

Brasil planeja apoiar novo órgão científico
Domingo, 05 de Agosto de 2007
Categoria(s): Notícias
|-> Publicado por: Maurício Machado
Nesta semana, pesquisadores brasileiros apoiaram o desenvolvimento de um novo órgão científico internacional. Assim como o IPCC - Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas - para discussões e análises sobre o Clima, surgiu a importância da criação de um novo órgão denominado Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), com objetivo de proteger a biodiversidade do planeta.
A proposta para este novo projeto já havia sido divulgada oficialmente em 2006, porém enfrentou a adversidade de autoridades brasileiras para apoiar sua criação.
O governo brasileiro que até o momento estava se excluindo de negociações internacionais sobre preservação da biodiversidade, sofreu muita pressão e com isso fez com que o Ministério do Meio Ambiente planejasse iniciar ainda nos próximos dois meses uma conferência pública para discutir sobre o tema.
Segundo o gerente de Conservação da Biodiversidade, Bráulio Dias, o objetivo da conferência será realizar uma grande análise em todo Brasil para localizar mecanismos que possam apresentar importância e contribuição para o processo internacional. Bráulio Dias participou nesta semana de uma reunião na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
O objetivo do mecanismo é adicionar uma base científica para processos de decisão política da Convenção sobre Diversidade Biológica, já que não existe pesquisa base sobre a biodiversidade. Após todo conhecimento e dados coletados a atenção deverá ser voltada para o compromisso político para colocá-los em prática.
Cientistas de todo mundo elogiaram a iniciativa, já que o Brasil necessita de uma atenção do nível de sua gigantesca biodiversidade, que é considerada a mais completa do mundo. Para o biólogo e professor da Unicamp, Carlos Joly, a decisão de se realizar uma conferência já é um importante primeiro passo, pois até agora o país não participava de nenhuma discussão sobre a biodiversidade.
Para o pesquisador belga Michel Loreau é de total importância observar que a preocupação ambiental está aumentando e foi muito bom ver o Brasil entrar no apoio à biodiversidade. Loreau também é co-diretor do Mecanismo Internacional de Conhecimento Científico em Biodiversidade (IMoSEB), uma organização desenvolvida com financiamento do governo francês para estudar a formulação do “IPCC da biodiversidade”.
O Instituto Virtual da Biodiversidade, um conjunto de ferramentas e banco de dados que compõem o Biota que até então era administrado pela Fapesp, foi assumido pelas universidades estaduais paulistas, sendo elas a USP, a Unicamp e a Unesp. Apesar disso a Fapesp manterá investimentos em projetos de pesquisa, alterando assim a responsabilidade sobre a manutenção da estrutura do programa, que passou a ser das universidades. O Biota já identificou mais de 500 novas espécies de plantas e animais, desde 1999.
