Uma visão da crise econômica

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Uma visão da crise econômica

Nesses últimos dias, temos tido conhecimento do pânico global dos encarregados de manter a lona do circo econômico em pé. Essa situação de derrapagem, em que as bolsas de valores mostram índices negativos, isto é, perda de dinheiro por parte dos investidores, indica apenas a conseqüência de atitudes irracionais e maléficas. É uma espécie de estado febril do mundo materialista, indicando que o conjunto estrutural, com base exclusiva em objetivos de lucro, não se sustenta por incompatibilidade de meios e objetivos.
Tal situação não é de alarmar. Afinal, só perde quem tem sobrando. Perde também quem não tem dinheiro, mas tem ambição de sobra. É sempre sobra; raramente afeta quem tem apenas o essencial.
Isso tudo começou quando, na ânsia desmedida e irresponsável de apossamento de bens, – dos que existiam e dos que não existiam – indivíduos inventaram de sacar sobre o futuro. Para ganhar mais, é claro. Crédito significa confiança; confiança no futuro. O crédito é altamente prejudicial para o sadio andamento dos meios de troca, o dinheiro, quando este é representativo de bens existentes. Por quê? Simplesmente porque antecipa para hoje o valor de bens que ainda vão ser produzidos, aí incluídos os essenciais (poucos) e os supérfluos (muitos). Em palavras simples: é um roubo ao futuro. O sistema mundial funciona nessa base. Significa, na prática, diminuir as possibilidades do futuro (meio ambiente) em benefício da realização agora de lucros. Na verdade, isso tudo advém da adoração irracional, sob estado compulsivo, do deus dinheiro.
Vejam só a mentalidade deformada dos homens que governam o mundo. Em comentários recentes, informaram os economistas de governo que, ante o horizonte global recessivo, o PIB (ah, PIB!) médio geral para 2009 previsto em 5% deverá ser recalculado para “apenas” 2%. Em outras palavras, o punhal da ganância rumo ao coração do meio ambiente deverá ser empurrado “apenas” 2%.
Mas há um consolo. E importante. A roda produtiva de bens não essenciais (lixo) gira agora com menos velocidade. O ideal, seria que ela parasse por longo tempo. Com o funcionamento lento da máquina econômica, produzem-se menos bens de consumo espoliativo. O planeta, ainda não agonizante, terá pelo menos 3% de tempo para um suspiro. É um bem maior que o dinheiro todo do mundo, pois é um bem à Vida.

Sobre

Maurício Gomide

83 anos, pensador e escritor ambientalista. Reside atualmente em Belo Horizonte(MG), colaborando em diversos blogs ambientalistas.
BLOG: http://planetafala.blogspot.com

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  1. Antídio S.P. Teixeira
    Antídio S.P. Teixeiraout 30, 2008

    Caríssimo Gomide:
    Como temos dito, a humanidade foi toda condicionada a
    pensar sobre os efeitos dos fenômenos sentidos, como forma acelerar suas
    conclusões, com total desconhecimento das causas que lhes deram origem.
    Por esta razão, alguns escritores procuram escrever contos com ambientes
    e personagens mais familiarizados para compará-los com os fenômenos
    analizados. As bolsas não são mais do que cassino oficializados o que
    caracteriza o capitalismo. É utilizado o mesmo mecanismo das loterias. Em
    nome de prestar algum benefício social, induz-se os incautos a ariscarem seus
    patrimônios reais para obterem maiores lucros fáceis sem acréssimo de
    produção. “Quando se entra num cassino, transfere-se para o banqueiro
    valores que representam bens reais, para ele, em troca de fichas de valores
    virtuais e de difícil retorno. Quando jogamos nas bolsas, entregamos aos
    especuladores, nossas ações, que representam frações patrimoniais de
    empresas que produzem e geram lucros reais. Com promessas de lucros extras
    eles vão tentar ludibriar outros acionistas incautos e lhes usurpar os valores
    reais de seus bens para dividir os resultados, o que é desonesto. Quando não
    conseguem sucesso, é o investidor quem paga as despesas da aventura. Os
    especuladores nunca perdem. Posisso, são riquíssimos. Tudo isso ocorre
    respaldado em leis imorais forjadas sob os auspícios dos dirigentes do mundo,
    para satisfazer a interesses dos poderes econômicos. INVESTIR EM AÇÕES,
    SIM, ARRISCAR AÇÕES EM BOLSAS é é jogo de azar e atestado de
    incapacidade racional.

  2. mgomide4
    mgomide4out 30, 2008

    Caro Antídio, grato pela atenção de seu comentário.
    Suas ponderações são compatíveis com a realidade existente no mundo de negócios. A literatura corporativista e os próprios dicionários definem o capitalismo como uma forma SOCIAL sob o MANDO do capital, orientada para os interesses individuais. Deduz-se que, em qualquer circunstância, o ato de capitalizar, isto é, acumular riqueza em benefício próprio, vem em primeiro lugar. Num exame mais acurado de tal sistema, tendo presente a história das civilizações, verifica-se que esse procedimento passou de consciente para inconsciente e dai sedimentou-se como senso cultural. É lógico, dentro desse contexto, o individuo cercar-se de todos (em quantidade máxima possível) os meios materiais indispensáveis para as seguintes necessidades básicas: segurança para si e seus familiares; educação para os filhos; garantia de assistência médica; amparo na velhice; habitação condigna; código social universal; e outras que possam ser classificadas como de necessidade pública. Como está arraigada na cultura e como fazem EU, TU, ELE, NÓS, VÓS, ELES. Se o governo garantir todas essas condições básicas, eu não preciso me entesourar, porque o meu entesouramento prejudica aos outros. Conclusão: o capitalismo advém de uma óptica essencialmente individual. “Eu tenho é que ter; não importando o meio. Os outros é que se virem”. Quer dizer: pobreza, miséria, desamparo, etc. são consequências NATURAIS do sistema capitalista e são justificados pelos abastados, tanto sob o ponto de vista político como religioso. Nosso comentário tendeu para o enfoque social, sob uma visão filosófica. Mas isso não é o importante no momento histórico em que nos encontramos. O meio ambiente abarca todas as considerações possíveis; que é o assunto maior. Porque é básico, essencial, vital. Finalmente, uma última observação: esse abalo financeiro e econômico atual é simplesmente uma pequeníssima fração de microscópica amostra do que nos espera mais adiante, quando o hábitat começar a produzir os seus estertores ambientais diretamente nas funções econômicas, com consequências profundas na estrutura social.

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