Alterações na alimentação de bovinos é estudada para reduzir emissão de metano

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Alterações na alimentação de bovinos é estudada para reduzir emissão de metano

Países como o Brasil em que há grande produção de carne bovina, ou outros animais classificados como ruminantes que são mamíferos herbívoros, poligástricos, ou seja, tem o estômago dividido em quatro partes, às vezes em três, e ruminam a comida, ou seja, voltam o alimento à boca para ser novamente mastigado, representam 25% das emissões de metano (CH4) produzidas pelas atividades humanas, incluindo a pecuária, já que uma vaca pode produzir diariamente entre 100 e 200 litros de metano, e este gás intensifica o efeito estufa e é 21 vezes mais potente que o dióxido de carbono.

Em outras palavras, embora o metano seja emitido em proporções bem menores que o CO2 (gás carbônico ou dióxido de carbono), como tem o poder de intensificar o efeito estufa 21 vezes mais que o carbono então, o efeito de todo o metano na atmosfera para aquecer o planeta é aproximadamente um quarto do gás carbônico. Isso deve ser levado em conta e por isso o gás carbônico é o principal gás causador do efeito estufa globalmente.

PecuáriaEste tema vem ganhando discussão e radicais colocam como solução proibir o comércio de carne de animais, evitando desta maneira entre outros problemas, a elevada emissão de metano. Porém, na atual sociedade isto é completamente inviável, sendo possível talvez até reduzir o consumo, mas não proibir, ainda mais para o povo brasileiro que não dispensa o tradicional churrasco de final de semana e a constante utilização de carnes em pratos diários.

Por isso, uma solução bem mais coerente foi apresentada por especialistas do Instituto de Pesquisas Ambientais de Aberystwyth (Gales, Reino Unido) que acreditam ser possível reduzir os gases que os animais emitem realizando modificações na alimentação dos mesmos. Dessa maneira, os cientistas britânicos querem mudar a dieta desses animais para fazer com que seja mais bem digerida, em benefício da mudança climática, fazendo com que produzam menos metano.

De acordo com o especialista Mike Abberton, cultivar variedades de pasto que tenham maiores níveis de açúcar é uma alternativa que pode fazer os pecuaristas ajudar a combater a mudança climática. Esta modificação faz com que altere a forma como as bactérias nos estômagos dos animais transformam o alimento ingerido em gás que depois soltam para a atmosfera.

Para realização do estudo, os especialistas colocaram animais em estufas trancadas onde verificam alterações do ar através de espectrômetros antes e depois de ingerirem a grama.

Foi declarado um novo projeto para realização de novas pesquisas pelas universidades de Gales e Reading para tentar aprimorar o processo, de forma que não afetem a saúde dos animais e reduza maiores quantidades possíveis a emissão de metano oriunda de animais ruminantes.

Na Nova Zelândia, um projeto semelhante realizado informa que alterações na base da alimentação de ovelhas podem reduzir suas emissões de metano em até 50%. Talvez seja difícil obter uma redução tão grande na prática, mas mesmo sendo menor, ainda assim seria significativa e importante já que há uma grande produção mundial para atender a demanda do comércio de carnes desses animais.

Os pesquisadores prevêem que uma das dificuldades será convencer os criadores de gado das vantagens adicionais que pode ter a introdução de novos tipos de pasto para que aceitem as despesas suplementares acarretadas pela alteração da dieta dos animais.

Com o cultivo de determinadas leguminosas para alimentação de animais, além de reduzir a produção de metano tornando a digestão mais completa, ajuda também a melhorar os níveis de nitrogênio do solo já que são plantas que desenvolvem de forma natural, bactérias e fungos que fixam o nitrogênio da atmosfera. Com o nitrogênio no solo, que é posteriormente transformado em amoníaco é absorvido pelas plantas. Nas plantas o amoníaco é reduzido por enzimas a nitrito e em seguida nitrato que é posteriormente utilizado pela planta para formar o grupo amino dos aminoácidos das proteínas que, finalmente, é incorporado pelos animais que se alimentam desses vegetais. Este processo que ocorre, denominado de ciclo do nitrogênio, é de crucial importância, pois o nitrogênio é o componente essencial dos aminoácidos e dos ácidos nucléicos, vitais para os seres vivos que não o absorvem diretamente do ar.

No caso de vacas leiteiras, outra idéia para reduzir a emissão de metano é planejar o mesmo tipo de alimentação que além de reduzir suas emissões de metano aumente sua longevidade, ou seja, vivendo maior tempo e mantendo sua taxa de produção de leite, pois com isso, produziria a mesma quantidade de leite, mas com um número menor de animais.

A genética também poderá influenciar neste tema, já que os especialistas do Ministério de Alimentação e Assuntos Rurais da Grã-Bretanha analisam a possibilidade de reduzir o metano gerado pelo gado através de modificações de engenharia genética no sistema digestivo dos animais, mas isso a mais longo prazo.

Os cientistas britânicos não são os únicos preocupados com este problema. Especialistas da universidade alemã de Hohenheim, em Stuttgart, anunciaram este ano que tinham desenvolvido uma pílula que reduz as emissões de metano do gado, convertendo o gás em glicose com a ajuda de uma dieta especial.

Sem dúvida, o mais importante é não afetar os animais, de modo que continuem produzindo as mesmas quantidades de carne mantendo seu mesmo tamanho e também com a mesma qualidade, que esta produção não fique mais cara, para isso a substituição da base alimentar desses animais deve ser um processo viável ou ainda que traga custos que compensem na quantidade ou qualidade da produção e sem prejudicar o meio ambiente, diminuindo as emissões de metano.

Sobre

Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

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