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Amazônia deve continuar sendo o foco para o Ministério do Meio Ambiente

Quarta-feira, 14 de Maio de 2008
Categoria(s): Biodiversidade, Florestal, Meio Ambiente, Notí­cias, Preservação
|-> Publicado por: Maurí­cio Machado

Chanceler alemã manifesta preocupação com expansão da soja na Amazônia

Mylena Fiori
Repórter da Agência Brasil

A Alemanha está preocupada com a expansão da produção de soja na Amazônia e o conseqüente desmatamento da região. O temor foi manifestado hoje (14) pela chanceler alemã, Angela Merkel. “Temos estatísticas que nos deixam preocupados com relação o desmatamento. Há uma substituição de floresta por plantação de soja”, disse a chefe de governo alemã em entrevista coletiva, após encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Um dos acordos assinados pelos dois países durante a visita foi justamente para cooperação financeira para preservação da Amazônia. A Alemanha anunciou um financiamento de 40 milhões de euros, no Brasil, para um projeto de cooperação na área de combate à Aids e três iniciativas na região amazônica: manejo florestal sustentável, Fundo para Áreas Protegidas e Projeto Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa) 2.

Perguntado pela imprensa alemã se o Brasil está disposto a discutir internacionalmente a preservação da Amazônia, Lula se disse aberto ao debate, mas deixou claro que não abrirá mão da soberania do país: “A Amazônia é de fato e de direito de inteira responsabilidade da soberania nacional”. O presidente defendeu projetos voltados à sustentabilidade da região e à melhoria das condições de vida da população local.

“Poderemos repartir os benefícios que a floresta pode oferecer tendo como contrapartida políticas que incentivem um programa como o que lançamos, de desenvolvimento sustentável para a Amazônia, cuidando corretamente do manejo da floresta mas criando as condições para que o povo da Amazônia seja tratado como cidadãos de primeira categoria”, afirmou.

Em seu discurso, um pouco antes, Lula garantiu que o Brasil está fazendo a lição de casa. “A preservação da Amazônia é uma legítima preocupação da comunidade internacional. Posso assegurar-lhe, no entanto, que a ninguém essa questão é mais cara do que a nós, brasileiros, e especialmente àqueles 25 milhões que vivem e trabalham na Amazônia”, falou dirigindo-se à Angela Merkel, que foi ministra de Meio Ambiente da Alemanha na década passada.

Lula também citou números. De acordo com o presidente, entre 2004 e 2007, o Brasil criou quase metade do total das áreas protegidas do mundo e reduziu o desmatamento em 59%. “Não basta aumentar a fiscalização e reprimir os crimes ambientais”, ressaltou o presidente.

 

Problemas ambientais urbanos devem ganhar mais espaço no ministério, diz WWF

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

A experiência do novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, à frente da secretária estadual do Ambiente do Rio de Janeiro, “estado que tem problemas ambientais urbanos muito sérios” pode se refletir na definição das prioridades da nova gestão e incluir os desafios ambientais das grandes cidades na pauta central do ministério, na avaliação da secretária-geral do WWF Brasil, Denise Hamú.

Minc foi confirmado hoje (14) como novo ministro da pasta, depois do pedido de demissão de Marina Silva.

“O nome é muito bem recebido pelo WWF Brasil, Minc é uma pessoa respeitadíssima, tem lidado com essa agenda de questões urbanas e meio ambiente como poucos secretários [estaduais]. Ele pode dar um equilíbrio, trazer esse lado urbano mais para o centro da agenda, muito embora ele tenha desafios enormes como o desmatamento da Amazônia e as questões do agronegócio e do avanço da fronteira agrícola”, listou Hamú em entrevista à Agência Brasil.

Em relação ao trânsito do novo ministro com setores como o de produção de soja, Hamú acredita que Minc tem “boas credenciais” para dialogar e alcançar bons resultados.

“Sempre vai haver uma tensão natural de interesses, de modus operandi, mas acredito que ele já demonstrou ser um hábil negociador. E acho que é pré-requisito para qualquer pessoa que venha trabalhar na área ambiental uma disposição para o diálogo, com todos os setores da sociedade”, apontou.

 

Principal desafio no MMA vai continuar sendo a Amazônia, avalia instituto

Ana Luiza Zenker
Repórter da Agência Brasil

A Amazônia deve continuar sendo um dos maiores desafios para a pasta do Meio Ambiente que terá Carlos Minc - atualmente secretário do Ambiente do Rio de Janeiro - como ministro. Na opinião do pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Adalberto Veríssimo, apesar de ser respeitado como defensor do meio ambiente e da sustentabilidade e de ter feito um bom trabalho no estado do Rio de Janeiro, Minc não está envolvido ou pelo menos acompanhando de perto a questão amazônica, o que pode dificultar o seu trabalho.

“Ele vai pegar o tema da Amazônia, que é um desafio enorme e em que a ministra Marina [Silva], que era uma pessoa da região e tinha todo o lastro de apoio, teve dificuldade, então eu imagino que vai ser uma gestão muito desafiadora para Carlos Minc”, afirmou Veríssimo, em entrevista à Agência Brasil.

No entanto, mais do que o nome de quem vai assumir o Ministério do Meio Ambiente (MMA) no lugar de Marina Silva, que pediu demissão ontem (13), Adalberto Veríssimo acredita que o desafio será o de colocar a Amazônia e o meio ambiente, de forma geral, como uma prioridade dentro do governo federal.

“Esse é o desafio do Carlos Minc: tornar esse desafio prioridade para o presidente Lula [Luiz Inácio Lula da Silva], para o núcleo duro do governo, que realmente entenda que a Amazônia precisa encontrar uma solução econômica, uma maneira de desenvolver uma economia com base na floresta, que seja o contraponto ao desmatamento crescente que a região vem enfrentando”, disse.

O pesquisador acredita que, assim como Marina, Carlos Minc também deve encontrar muita resistência dentro do governo para conseguir resolver o problema do desmatamento e do crescimento sustentável da Região Norte do país. “Se ele realmente assumir a bandeira que se espera, de forma veemente, vai encontrar muita resistência, do Ministério da Agricultura, da Casa Civil, do Ministério de Minas e Energia”, argumentou Veríssimo.

“Vamos torcer para que Minc consiga esse apoio político, a ministra saiu porque não o estava encontrando, e que ele consiga montar uma equipe dentro do ministério de gente que conhece a Amazônia, que sabe lidar com a Amazônia, o que também não vai ser fácil, porque muita gente, que estava na equipe da Marina, está saindo”, disse o pesquisador.

Agência Brasil



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