

Aumento do desmatamento na região amazônica
Terça-feira, 16 de Outubro de 2007
Categoria(s): Biodiversidade, Desmatamento, Florestal, Notícias, Preservação
|-> Publicado por: Maurício Machado
Aumento do desmatamento na Amazônia exige ações imediatas, diz secretário
Marco Antônio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil
O sistema de monitoramento do governo federal registrou aumento de 107% dos índices de desmatamento na região amazônica, no estado do Mato Grosso, entre junho e setembro, em comparação com o mesmo período do ano passado. Apesar de dizer que o acréscimo não é muito significativo em número de hectares, o secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), João Paulo Capobianco, reconheceu a necessidade de providências imediatas para conter o avanço da prática ilegal.
Segundo ele, o governo federal já iniciou ação emergencial, com inspeções realizadas por equipes técnicas nos estados onde foi constatado aumento - Rondônia e Acre, além de Mato Grosso.
O sistema Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) utiliza sensores com alta freqüência para informar periodicamente o governo sobre áreas desmatadas e orientar a adoção de medidas de contenção.
“Essa ligeira alteração na curva, que eleva o desmatamento em alguns pontos, tem que ser vista como um sinal de que é preciso verificar onde está ocorrendo e quais são os agentes motivadores. Assim será possível corrigir os instrumentos de fiscalização e controle, evitando o aumento efetivo da taxa anual de desmatamento”, disse Capobianco, em entrevista coletiva.
O relatório anual de desmatamento divulgado pelo MMA começa sempre em 1º de agosto de um ano e termina em 31 de julho do seguinte. O último, de 2007, traz a estimativa de 9,6 mil quilômetros quadrados de áreas desmatadas, o que representaria a menor taxa desde 1988. Esse número ainda será consolidado.
Segundo Capobianco, três fatores contribuíram para elevar o corte de vegetação no segundo semestre deste ano: a seca prolongada, o aumento do preço internacional da soja e o da carne bovina. Ele comentou que o cenário estimula produtores a tentarem ganhar novos espaços, e a proximidade das eleições municipais (que serão realizadas no ano que vem) torna a fiscalização mais frágil.
“Ao se analisar o histórico do desmatamento desde 1988, sempre em ano de eleição a prática aumentou, com exceção de 2006. Na eleição municipal observamos que há muita pressão e interesse em atender vontades de certas atividades econômicas”, disse Capobianco.
Paralelamente ao plano emergencial, o MMA pretende concluir em fevereiro de 2008 um plano de controle do desmatamento para os próximos quatro anos. O objetivo é investir em alternativas econômicas para gerar emprego e renda na região, mantendo a floresta em pé.
Forças Armadas se dispõem a ajudar no combate ao desmatamento, afirma Jobim
Alex Rodrigues
Enviado especial
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que as Forças Armadas estão dispostas a participar do combate ao desmatamento na Amazônia, que teve confirmado hoje (16) aumento no período entre junho e setembro.
“Em primeiro lugar, segundo o relatório, o desmatamento, na perspectiva macro, reduziu-se”, comentou o ministro, que segue em viagem a áreas de fronteira na região. “Estamos verificando é que, comparando com o mesmo período do ano passado, tivemos um aumento. As Forças Armadas, os pelotões de fronteira, e os batalhões de infantaria de selva estão dispostos a prestar toda a assessoria ao Ministério do Meio Ambiente, para coibir o problema e fazer um trabalho conjunto para reduzir e manter a redução do grau de desmatamento.”
Segundo Jobim, para atuar na questão, por não ter competência direta, o Exército depende de solicitações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Ministério do Meio Ambiente e da Fundação Nacional do Índio (Funai).
Diante de pergunta de jornalista sobre se o relatório alimenta as críticas de que o país não cuida bem da floresta amazônica, ele respondeu: “Qualquer motivo é elemento para esse discurso. Precisamos desprezar esse tipo de discurso porque estamos trabalhando e este é um assunto nosso, não destruímos nenhuma mata além daquelas que já foram destruídas pelos próprios europeus e americanos.”

