consciência ecológica. Ao adquirir as outras para o lixinho, contudo, ignorarão “essas bobagens ambientais”, fazendo de conta que ninguém vai saber disso, porque não abrem mão da cultura arraigada na alma. E o mundo econômico – onde uns têm muito vezes muito e outros não têm nada vezes nada – vai bem, obrigado. E continuará bem até que…
O exemplo das sacolas é apenas mais uma ação hipócrita, cujo objetivo é cegar o povo para não perceber a realidade trágica que se avizinha. Seria o mesmo que tratar um câncer com chá de erva-doce. A civilização atual, assentada em valores econômicos, é indubitavelmente contraproducente. Ela produz veneno mortal que somente pode ser sustado com medidas compatíveis e enérgicas. E não vemos outro meio de produzir antídoto do que a da criação do governo mundial, efetivo, autoritário, que passará a administrar o todo planetário. Para resfriado, chazinho. Para ataque de cascavel, pau na cabeça da cobra.
