

Biocombustíveis, preservação e a crise financeira global
Terça-feira, 14 de Outubro de 2008
Categoria(s): Biocombustíveis, Notícias
|-> Publicado por: Maurício Machado
Zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar vai proteger meio ambiente, diz senador
Da Agência Brasil
O zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar deverá ficar pronto em 30 dias, de acordo com informações do Ministério da Agricultura. Para o presidente da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado, senador Neuto de Conto (PMDB-SC), a falta de definição quanto às áreas destinadas ao plantio faz com que regiões protegidas pela legislação ambiental sejam usadas para o cultivo. Ele ressalta que é necessário encontrar um caminho entre a rentabilidade e a preservação do meio ambiente.
A Amazônia é região mais polêmica no momento. “Todos querem plantar cana, este é o fato. E nem todas as áreas da Amazônia são próprias para a plantação de cana por causa do clima, do solo, das chuvas”, explica o senador.
Em entrevista, ontem (13), no programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, o senador considera a matéria de fácil trâmite no Congresso Nacional não só pela economia, mas também porque o zoneamento interfere diretamente na produção alimentar brasileira e também no equilíbrio ambiental. “No entanto, não podemos perder de vista que esta alimentação tem que ser feita também com o meio ambiente, para que possamos ter qualidade de vida.”
O próximo passo, segundo o senador, é incentivar os estados a fazerem uma legislação de zoneamento própria, que inclua todas culturas. A partir daí, fica mais fácil a formulação de uma lei nacional sobre o tema. “Estamos aguardando a fase final do zoneamento [sobre a cana-de-açúcar], que segundo os ministros, deve ficar pronta ainda este mês. Com esse zoneamento podemos fazer uma análise mais profunda e saber o quê e como se plantar”, conclui.
Para especialistas, crise financeira não afetará diretamente o setor de biocombustíveis
Ivy Farias
Repórter da Agência Brasil
Especialistas ouvidos hoje (14) pela Agência Brasil, durante o 9º Encontro de Negócios de Energia em São Paulo, afirmaram que a crise financeira global não afetará diretamente o setor de biocombustíveis.
Para o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Clifford Sobel, os últimos dias são de notícias boas para a economia mundial. “Os governos estão envolvidos em controlar a crise. Esperamos que tudo se resolva rapidamente”, disse. Sobel acredita que os efeitos serão mínimos no setor: “Com a economia crescendo menos, obviamente que o setor cresce menos. Mas não haverá nenhuma crise especifíca dos biocombustíveis”, analisou.
Marcos Jank, presidente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Única), também compartilha da mesma opinião do americano. “Não vejo problemas na venda de etanol, açúcar e todos os outros biocombustíveis”, afirmou. Segundo Jank, o processo da desaceleração do setor é “inevitável a todos os setores da economia”.
“Não sei ainda como a crise nos afetará, tudo dependerá do que acontecer nas próximas semanas. Mas, o máximo que pode acontecer é a falta de crédito e de financiamento”, completou Jank. O presidente da Única classificou como acertadas as últimas medidas do Banco Central. “Agora percebe-se que as ações recentes foram importantes para a economia do país. Nós, brasileiros, tendemos a sofrer menos com esta nova situação porque estamos bem preparados, com reservas”, disse.
Segundo Manoel Vicente Fernandes Bertone, secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a crise ajuda o setor a se renovar. “De certa forma, estamos tendo que pensar em novas posturas e alternativas, mas não há nenhum impacto imediato”, completou. Para Bertone, o etanol brasileiro continua apresentando competividade no mercado interno. “O preço está bom, comparado com a gasolina”, disse.

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