Angra 3 – A polêmica da energia nuclear

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Angra 3 – A polêmica da energia nuclear

Depois de anos de análises e seguidos adiamentos, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou ontem a retomada da construção da usina nuclear de Angra 3, no Rio de Janeiro. Se tudo correr dentro dos planos do governo, as obras começarão este ano e a energia de Angra 3 entrará no mercado em 2013.

O que é Energia Nuclear?

É a energia liberada quando ocorre a quebra, a divisão dos átomos, tendo por matéria-prima minerais altamente radioativos, como o urânio. Num reator nuclear ocorre em uma seqüência multiplicadora conhecida como “reação em cadeia”.

Existem duas formas de aproveitar a energia nuclear para convertê-la em calor: A fissão nuclear, onde o núcleo atômico se subdivide em duas ou mais partículas, e a fusão nuclear, na qual ao menos dois núcleos atômicos se unem para produzir um novo núcleo.

A energia nuclear provém da fissão nuclear do urânio, do plutônio ou do tório ou da fusão nuclear do hidrogênio. É energia liberada dos núcleos atômicos, quando os mesmos são levados por processos artificiais, a condições instáveis.

Sobre Angra 3:

Usina Nuclear de Angra - Rio de JaneiroApós a aprovação da retomada da construção pelo CNPE a usina nuclear de Angra 3 necessita de licenças ambientais para as obras poderem ser concluídas e a unidade começar a funcionar. As duas primeiras licenças são concedidas pelo Ibama que é a licença prévia e o licenciamento de instalação, e a última é a licença nuclear, que garante a construção, cuja responsabilidade é da Cnen (Comissão Nacional de Energia Nuclear). Angra 3 será construída na mesma área de Angra 1 e 2, o que, segundo o ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, facilita o processo.

Hubner disse ainda que o governo decidiu retomar o projeto porque há necessidade de ampliar a base de geração de energia térmica no Brasil e Angra 3 é a alternativa considerada mais viável e não emite gás carbônico. Segundo ele, o preço a ser pago pela energia produzida pela usina será rateado entre as distribuidoras de energia do País, num modelo semelhante ao da hidrelétrica de Itaipu.

A usina de Angra 3 terá capacidade para gerar cerca de 1.350 megawatts (MW) e o governo estima investimento de R$ 7,2 bilhões na sua construção, mas especialistas do setor privado dizem que antes da energia de Angra 3 passar a ser distribuída, será necessário aumentar a quantidade de energia gerada no País para evitar um novo apagão.
O Ministério de Minas e Energia fará um estudo detalhado de todos os custos que envolvem a construção da usina, inclusive a destinação dos resíduos, para definir quais serão as tarifas. O ministro interino disse que terão de ser atualizados estudos feitos em 2006 que apontavam para um valor de R$ 140 por MW/hora. Hubner, entretanto, disse que as condições econômicas do País, e de financiamento, são hoje mais favoráveis. Em relação ao material principal para usinas nucleares, o urânio, o governo pretende executar dentro do País todas as etapas do ciclo de processamento deste minério, de modo a não ser mais necessário realizar parte do enriquecimento do urânio fora do Brasil.

Aprovação:

O conselho aprovou por oito votos favoráveis e um contrário pela retomada de obras, sendo o único voto contra do Ministério do Meio Ambiente, segundo informou o presidente da Agência Nacional do Petróleo, Haroldo Lima.

Investimentos:

Até o momento já foram investidos na usina 750 milhões de dólares na aquisição dos principais equipamentos importados que compõem a chamada “Ilha Nuclear”, que se acham armazenados na Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, no município de Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense, além do seguro e programa de preservação.

A conclusão do projeto demandará mais R$ 7 bilhões. Esses recursos compreendem desde as obras civis, compra dos componentes nacionais, montagem eletro-mecânica, até a fase de testes operacionais de potência.

Prós e Contras:

O projeto é defendido por integrantes do governo, como o Ministério de Minas e Energia e o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas também é criticado pelo Ministério do Meio Ambiente e entidades não-governamentais como o Greenpeace. Para os favoráveis, a usina pode ser considerada uma energia limpa com pouco impacto para meio ambiente. Os opositores criticam a unidade por significar grande gasto de recursos públicos e por conta da destinação dos rejeitos nucleares ou risco de acidente radioativo.

Símbolo - RadioativoO grande problema está certamente no risco radioativo que representa, por isso, acaba não sendo a melhor forma de energia alternativa, mesmo apesar de pouco degradar o meio ambiente com emissões de gases poluentes. Então energias como solar e eólica são defendidas, pois representam um gasto semelhante para desenvolvimento e manutenção de equipamentos necessários para geração de energia através da fonte do sol e do vento, mas tem o grande diferencial de não apresentar riscos para a população e a taxa de poluição para o meio ambiente é mínima, na verdade podemos até considerar como nula, pois na verdade, a lógica de ainda ter uma pequena taxa nas emissões é devido a construção, que se realiza transportes de equipamentos e peças com máquinas movidas com derivados do petróleo, mas após a construção, não há emissão de gás carbônico ou qualquer outro tipo de gás poluente que seja evidente.

A retomada da construção da usina nuclear de Angra 3 pode representar a geração de até 9 mil empregos diretos na fase de pico da obra civil e de montagem eletro-mecânica. Esse número é uma previsão de geração de emprego durante os 5 anos e meio previstos para a conclusão da obra, segundo o superintendente de Licenciamento e Meio Ambiente da Eletronuclear, Iukio Ogawa.

Por isso, os moradores do complexo das usinas nucleares defendem a construção, pois representantes dos moradores da região de Angra 3 que realizaram uma movimentação hoje, apoiando a construção da usina nuclear, pois para eles, a usina além de empregos, trará também desenvolvimento para a região. “Convivemos há 40 anos com usinas nucleares e sabemos que são totalmente seguras”, disse Antonio Cordeiro, coordenador do movimento pró-Angra 3.

Mesmo tendo o lado positivo da geração de empregos, para construir bases para outras fontes alternativas de energia como eólica ou solar também haveria geração de empregos, isso não resta dúvida, já que precisa de muitos funcionários tanto para desenvolvimento como para manutenção, talvez só não necessite da mesma taxa de funcionários, sendo reduzido esses índices, mas não grandes diferenças, até mesmo porque haverá necessidade de se atingir o mesmo potencial energético. E também não há dúvida que a afirmação de que as usinas nucleares são totalmente seguras são falaciosas, já que foi realizada pelo coordenador do movimento a favor da construção de Angra 3, ou seja, está “vendendo seu peixe”, pois mesmo com toda tecnologia, pela constante manipulação de materiais radioativos, qualquer falha mínima pode se transformar em um desastre arrasador. E falhas estão sujeitas até nos mais seguros equipamentos tecnológicos, ou simplesmente risco comum de falha humana.

Um outro problema a ser analisado é em relação ao sistema de saúde adequado que atenda a região durante o ano e nos períodos de pico no município de Angra dos Reis que ainda não apresenta suporte para este setor. “Se você não tem isso na normalidade, não tem isso no caso de um acidente. Então, precisaria para ser lógico e racional, como se propõe o complexo nuclear, que todas as possibilidades fossem atendidas, desde as mais improváveis”, criticou o conselheiro da Sociedade Angrense de Proteção Ecológica (Sapê), José Rafael Ribeiro, como no caso de um acidente radioativo.

Além das questões ambientais, também há falta de preocupação com o fluxo migratório para a região, pois o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima) não prevêem que vai haver fluxo migratório para a construção de Angra 3. Uma obra que no seu pico emprega quase dez mil operários vai implicar certamente em um fluxo migratório para a região.

A obra de Angra 3 poderá elevar em pelo menos mais 30 mil o atual número de 140 mil moradores de Angra dos Reis que, segundo ele, já está apresentando um caos urbano. O nível de habitação é sub-humano e a violência está crescente.

A nova usina terá capacidade de geração de 1.350 megawatts (MW) de energia e junto com as usinas de Angra 1 e 2, já em operação, poderá contribuir para 80% do abastecimento de energia elétrica do Estado do Rio de Janeiro. Mas também as outras fontes de energia alternativas citadas seriam capazes de gerar energia equivalente a capacidade de usinas nucleares, tendo os mesmos benefícios e ainda com a grande vantagem de não haver riscos de acidentes massivos, no caso de uma explosão nuclear como a que ocorreu em Chernobil.

Usina Nuclear emitindo vapor, não radioativoComo era de se esperar, sempre quando ocorrem grandes mudanças há os que defendem e os que criticam. No caso da liberação para construção de Angra 3 não foi diferente, mas os argumentos contra são mais sólidos daqueles a favor, e se realmente há necessidade em se investir em uma impulsão energética no país e que não comprometa o meio ambiente, porque não utilizar fontes mais seguras e que requer até menos investimentos, como energia eólica e solar, e também poderíamos citar a energia maremotriz, geração de eletricidade através da utilização da energia contida no movimento de massas d’água devido às marés. E grande parte do dinheiro ainda podia ser investido em controle para queimadas que no Brasil representa uma das principais fontes na emissão do gás carbônico (Os impactos das mudanças climáticas referentes ao IPCC).

Processo das obras:

As atividades realizadas até agora correspondem a 30% do projeto de implantação da usina, já tendo o canteiro implantado, as escavações das fundações prontas. Haverá agora uma fase de renovar e efetuar novos contratos, a parte de detalhamento de início de obra e obtenção das licenças, de acordo com Iukio Ogawa.

E agora como as obras já se iniciaram e um grande valor já foi investido, para não se tornar um dinheiro investido e depois não revertido em utilidades, no caso de paralisação da obra, então esta obra deve ser concluída, mas para sua manutenção será necessário muita fiscalização e parâmetros para tornar este tipo de usina uma fonte segura, que por mais que ainda tenha riscos, que sejam minimizados.

Fiscalizações:

A Sociedade Angrense de Proteção Ecológica (Sapê), uma organização não governamental sediada na cidade de Angra dos Reis que atua desde a década de 1970 contra a instalação das usinas nucleares no país quer que a licença ambiental para a construção da usina nuclear de Angra 3 traga todas as ressalvas para proteções que devem ser realizadas pelo governo federal. A licença foi abordada em três audiências públicas efetuadas na última semana pelo Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis, com o objetivo de prestar esclarecimentos sobre o projeto, defendendo que qualquer processo de licenciamento respeite as normas para as quais ele se propõe, ou seja, ele deve apresentar todas as proteções do ponto de vista ambiental, entre elas, a questão do lixo nuclear e o plano de emergência.

Como a usina nuclear de Angra 1, por exemplo, tem vida útil estimada em cerca de 60 anos, terão de ser tomadas providências para deixar a região livre de radioatividade e garantir condições ambientais findo esse prazo, para com isso todos os procedimentos para tirar a radioatividade do ambiente de uma usina nuclear sejam realizados inclusive após o fim de sua vida útil.

Protestos:

O Greenpeace também protesta contra Angra 3, o coordenador da campanha de energia nuclear do Greenpeace, Guilherme Leonardi, disse que o governo deveria investir em outras fontes de energia, como eólica e solar, conforme nós já citamos, e para ele a energia nuclear além de ser perigosa, é ultrapassada, e conclui afirmando que podemos gerar muito mais energia se investirmos os R$ 7 bilhões em energia eólica e eficiência energética.

E não há dúvida dessa realidade, pois mesmo que os gastos sejam semelhantes, o principal fator que deve ser levado em consideração é de não levar nem os mínimos riscos, que no caso de acidentes radioativos, podem provocar danos irreparáveis atingindo uma grande área e afetando todas as pessoas próximas as usinas. Em relação à questão do lixo nuclear, Leonardi disse que ainda não foi resolvida e que, mesmo em usinas mais modernas, existe risco de acidente.

Em relação ao IBAMA:

A decisão do CNPE – Conselho Nacional de Política Energética de aprovar a construção da Usina Nuclear de Angra 3 estava prevista desde a segunda quinzena de abril. Foi quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu a informação de que o Ibama não concederia as licenças prévias para a construção de duas hidrelétricas no Rio Madeira até 31 de maio.

Mesmo assim, de acordo com um auxiliar do presidente, a decisão de Lula, comunicada a pouquíssimos ministros, aguardou um pouco para ser tornada pública. Ele optara por esperar mais um pouco, na esperança de que o Ibama concedesse as licenças para as Hidrelétricas de Jirau e Santo Antonio.

Como esperou em vão, na segunda quinzena de maio Lula comunicou que tiraria Angra 3 da gaveta. O presidente decidiu, na mesma época, que marcaria uma reunião do CNPE. Como havia problemas na agenda, Lula a marcou para um mês depois, mas não pôde participar.

Em relação à ministra do Meio Ambiente:

Da parte da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, a certeza de que a decisão de retomar as obras de Angra 3 era tão grande que ela resolveu nem participar, alegando que tinha encontro no Rio de Janeiro com representante da Câmara de Comércio Brasil/Estados Unidos e mandou seu secretário-executivo, João Paulo Capobianco, representá-la. Capobianco foi o único a dar o voto contrário, na evidente diferença de 8 a 1.

Marina limitou-se a dizer, no Rio de Janeiro, que a posição de seu ministério é contrária à construção de usinas nucleares por entender que o Brasil tem condição de optar por outras fontes de energia mais baratas e menos perigosas. Mas Marina não tentou reverter o voto dos conselheiros, que certamente se tivesse exposto argumentos sólidos, com convicção, não seria o único voto contra a decisão das obras de Angra 3.

Política:

A decisão de construir Angra 3 também indica uma estratégica política de governo, até porque os trabalhos de revisão do programa nuclear ficaram prontos em junho de 2006, às vésperas do início da campanha eleitoral e com o tradicional objetivo de incluir mais um item nos discursos políticos, certamente com exposições de promessas de geração de empregos, desenvolvimento e ampliação de distribuição de energia e logicamente sem citar o risco de acidentes e outros problemas conforme já abordamos.

Viabilização:

De acordo com o artigo, do jornal Folha de São Paulo de 17 de junho de 2006, feito por Joaquim F. de Carvalho, mestre em engenharia nuclear, diretor da Nuclen (atual Eletronuclear), cálculos feitos por técnicos do ONS (Operador Nacional do Sistema) indicam que o custo marginal médio para a expansão do sistema hidrelétrico é de aproximadamente R$ 80/MWh, enquanto o custo de geração de Angra 3 está em torno de R$ 144/MWh.

Histórico:

A Eletrobrás Termonuclear foi criada em 1997 com a finalidade de operar e construir as usinas termonucleares do país. Subsidiária da Eletrobrás é uma empresa de economia mista e responde pela geração de aproximadamente 2,5% (desempenho de 2005) da energia elétrica consumida no Brasil. Pelo sistema elétrico interligado, essa energia chega aos principais centros consumidores do país e corresponde, por exemplo, a mais de 50% da eletricidade consumida no Estado do Rio de Janeiro, proporção que se ampliará consideravelmente quando estiver concluída a terceira usina (Angra 3) da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA).

Atualmente estão em operação as usinas Angra 1, com capacidade para geração de 657 megawatts elétricos, e Angra 2, com potência de 1.350 megawatts elétricos. Angra 3, que será praticamente uma réplica de Angra 2 (incorporando os avanços tecnológicos ocorridos desde a construção desta usina), também está prevista para gerar 1.350 megawatts.
A CNAAA, situada em Itaorna, município de Angra dos Reis, foi assim denominada em justa homenagem ao pesquisador pioneiro da tecnologia nuclear no Brasil e principal articulador de uma política nacional para o setor. Embora a construção da primeira usina tenha sido sua inspiração, o almirante, nascido em 1889, não chegou a ver Angra 1 gerando energia, pois faleceu em 1976.

Acidente nuclear de Chernobil

Área da radiação de ChernobilO acidente nuclear de Chernobil ocorreu dia 26 de abril de 1986, na Usina Nuclear de Chernobil (originalmente chamada Vladimir Lenin) na Ucrânia (então parte da União Soviética), quando o quarto reator da usina – conhecido como Chernobil-4 – sofreu uma catastrófica explosão de vapor que resultou em incêndio, uma série de explosões adicionais, e um derretimento nuclear. É considerado o pior acidente nuclear da história da energia nuclear, produzindo uma nuvem de radioatividade que atingiu a União Soviética, Europa Oriental, Escandinávia e Reino Unido.

Grandes áreas da Ucrânia, Bielorrússia (Belarus) e Rússia foram muito contaminadas, resultando na evacuação e reassentamento de aproximadamente 200 mil pessoas. Cerca de 60% de radioatividade caiu em território bielorrusso.

É difícil dizer com precisão o número de mortos causados pelos eventos de Chernobil, devido às mortes esperadas por câncer, que ainda não ocorreram e são difíceis de atribuir especificamente ao acidente. Um relatório da ONU de 2005 atribuiu 56 mortes até aquela data – 47 trabalhadores acidentados e 9 crianças com câncer de tireóide – e estimou que cerca de 4000 pessoas morrerão de doenças relacionadas ao acidente. O Greenpeace, entre outros, contesta as conclusões do estudo.

Há duas teorias oficiais, mas contraditórias, sobre a causa do acidente. A primeira foi publicada em agosto de 1986, e atribuiu a culpa, exclusivamente, aos operadores da usina. A segunda teoria foi publicada em 1991 e atribuiu o acidente a defeitos no projeto do reator RBMK, especificamente nas hastes de controle. Outro importante fator que contribuiu com o acidente foi o fato que os operadores não estavam informados sobre certos problemas do reator.

Sobre

Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

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