Bolsa Floresta: meta de atender 60 mil famílias no Amazonas

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Bolsa Floresta: meta de atender 60 mil famílias no Amazonas

No Amazonas, meta é atender 60 mil famílias com Bolsa Floresta até 2010

Amanda Mota
Repórter da Agência Brasil

Depois de liberar os primeiros R$ 5 mil do programa estadual Bolsa Floresta, o governador do Amazonas, Eduardo Braga, disse que até 2010, a meta é conceder o benefício a 60 mil famílias. O Bolsa Floresta garante R$ 50 mensais às famílias que contribuem para a preservação ambiental dentro das unidades de conservação do Amazonas.

Durante a cerimônia realizada para o pagamento do benefício às primeiras 100 famílias cadastradas, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de São Sebastião do Uatumã, na semana passada, Braga comentou a necessidade de continuidade da ação pelos próximos governos.

“O Bolsa Floresta é uma das ações previstas pela Lei Estadual de Mudanças Climáticas. Até 2010, temos como meta atender 60 mil famílias. Estes são os primeiros passos de um programa ambiental, social e econômico ousado e moderno, que poderá cometer equívocos que serão corrigidos com humildade, mas é necessário que o programa seja mantido pelos próximos governos, porque ele incentiva uma relação de equilíbrio do homem com a floresta e defende o desmatamento zero”, disse o governador.

Os recursos do Bolsa Floresta são provenientes do Fundo de Mudanças Climáticas, criado em junho deste ano. Para pagar os primeiros beneficiários do programa, o governo do Amazonas fez um aporte inicial de R$ 20 milhões, que foram aplicados em investimentos diversos e dos quais devem sair os juros para manutenção dos pagamentos.

Segundo o governador, o fundo é auto-sustentável. “A primeira fase do programa aportou ao Fundo de Mudanças Climáticas R$ 20 milhões. Esse é um fundo que não vai gastar seus recursos principais e sim aplicá-los de forma sustentável. Os rendimentos desses recursos é que serão distribuídos. O Bolsa Floresta é auto-sustentável porque todos os anos, na pior das hipóteses, esses R$ 20 milhões vão gerar R$ 2 milhões de juros”.

Além da meta de atender 60 mil famílias, o governo estadual pretende “dividir” com outras instituições a manutenção desse fundo. “É um fundo independente, que recebe recursos públicos e privados, que está vinculado a unidades de conservação e que tem como uma das fontes de recurso os serviços florestais que essas unidades de conservação hão de prestar. Portanto, é um fundo que tem início no poder público, mas que, até 2010, não será exclusividade do poder público administrá-lo”.

Moradores das reservas de Desenvolvimento Sustentável do Uacari, Mamirauá, Cujubim e Piagaçu-Purus e da Reserva Extrativista do Catuá-Ipixuna receberão, ainda neste semestre, a visita de funcionários da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas para se cadastrar no programa e passar a receber o benefício. As famílias cadastradas poderão retirar o benefício em uma das agências do Banco Postal, mês a mês ou acumulado pelo tempo que desejar.

De acordo com o cordenador do Bolsa Floresta, Aniceto Barroso, o recurso será permanente para as famílias beneficiadas, desde que não haja infração às leis previstas para as áreas de preservação ambiental. “Se as famílias estiverem desmatando áreas maiores do que suas roças e continuarem persistindo nesse erro, o Bolsa Floresta será suspenso”, alertou.

“Esses recursos têm a finalidade de ajudar na conservação da floresta e na melhoria da qualidade de vida do povo que vive no entorno dela”.

Moradores de área de conservação recebem bolsa, mas pedem mais investimentos

Amanda Mota
Repórter da Agência Brasil

Moradores da comunidade Deus Ajude, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, entre os municípios São Sebastião do Uatumã e Itamarati, no Amazonas, aproveitaram a visita de uma comitiva do governo estadual ao local, na semana passada, para reivindicar mais atenção aos setores de educação e saúde na região. A comitiva foi chefiada pelo governador Eduardo Braga, que fez os primeiros pagamentos do programa estadual Bolsa Floresta na região.

Menos de 20 famílias vivem na comunidade, mas, segundo o presidente da Associação de Moradores, Jorge Aragão, a inexistência de energia elétrica, de escolas além do ensino básico e de postos de saúde com profissionais qualificados compromete a qualidade de vida da população, que se vê obrigada a deixar o local e partir, sem muita perspectiva, para os centros urbanos.

“Muita gente já saiu daqui pela falta de condições de sobrevivência. Nossa maior reivindicação é educação. Estamos precisando que nossa escola ofereça as outras séries porque hoje só temos até o ensino básico. Precisamos também de saúde. Em termos de assistência médica, faltam medicamentos e atendimento emergencial”, diz o produtor rural.

Na região do Uatumã, grande parte das famílias tem como principal fonte de renda o programa Bolsa Família. “O Bolsa Família atende uma urgência social. O Bolsa Floresta é um programa ambiental, que exige um critério para inserir o beneficiado. Esse critério não é econômico e diz respeito a viver dentro de uma unidade de conservação. O segundo critério é não aumentar a área desmatada. São programas complementares”, comentou Eduardo Braga.

A respeito das reivindicações dos moradores, Braga fez questão de esclarecer o que é de competência do governo municipal e do governo estadual. Apesar disso, afirmou que fará o possível para atender os pedidos.

Agência Brasil

Sobre

Maurí­cio Machado

Biólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.

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