Análise do encontro realizado por Bush referente ao clima

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Análise do encontro realizado por Bush referente ao clima

Para Greenpeace, Bush tenta bloquear debate sobre mudanças climáticas

Juliana Cézar Nunes
Enviada especial

Organizações da sociedade civil fazem esta semana em Washington uma série de atos contra a política ambiental norte-americana e o Encontro das Maiores Economias sobre Segurança Energética e Mudança Climática, evento promovido pela Casa Branca entre ontem e hoje (28).

Os protestos se concentram na porta do Departamento de Estado, sede do encontro. Para evitar a entrada no prédio, a polícia foi acionada e chegou a retirar ativistas a força do local.

Com faixas e cartazes, os manifestantes dizem que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, está levando o debate sobre mudanças climáticas para o caminho errado. Além disso, pedem o cumprimento do Protocolo de Quioto e metas para a redução nas emissões de gases apontados como causadores do efeito estufa.

“Bush fala pós-Quioto como se o protocolo ainda não estivesse em vigor. Não há como esse encontro resultar em soluções. É uma forma de bloquear o debate”, classifica o diretor-executivo do Greenpeace nos Estados Unidos, John Passacontanda.

Para o diretor do Conselho Norte-Americano de Emergências Climáticas, Gordan Clark, o encontro em Washington é uma “farsa” que pode prejudicar as negociações no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Esse consenso que os países mais ricos acham que podem construir aqui não leva em conta uma série de fatores relacionados aos países mais pobres e que só se tornam evidentes na ONU”, avalia o diretor da ONG.

Até hoje, os EUA não ratificaram o Protocolo de Quioto, que já foi assinado por mais de 170 países e estabelece aos países desenvolvidos metas de redução de emissão de gases poluentes a partir de 2008.

Para embaixador, falta “substância” em encontro de Bush sobre mudanças climáticas

Juliana Cézar Nunes
Enviada especial

O governo norte-americano promoveu, entre ontem e hoje (28), o Encontro das Maiores Economias sobre Segurança Energética e Mudança Climática. Representantes de 15 países, inclusive o Brasil, participam do evento, que teve a programação totalmente elaborada pela Casa Branca e enfrentou protestos de organizações contrárias à política ambiental de George W. Bush.

Chefe da delegação brasileira no encontro, o subsecretário-geral de Política 1 do Itamaraty, embaixador Everton Vargas, diz que “falta substância” na iniciativa. “O fórum adequado para essa discussão é o multilateral, é a Organização das Nações Unidas. Os países que vieram aqui tentam persuadir os Estados Unidos a finalmente ingressar nesse debate no âmbito multilateral”, contou Vargas, em entrevista na embaixada brasileira em Washington.

Hoje (28), em um discurso de exatos 20 minutos, o presidente norte-americano, George W. Bush apresentou algumas propostas, citou números de investimentos do país em tecnologias sustentáveis e disse que os Estados Unidos vão liderar os esforços para conservar o meio ambiente sem comprometer o crescimento econômico. Para Bush, o essencial é investir em tecnologia.

“Acredito que a transferência de tecnologia é essencial. Mas não resolve tudo. Países como a China e a Índia precisam de energia para a área rural e precisam disso agora. Não podemos esperar novas tecnologias”, pondera o embaixador brasileiro Everton Vargas. Sobre a aspiração dos EUA de liderar os debates, o diplomata finaliza: “Você só alcança a liderança quando tem ações”.

Leia, abaixo, alguns dos principais trechos da entrevista concedida pelo embaixador:

Agência Brasil: Qual é o balanço dessa reunião promovida pelo governo norte-americano?
Embaixador: A reunião serviu muito mais para caracterizar o esforço dos Estados Unidos de sensibilizar o mundo e sua opinião pública de que eles estão fazendo alguma coisa na área de mudanças climáticas. A sociedade americana, o Congresso perceberam que não era mais possível ficar de fora desse debate. Mas eu acho que faltou substância. E esse é o sentimento que permeia os delegados que estiveram aqui. Esperava-se mais do governo americano. Agora, nós temos que olhar como será a Conferência de Clima da ONU, em dezembro, em Bali.

ABr: Como o sr. avalia esse fundo internacional para financiar tecnologias em energia limpa proposto pelo presidente George W. Bush hoje?
Embaixador: Precisamos ver como ele vai funcionar. Os Estados Unidos são sempre o primeiro país a dizer que estabelecer fundo é muito complicado. Quando propusemos em 1990 um fundo específico para a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, os Estados Unidos e os outros países industrializados foram os primeiros a dizer que era muito difícil estabelecer um fundo específico e que isso tudo tinha ficar no âmbito das instituições existentes. Vamos analisar a proposta desse novo fundo proposto hoje quando ela for feita de maneira mais concreta. Precisamos saber quais são os termos disso. O que o presidente Bush propôs foi uma idéia geral. E de idéia geral qualquer um pode viver.

ABr: No discurso para os representantes das maiores economias, Bush propôs também a eliminação de barreiras para exportação de equipamento para energia limpa. Qual é o objetivo dessa proposta?
Embaixador: Ela visa facilitar a venda de um equipamento que os Estados Unidos desenvolveram para diminuir as emissões das termelétricas a carvão. Ele quer mais facilidade para vender esse material. Os Estados Unidos são o país que tem o parque industrial mais avançado nessa área. São os maiores consumidores de carvão do mundo. Tem subsídio para a indústria de carvão aqui dentro. Negociações comerciais são no âmbito da OMC. É algo que a gente vai ter que olhar com cuidado. Não se trata de algo que nós possamos reagir assim de maneira imediata.

Agência Brasil

Sobre

Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

  1. Felipe Ziliotti
    Felipe Ziliottidez 26, 2007

    Não adiantou toda palhaçada de G.Bush, a última conferência na ONU rendeu os EEUU.

  2. Fabio muscaravi
    Fabio muscaravidez 26, 2007

    Verdade, nunca vi nada igual ao acontecido, que vergonha para tal embaixadora.

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