

quinta-feira, 02 de junho de 2011
Categoria(s): Artigos, NotÃÂcias
|-> Publicado por: MaurÃcio Gomide
< ?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />
Já tivemos
o PerÃodo Jurássico, a Era Glacial, o Século de Péricles, a
Época Medieval, a
Dinastia CarolÃngia, a moda do chapéu; agora estamos
nos tempos modernos: a Era
dos Assaltos.
Essa ação
violenta sempre existiu nas relações informais dos
humanos, mas
atualmente alastrou-se potencialmente, institucionalizando-
se no paÃs, naturalmente com o beneplácito dos
governos. A criatividade
dos valentes partidários da força bruta chega ao ponto
de, aparentemente,
inverter o objetivo da ação, oferecendo vantagens e
benefÃcios à s vÃtimas,
numa demonstração eloqüente da eficiência da psicologia
aplicada,
manipulada para fins de enriquecimento.
Num dia da
semana passada, fui assaltado. Estava
andando
tranqüilamente no centro da cidade, quando se aproximou um
cidadão
muito bem vestido, bem penteado, usando terno com talho de última
moda,
gravata de seda, sapatos bico fino e bem engraxados, numa
aparência geral de
figurino de revista ou manequim de loja. Abordou-me,
pedindo licença para me falar,
empregando palavras polidas e com
entonação educada. Manifestou-se mais ou
menos assim:
—
Cavalheiro, permita-me merecer sua atenção por um momentinho.
Você não está
vendo, mas estou lhe apontando uma arma engatilhada,
como pode concluir pela
posição da minha mão no bolso do paletó. Peço
apenas que não se assuste,
mantenha a calma e controle, que tudo ficará
bem para você. Tenho uma ótima proposta
a lhe fazer. É meu desejo que
me passe todo o dinheiro, créditos a receber,
direitos, documentos,
relógio, anéis e demais bens que estejam em seu poder.
Além desses
bens, você possui outro muito valioso, mas que para mim não vale
nada:
sua vida. Ela está pendente apenas pela mola que aciona o cão de minha
arma. Preste bastante atenção, que lhe vou fazer uma proposta muito
atrativa.
Com um simples pagamento de R$10,00, de livre e espontânea
vontade, você fica
inteiramente desobrigado deste e de qualquer outro
assalto de minha parte.
Quero realçar que a vantagem para o cavalheiro é
muito grande, pois fará uma
grande economia e terá, inteiramente grátis,
um seguro de vida garantido pela
minha pistola.
Paguei,
fiquei muito satisfeito, fiz um grande negócio, continuo vivo e
livre para
registrar fatos da Era dos Assaltos.
Mas
não relatei os pormenores do acontecido. Naqueles momentos de
aflição tive uns
instantes de reflexão e mantive diálogo com o personagem.
Perguntei por que não
tinha rosto.
— Não
tenho individualidade; estou aqui agora, mas posso estar em
qualquer lugar ao
mesmo tempo. Possuo milhares de réplicas no paÃs à s
quais o povo ingênuo chama
de agência.
Desconfiado,
quis saber seu nome.
— Meu nome
é genérico. Todos me conhecem, mas ninguém me
conhece. O povo me chama de Banco,
mas não sou banco. Sou um
assaltante moderno. Até breve!
Aliás,
mudando de assunto, ultimamente os Bancos estão oferecendo
uma grande vantagem
aos seus usuários. Com uma simples contribuição
fixa mensal – digamos de
R$10,00 – desobrigam-nos do pagamento
daquele rosário de tarifas que o Banco Central autorizou.
É aquela velha
questão:
— Você quer perder uma mão para não perder o braço?
— Quero sim, senhor!

Votar:
