Sofrimento de mãe

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Sofrimento de mãe

O amor de mãe supera o amor à própria vida. É quase inexplicável a energia presente no vínculo de uma mulher a seu filho. Torna-se até misterioso esse liame que une causa e efeito, de forma tão forte que a causa-mãe chega ao ponto de se dar em holocausto no esforço de preservação ao efeito-filho. Na Natureza, entre os animais, são comuns esses atos de renúncia suprema. Vimos muitas vezes que, sob ameaça à integridade dos filhos, uma débil geradora ataca furiosamente o forte predador, em qualquer circunstância, mesmo sabendo da possibilidade de seu próprio sacrifício.

Há poucos anos, por ocasião do pavoroso incêndio ocorrido no edifício Joelma, em São Paulo, as lentes dos jornalistas ali presentes tiveram a oportunidade histórica de gravar as ações de desespero, nas alturas, de uma mãe e seu filho de uns 9 anos. Ambos, na fuga desesperada das chamas que queimam e matam, saíram pela janela, num esforço muscular enorme, com o objetivo de entrar na do andar inferior contíguo. Ficou registrado que, durante todo o tempo do transbordo, a mãe protegia o filho para que este não caísse de tal altura, de forma que o guri conseguiu pôr-se a salvo no gradil da janela de baixo. O esforço dessa mãe, frágil de músculos, foi tão grande que as forças lhe faltaram para sustentar-se nas alturas e despencou para o solo. Essa cena tornou-se emblemática para a grandeza do amor materno.

A Natureza ensina: a vivência de uma mãe se destina a garantir a sobrevivência de sua prole. No caso, não nos vamos enredar em considerações biológicas ou filosóficas – ricas nesses aspectos – porque o foco de nosso tema é o meio ambiente, muito mais importante, porque vital, eis que ele engloba todas as referências imagináveis, inclusive aquelas áreas.

O suplício da mãe Terra, neste momento, torna-se triplamente doloroso quando percebe que suas próprias chagas são causadas pelas ações insanas dos filhos humanos. Desgarrados da vivência natural pela ganância e conforto material sem limites, estes são levados à própria extinção, como vêm fazendo com seus irmãos da fauna e flora. Na qualidade de mãe, a Terra sofre por amar sua prole humana e pelo tratamento ingrato e vil recebido. Nesse desespero, pede socorro à consciência dos homens que ainda são capazes de uma visão crítica e depositários de amor filial.

A mãe Terra queixa-se que, não satisfeitos de lhe sugar todo o leite-vida das mamas, extraem-lhe com violência os próprios seios, o ventre e o sangue para transformá-los em metais sonantes, alimentando a volúpia do desenvolvimento econômico até o infinito. Apesar da mãe Terra em chagas e em prantos, seus filhos inteligentes não percebem que tais sofrimentos são por amor a eles, pois que ela, na sua materialidade e destino sideral, após o perecimento da humanidade, continuará viva e renovável nos tempos futuros, tão futuros que não marcam tempo. Ela terá mais de 5 bilhões de anos para se renovar e, talvez, criar outros filhos do modo que melhor lhe convenha.

Sobre

Maurício Gomide83 anos, pensador e escritor ambientalista. Reside atualmente em Belo Horizonte(MG), colaborando em diversos blogs ambientalistas. BLOG: http://planetafala.blogspot.comVer todas as publicações de Maurício Gomide »

  1. Antídio S.P. Teixeira
    Antídio S.P. Teixeiraout 23, 2008

    Respeitável amigo Gomide:
    Em seu apelo em favor da preservação da “Mãe Terra” você usa a única linguagem que pode sensibilizar sentimentalmente a grande massa humana que foi condicionada a reagir diante de crenças infundadas como se fossem verdades. Isso porque as suas mentes foram assentadas sobre bases fantasiosas como dos contos infantis de Grimm, de Lá Fontaine, de Monteiro Lobato e outros populares nos meios rurais antes da chegada da luz elétrica, do rádio e da televisão; pessoas mais velhas no mundo, que não são poucas, tiveram seus escaninhos mentais preenchidos com estórias de lobisomem, mulas sem cabeça, estórias em quadrinhos de super-homem e outros pseudo-s heróis; adão e eva, aparições e outros milagres da religiosidade; engodos que povoam as histórias políticas na história universal e, hoje, jovens que, pelo mesmo processo, foram condicionados a consumir o máximo como forma de serem respeitados socialmente. Todo este lixo obstruindo os corredores intelectuais dificultam a eles, uma visão ampla da gravidade ambiental que põe em risco a sobrevivência da humanidade. Se quiserem entender o como e o porquê das causas da degradação social, econômica e ambiental, necessitarão realizar um grande esforço mental como se tivessem que galgar uma elevada montanha para de lá contemplar um horizonte mais vasto. Como sabemos que raros serão os dispostos a realizar tal proeza, vamos sintetizar o que podem fazer os nossos leitores para frear um pouco a degradação ambiental na superfície da “Mãe Terra”: 1º) – Aceitem racionalmente que tudo que existe no Universo, conseqüentemente na Terra, é energia nas mais diversas formas de apresentação concentrações e velocidades, em constantes transformações: em repouso, (materializada em potencial), em calor, eletricidade e em movimento. Todas elas são conversíveis umas em outras. 2º ) – Tudo que consumimos ou nos utilizamos foi fabricado com o esforço de diversas formas de energia local ou de diversas parte do mundo, envolvendo conservação, condicionamento, transporte, e no caso de máquinas e veículos, ainda consumimos algumas formas de energia para seu funcionamento. 3º) – O potencial de energia limpa (hidráulica, eólia, marés, geotérmicas, etc.), mais as renováveis (com base agroflorestal), se todas elas forem aproveitadas, não atenderão, sequer, a 70% das necessidades de consumo aos quais a humanidade foi condicionada a depender. A maior parte delas para satisfazer às necessidades mais elementares da sobrevivência; e outra parte menor, para satisfazer necessidades artificiais implantadas em suas consciências pela mídia. Como atualmente, a liberação de energia calorífica para fundir metais, impulsionar veículos terrestres, navais e aéreos, e para gerar eletricidade é realizada com combustíveis fósseis, cujos gases emanados não são recicláveis, ou por desintegração nuclear, cujos resíduos radiativos nocivos ao meio ambiente são cumulativos, e ainda não se tem destino para eles, tudo que podemos fazer para reequilibrar o meio ambiente é economizar tudo que for essencial à vida e eliminar o consumo e o uso de tudo que for supérfluo. Afinal, tudo depende de energia e, na situação atual, tudo que consumimos e/ou usamos, polui até no descarte final. Milagres só existiram quando a energia era abundante na superfície da “Mãe Terra”.
    Aquele abraço,
    Antídio

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