Aquecimento global pode afetar sobrevivência de vegetais

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Aquecimento global pode afetar sobrevivência de vegetais

Aquecimento global pode afetar sobrevivência de vegetais

Marco Antônio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil

A concentração crescente de gás carbônico na atmosfera, a partir do uso do petróleo, provoca aumento da temperatura e ameaça as espécies vegetais. A tese é do professor de Fisiologia Vegetal do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Buckeridge, que pesquisa a influência das mudanças climáticas no meio ambiente.

Em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, o professor disse que as árvores brasileiras pesquisadas (típicas da Mata Atlântica e da Amazônia) têm nível de sensibilidade parecido. “Ainda não dá para dizer quais podem desaparecer primeiro”.

Buckeridge explicou que nas folhas das plantas existem “boquinhas” que se abrem de manhã, absorvem gás carbônico e se fecham no fim da tarde. O gás é transformado em açúcar, usado pela planta durante a noite para crescer. “O açúcar nas folhas é o mesmo que a gordura para nós. As plantas engordam e têm mais amido para usar no crescimento”, comparou.

Numa projeção até 2040, os efeitos do gás carbônico sobre as plantas seriam positivos, segundo o professor. Mas a partir daí, com uma elevação média de temperatura que deve variar de 2 a 3 graus celsius, o quadro pode mudar. “A fotossíntese começa a ficar sensível negativamente e o sistema se desliga. Agora vamos estudar [os efeitos do] gás e temperatura juntos.”

O especialista também afirmou que eventuais efeitos do aquecimento global sobre seres humanos e animais só poderão ser sentidos após 2050. Ele ressaltou a necessidade de providências no sentido de reduzir o quanto antes a emissão de gás carbônico.

Buckeridge destacou o uso da bioenergia, a modernização de procedimentos industriais, a conscientização geral da sociedade e a influência decisiva que, na sua opinião, teria uma mudança política nos Estados Unidos.

“Se os Democratas ganharem, eles são mais preocupado com isso [aquecimento global]. Os Estados Unidos são imensamente importantes nesse processo porque têm a maior produção industrial e respondem pela maior emissão de CO2 no mundo”, argumentou o professor.

 

Aumento da temperatura ameaça café arábica em São Paulo e Minas Gerais, diz especialista

Marco Antônio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil

O café arábica, cultivado comumente em terrenos mais altos em São Paulo e no sul de Minas Gerais, com mais qualidade e melhor valor de mercado, é uma das culturas nacionais mais sujeitas aos impactos do aquecimento global. A previsão foi feita pelo climatologista do Instituto Nacional de Pesquisas (Inpe) Carlos Nobre, em entrevista à Agência Brasil.

“Com 3 a 4 graus de aumento da temperatura média, o café arábica praticamente desparece de São Paulo e do sul de Minas. Só algumas regiões serranas muito altas teriam clima adequado ao cultivo e a adaptação genética será muito difícil. O café teria que migrar para o sul do Brasil, da Argentina e do Uruguai”, explicou o especialista.

O pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Fábio Marinho confirmou que estudos sobre o café estão em fase final e a perspectiva é de “redução drástica” da produção em São Paulo e em Minas Gerais.

Dados do Conselho Nacional do Café (CNC) indicam que o país deve colher de 18 a 20 milhões de sacas de café arábica na safra 2007/2008, o que indica um redução entre 30% a 50% em relação à safra a anterior, de 32 milhões de sacas, influenciada por efeitos um período de seca prolongada, aumento dos custos de produção e queda do dólar.

O estudo foi realizado com 20 cooperativas de Minas Gerais e São Paulo, que reúnem 65 mil produtores e cultivam em torno de 40% da produção nacional.

Se for considerada uma agricultura estagnada do ponto de vista tecnológico, Nobre vislumbra que o milho, a soja, o feijão e o arroz também perderiam em produtividade com as temperaturas mais altas. Entretanto, ele ressalvou que a Embrapa, a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) já se dedicam a estudos no sentido de tornar as variedades agrícolas mais resistentes à temperatura e a períodos de seca.

“Os grãos são originários de temperaturas mais amenas, de latitudes médias. A pesquisa tem que avançar muito nessa direção de buscar a melhor adaptação possível apara a agricultura do futuro”, disse Nobre.

 

Milho e soja serão as culturas mais prejudicadas pelo aquecimento global, segundo Embrapa

Marco Antônio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mantém equipes trabalhando em duas frentes sobre o aquecimento global: uma traça os principais impactos e a outra desenvolve variedades mais resistentes. Entre os cenários já vislumbrados, os efeitos mais graves do aumento da temperatura nas próximas décadas seriam sentidos especialmente pelo milho e pela soja, as duas principais culturas anuais do país.

“Essas culturas passariam a ter condições climáticas desfavoráveis na época em que necessitam muito de condições propícias como chuvas e temperaturas amenas na fase de florescimento”, afirmou o pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária Fábio Marinho, em entrevista à Agência Brasil.

O pesquisador explicou que a agricultura brasileira não precisa hoje de irrigação em grande parte da área cultivada por contar com chuvas ainda em volume adequado e bem distribuídas. Entretanto, a se confirmarem as previsões do IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), o aumento de temperatura elevaria a demanda de água e se as chuvas não caírem de forma proporcional, as culturas passariam a ter deficiência hídrica e perderiam produtividade.

“Considerando que as chuvas permaneçam a mesma coisa e que a temperatura aumente de 2 a 4 graus nas próximas décadas, não será possível atender a demanda da soja e do milho”, disse Marinho.

As conseqüências no cenário nacional seriam, segundo o pesquisador, o agravamento da deficiência hídrica no Nordeste e perda de produtividade no cerrado, hoje de agricultura pujante. “A distribuição de chuva no cerrado não é tão boa. O volume é considerável, mas concentrado em quatro ou cinco meses do ano, mas isso pode não ser suficiente para atender a demanda toda”.

A boa notícia trazida pela Embrapa é o fato dos pesquisadores da empresa já terem conseguido avanços na adaptação de plantas e grãos a partir de modificações genéticas naturais. Está em desenvolvimento, segundo informou Marinho, uma variedade de soja “mais resistente à seca e apta ao cultivo em regiões onde a disponibilidade de água não é a ideal.”

 

Embrapa vai aprofundar pesquisas dos efeitos de mudanças climáticas em culturas tradicionais

Marco Antônio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) além dos estudos já em fase mais avançada dos impactos do aquecimento global sobre a produção nacional de soja, milho e café também está em empenhada em traçar cenários para o arroz, o trigo e o feijão. A informação é do pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária Fábio Marinho, para quem o feijão desperta uma preocupação especial. “É uma cultura muito sensível à falta de água”, ressaltou em entrevista à Agência Brasil.

Em relação ao arroz, o cenário é menos grave pelo fato de boa parte da produção brasileira ser feita em áreas irrigadas, segundo o pesquisador. Seriam impactadas com mais força apenas áreas onde se produz arroz de sequeiro.

O especialista lembrou que as projeções não significam necessariamente cenários trágicos para os agricultores, mas representam um sinal para o planejamento de políticas públicas.

“É um alerta importante de que nós precisamos pesquisar essas culturas e investir em melhoramento genético. Assim como como soja está saindo na frente [pesquisadores já desenvolvem um tipo de grão mais resistente ao clima seco] as outras culturas precisam de estudos e recursos para que os ‘melhoristas’ desenvolvam variedades mais aptas à nova condição”, expliocu Marinho. “Se nada for feito, podemos ter um impacto muito forte”, ressaltou.

Marinho destacou ainda que na condição de país tropical, o Brasil é muito dependente da agricultura . “O nosso PIB [Produto Interno Bruto], de 30% a 35% decorre do agronegócio. A gente precisa cuidar da galinha dos ovos de ouro do país”.

Apesar da Embrapa trabalhar no sentido de evitar a necessidade de agricultores futuramente terem que mudar de cultura, a hipótese não pode ser de todo descartada, ponderou Marinho. “Para o agricultor, trocar de cultura não é como trocar de casa ou de carro, mas isso pode acontecer. A gente tenta manter a cadeia, a geografia agrícola, mas eles podem vir a ser convidados a mudar”, alertou.

Agência Brasil

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Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

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