Vergonha do mundo

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Vergonha do mundo

A menina canadense Serven Suzuki, que em 1992 tinha 12 anos, proferiu um discurso no plenário da Eco Rio 92 que, sob um raciocínio impecável, ficou famoso pelo caráter acusatório contra os governantes mundiais, ditos adultos responsáveis. Entendemos que se 99% dos leitores desta página já tiverem conhecimento desse tumular pronunciamento, apresentado em vídeo anexo, ainda ficaremos satisfeitos por divulgá-lo para apenas 1%, tal o valor desse documento que deveria ser objeto de ensinamento por todos os professores do mundo. No Brasil, deveria ser repetido na mídia pelo menos por 20 dias seguidos. Não estranhem a dimensão citada, pois é comum um simples caso criminoso ser transformado em sensacionalismo barato e explorado pela mídia brasileira à exaustão, por mais de 30 dias, como temos visto ultimamente. Casos Isabella e Eloá, por exemplo.


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O discurso da menina Serven foi feito há 16 anos. Ela disse tudo o que poderia ter dito. Foi dirigido aos representantes de 139 países. E tais governos não tomaram qualquer providência. Nem poderiam. Por quê? Porque o problema é de âmbito mundial, abarca todo o planeta, e – pensem bem – se um deles tomasse alguma medida efetiva, isso ficaria contido em suas fronteiras e seria inócua. Seria o mesmo que se isolar do resto do mundo. Comparemos: em um corpo humano, a recusa de um dedo do pé (país pequeno) ou mesmo de um braço inteiro (um país grande) em movimentar-se, não afetaria uma ação interessada do corpo. Além disso, seria preciso considerar-se que tal país deveria ter um governo soberano, o que na realidade não ocorre, porque todos os governos, em tese, são representantes do seu arcabouço econômico, verdadeiros gestores de um país, pois os atos de governo são executados em função desses interesses. Vejam-se os exemplos pelo mundo afora, inclusive no Brasil, quando os cofres públicos são abertos às escâncaras para amparar e proteger as corporações. Presentemente, estamos assistindo à estatização da circulação financeira, movimento que leva o sistema capitalista a cometer o maior dos “pecados” do socialismo: o dirigismo do mercado pelo governo.

Tudo o que ela disse é verdade, realidade, evidência. E daí? Como não valeu nada para quem tem autoridade governamental, a nossa conclusão só pode ser a descrita. Se em 16 anos nada foi feito, se em quase 2 anos após o célebre e contundente relatório do IPCC também nada de relevante foi providenciado, é só fazer-se a projeção lógica para se chegar à beira do precipício. Além disso, o raciocínio indica perfeitamente que só há um caminho para iniciar a etapa de reversão: a instituição de um governo mundial. Figurativamente, a solução é colocar uma cabeça no corpo para que ela possa comandar os interesses de todo o corpo. Todos os seres vivos têm uma cabeça ou um centro de comando. O planeta vivo (Gaia) é a única entidade que não o tem. Os fatos concretos, visíveis, reais, estão aí nos indicando esse único caminho. Não vemos outro. Se há, que nos apontem qual seria.

Precisamos é de ação. Infelizmente ações não estão em nossa possibilidade, pois nem ministro de governo nós somos. E nem seríamos, pois as forças econômicas não o deixariam. Temos mesmo é que gritar nossos argumentos, clamar, clamar, juntando a voz de todos os ambientalistas, para que sejamos ouvidos.

Sobre

Maurício Gomide

83 anos, pensador e escritor ambientalista. Reside atualmente em Belo Horizonte(MG), colaborando em diversos blogs ambientalistas.
BLOG: http://planetafala.blogspot.com

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