

Situação da População Mundial, Edição 2009
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Categoria(s): Artigos
|-> Publicado por: Antonio Radi
Abaixo dou continuidade ao assunto abordado no artigo intitulado Controle Demográfico e Aquecimento, redigido por Maurício Gomide e publicado em 01/12/2009 neste site.
O recém divulgado Relatório sobre a Situação da População Mundial – uma publicação do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) – tem lá os seus méritos. A começar pela abordagem de um assunto que é grande tabu para humanistas e religiosos. . . o pecaminoso Controle Populacional. Teve gente arrepiada por aí? Calma, calma, que a ONU não está sugerindo cirurgias de esterilização em massa não. Muito pelo contrário, o UNFPA considera que o controle governamental sobre o incremento populacional é uma prática antiética, repressora e pouco eficaz. Antes disso, sugere investimentos maciços em educação e planejamento familiar, concedendo ao casal a liberdade de escolher quantos e quando ter filhos. Nesta linha de argumentação, cita o fato de que as taxas de fecundidade de países desenvolvidos são bem menores do que as de países pobres ou em desenvolvimento. Ah, mas deixe-me demorar um pouco mais neste ponto; vocês sabem quais são os países, segundo a ONU, com maiores taxas de fecundidade? E os de menores taxas?
- Os campeões são:
NIGER: 7,07
AFEGANISTÃO: 6,51
TIMOR LESTE: 6,38
SOMÁLIA: 6,35
UGANDA: 6,25
- Entre os menos procriadores estão:
BÓSNIA: 1,21
CORÉIA DO SUL: 1,22
MALTA: 1,25
JAPÃO: 1,26
POLÔNIA: 1,27
Todos, claro, com população em declínio.
A China aparece com uma taxa de fecundidade de 1,77 e a Índia com 2,68. Em 2050 projeta-se que a Índia será o país mais populoso do mundo com mais de 1 bilhão e 600 milhões de habitantes; a China chegará lá com pouco mais de 1 bilhão e 400 milhões.
E o Brasil? Com taxa de fecundidade atual de 1,83, chegará a 2050 com cerca de 218 milhões de habitantes.
Bom, já que estamos falando de estatísticas vamos a mais algumas. O UNFPA faz três projeções para nossos números em 2050, a saber:
VARIANTE BAIXA: beirando os 08 bilhões
VARIANTE MÉDIA: pouco mais de 09 bilhões
VARIANTE ALTA: quase 10 bi e meio
O Relatório lembra, porém, que crescimento populacional não impacta no clima de forma linear. O jornalista Fred Pearce, citado pelo Relatório, escreveu que “o meio bilhão de pessoas mais ricas do mundo é responsável por 50% das emissões de dióxido de carbono. Enquanto isso, os 50% mais pobres são responsáveis por apenas 7% das emissões”.
O UNFA discorre ainda demoradamente sobre os problemas que as mudanças climáticas trarão para a humanidade, em especial para os mais pobres. Não vou aqui abordar este assunto, pois meu artigo ficaria demasiadamente longo e enfadonho; afinal, tenho certeza de que os leitores deste site já estão calvos de saber o tamanho do pepino que nos aguarda em um futuro próximo.
Falemos, então, das soluções propostas pelo Relatório. Ah, sim, claro, as soluções. Em sua parte final, o documento refere-se às mudanças climáticas como algo inevitável e, portanto, menciona palavras elegantes como resiliência, mitigação e adaptação. Cita também o árduo desafio de “prosperar globalmente e, ao mesmo tempo, impedir que as atividades humanas levem a atmosfera e o clima do planeta para fora da faixa de habitabilidade humana.” Hummmm. . . penso que chupar cana e, ao mesmo tempo, tocar corneta seja mais fácil do que isto.
O Relatório pede ainda que os países ricos reduzam suas emissões e auxiliem (com grana e tecnologia) os países pobres a atenuar os impactos das mudanças climáticas sobre suas populações. Hummmm. . . deixa eu ficar quieto se não vão me chamar de agourento.
Pô, Antonio, as soluções dos caras, cadê as soluções dos caras???
Tá bom, tá bom, lá vão elas:
1: Propiciar um melhor entendimento das dinâmicas
populacionais, gênero e saúde reprodutiva para as
discussões sobre mudança do clima e meio ambiente
em todos os níveis
2: Financiar plenamente serviços de planejamento
familiar e suprimentos contraceptivos no contexto da
saúde e dos direitos reprodutivos e assegurar que a
baixa renda não seja um empecilho ao acesso
3: Priorizar a pesquisa e a coleta de dados para
melhorar o entendimento da relação entre gênero e
dinâmica populacional na mitigação e na adaptação
à mudança do clima
4: Melhorar a desagregação dos
dados por sexo relacionados a
fluxos migratórios que são influenciados
por fatores ambientais e
preparar-se desde já para aumentos
de deslocamentos populacionais
decorrentes da mudança do clima
5: Integrar considerações das questões de gênero aos esforços
globais de mitigação e adaptação à mudança do clima
É, são estas cinco aí. . . alguém tem mais alguma solução para propor??

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