A polêmica transposição do Rio São Francisco

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A polêmica transposição do Rio São Francisco

Movimentos sociais pedem diálogo sobre transposição do Rio São Francisco

Clara Mousinho
Da Agência Brasil

Cerca de dez caravanas de vários estados chegam hoje (18) a Brasília para um protesto contra a transposição do Rio São Francisco.

São integrantes de 30 movimentos sociais que apóiam a greve de fome de dom Luiz Flávio Cappio, que chega ao 22º dia. O religioso pede a suspensão das obras no rio.

O padre Antônio Pereira, pároco da Catedral da Barra (BA), cidade da arquidiocese de dom Cappio, disse que a manifestação visa a sensibilizar o governo sobre a necessidade de um diálogo com a sociedade.

“Dom Cappio fez o seu primeiro jejum [em 2005] e foi feito um acordo de abrir um amplo diálogo com a sociedade civil. Isso foi negado. Diante disso, ele retomou o jejum em oração e está disposto a doar sua vida pela causa do Rio São Francisco e a vida do povo ribeirinho, que depende dele para a sobrevivência.”

A integrante da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Marina dos Santos também pede a abertura de um diálogo entre governo e movimentos sociais.

“São questões defendidas pelos movimentos sociais e organizações de trabalhadores e estão encampados nesse jejum feito simbolicamente por dom Cappio, no sentido de que também a população possa discutir e o governo possa abrir um espaço de diálogo com a sociedade. Esse processo nos foi negado desde o princípio da transposição do Rio São Francisco.”

O padre Antônio Pereira afirmou também que rio está morrendo e que, por isso, as obras devem ser suspensas. “Para nós, a transposição é um sinal de morte, porque o rio está anêmico. Dom Luiz Cappio costuma dizer que um anêmico não pode doar sangue. Nós que moramos na beira do São Francisco percebemos que o rio está morrendo aos poucos.”

O movimentos sociais defendem a revitalização do Rio São Francisco com a construção de poços artesianos, cisternas e captação de água da chuva.

O protesto dura até amanhã (19), quando o Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar o pedido de agravo do procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, que pede a suspensão das obras de transposição do Rio São Francisco.

 

Cappio e movimentos reivindicam transposição suspensa para encerrar protesto

Ana Luiza Zenker
Repórter da Agência Brasil

A continuidade da suspensão das obras de transposição no Rio São Francisco é o primeiro dos oito pontos da proposta elaborada pelo bispo Luiz Flávio Cappio e pelos movimentos sociais contrários ao projeto, que deve ser apresentada hoje à Presidência da República. A plataforma foi apresentada há pouco em entrevista coletiva.

A suspensão é apresentada como condição fundamental para que o bispo de Barra (BA) interrompa a greve de fome, iniciada há 22 dias. A reivindicação inclui a retirada das tropas do Exército que estão na região para as obras.

A reunião está marcada para as 20 horas na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Os representantes da entidade católica e dos movimentos devem se reunir com o chefe-de-gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho.

Os manifestantes também pedem a implementação das obras previstas no Atlas Nordeste – Abastecimento Urbano de Água, elaborado pela Agência Nacional de Águas (ANA). Além disso, reivindicam a elaboração e a concretização de projetos revitalizar a Bacia do São Francisco e três outras – Jaguaribe, no Ceará, Piranhas-Açu, na Paraíba e no Rio Grande do Norte, e Parnaíba, no Piauí e no Maranhão -, bem como os rios temporários do Semi-Árido.

A principal crítica dos movimentos é que cerca de 70% do volume desviado de água deve se destinar a irrigação de grandes plantações e a criações de camarão. Segundo eles, o uso para o abastecimento da população responderá por 4% do total.

O governo afirma que a prioridade é o abastecimento humano, e que somente garantido este os estados poderão usar água para outras finalidades.

Dom Cappio e os movimentos sociais também querem que a União apóie a introdução, ampliação e difusão de tecnologias para a captação, armazenamento e manejo de água, para o abastecimento humano e a produção agropecuária das comunidades do semi-árido.

A revitalização do São Francisco contemplaria também a preservação do Cerrado e da Caatinga, com suporte orçamentário do Fundo de Revitalização do Rio São Francisco, “conforme a PEC [proposta de emenda constitucional] a ser aprovada imediatamente no Congresso Nacional”, diz o documento da proposta.

Por fim, a proposta pede apoio técnico-político para o Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco para elaborar o Pacto de Gestão das Águas do São Francisco, atendendo a demandas de abastecimento humano e animal, e também que a União coordene a elaboração e implementação de um Plano de Desenvolvimento Sustentável para o semi-árido brasileiro.

 

Movimentos sociais dizem que transposição prioriza grandes negócios

Ana Luiza Zenker
Repórter da Agência Brasil

A água que será desviada do Rio São Francisco com a transposição não vai ter uso social, mas vai ser destinada a irrigar as grandes plantações e abastecer a criação de camarão e a mineração.

É o que afirmam representantes dos movimentos sociais reunidos desde ontem (17) na Praça dos Três Poderes, em Brasília, em apoio ao jejum do bispo de Barra (BA), dom Luiz Cappio, e contra o projeto de transposição do Rio São Francisco.

“É um projeto em que as informações têm sido constantemente manipuladas, não são verdadeiras e a gente sabe disso, os fins não são matar a sede do povo nordestino, tem fins industriais, que estão expostos no projeto, não é só aqui, um bando de movimentos sociais tachados de loucos que estão falando isso, está no projeto de transposição e o governo não tem coragem de trazer isso à tona”, afirmou a representante da Associação dos Advogados dos Trabalhadores Rurais, Juliana Barros, durante coletiva.

De acordo com números apresentados pelos movimentos sociais, cerca de 70% da água transposta vai ser destinada para as grandes lavouras e para a criação de camarão, 26% vai para cidades e indústrias, mais especificamente projetos de mineração, e 4% vai ser usada para abastecimento da população.

“Nós temos exemplos vários de pessoas que moram à beira do Rio São Francisco, a cinco, dez quilômetros e não têm acesso à água, então a gente tem consciência, tem certeza de que a água que está sendo transposta do Rio São Francisco não é para atender as populações que necessitam, mas para servir ao hidronegócio, ao agronegócio e ao capital estrangeiro”, disse João dos Santos, integrante da Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais e Quilombolas.

Para a atriz e integrante da organização Humanos Direitos, Letícia Sabatella, falta informação e esclarecimento da população sobre o projeto da transposição das águas do rio. “A gente só ouve falar nela como a única solução, mas é importante que se faça saber para a população, e isso é o que foi pedido por Dom Cappio no primeiro jejum e que não aconteceu, que existem propostas alternativas para o Semi-Árido, mais baratas, viáveis, que realmente são voltadas para tornar sustentável o Semi-Árido, auto-sustentável a região”, afirmou.

Representantes de movimentos sociais estão em vigília na Praça dos Três Poderes desde ontem (17), em apoio à greve de fome de dom Cappio, que chegou ao seu 22º dia.

Em reunião que será realizada hoje (18) entre a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Presidência da República, os representantes dos movimentos sociais irão apresentar uma proposta elaborada pelo bispo da Bahia. A principal reivindicação é a suspensão das obras e a retirada das tropas do Exército da região.

Agência Brasil

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Especial – Transposição do Rio São Francisco

Sobre

Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

  1. Nathalia gotuzzo
    Nathalia gotuzzojul 14, 2008

    Seria mto melhor as pessoas botarem algo que ñ iludisse as pesoas mas sim que mostrasse a realidade do que é esse projeto do Rio São Francisco! eu cinceramente ñ achei nada do que mi enteressava aqui!! eu queria mto que vcs botassem mais detalhadamente as vantagens e as desvantagens desse projeto!! ok mto obrigado

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