Brasil quer coalizão de países contra desmatamento

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Brasil quer coalizão de países contra desmatamento

Brasil quer coalizão de países contra desmatamento

Luana Lourenço
Enviada especial

Na segunda semana de negociações da 13ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP-13), o Brasil vai tentar formar uma coalizão de países em desenvolvimento – grande parte com patrimônio florestal – para buscar mecanismos financeiros de estímulo à redução do desmatamento, de acordo com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que se reuniu ontem (9) com a delegação brasileira em Bali.

A proposta brasileira – que em linhas gerais prevê a criação de um fundo de “incentivos positivos” para reduções de desmate mensuráveis e verificáveis – até agora parecia isolada, de acordo com a própria delegação.

A secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Thelma Krug, chegou a afirmar que a idéia só era apoiada pela delegação de Tuvalu. “A maioria dos países da América Latina e grande parte dos países africanos estão com o Brasil. A própria União Européia vê com olhos positivos”, contrapôs o ministro.

A principal divergência entre a idéia brasileira e as demais propostas dizem respeito à inclusão de mecanismos de mercado. O Brasil é contra a geração de créditos de carbono para compensar a redução do desmatamento. Já países como Indonésia, Papua Nova Guiné e Costa Rica, grandes proprietátios de florestas tropicais, defendem alternativas de mercado para compensar a redução de desmatamento.

Na avaliação de Amorim, a questão principal diz respeito à viabilização de recusros, o que é uma demanda comum dos países independente do teor das propostas.

“A ausência de recursos acaba gerando uma distorção, uma corrida para os mecanismos comerciais. Mas, se não houver impulsos financeiros novos, livres desse mecanismo de mercado, você, na realidade não estará contribuindo para a redução das emissões, porque haverá um abatimento daquilo que eles [países em desenvolvimento] podem emitir. Pode até gerar uma transferência de renda, pode até contribuir para preservção de florestas, mas não resolve o problema das emissões”, avaliou.

A “missão” de articular a coalizão, segundo Amorim, vai ficar a cargo dos negociadores brasileiros na conferência, coordenados pelo subsecretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Everton Vieira Vargas. O chanceler, entretanto, assume que será trabalhoso conciliar posições sobre o desmatamento. “Não será uma tarefa fácil. Se fosse, o presidente nem tinha me pedido para vir aqui”.

Amorim passa o dia de hoje (10) em viagem oficial ao Timor Leste e, na quarta-feira (12), de volta a Bali, falará em nome do Brasil na abertura da etapa ministerial da COP.

Brasil pode flexibilizar proposta de redução de desmatamento, admite embaixador

Luana Lourenço
Enviada especial

O Brasil saiu satisfeito de um almoço com representantes de países em desenvolvimento para costurar um acordo para criar uma coalizão de nações que estimule a redução do desmatamento. Apesar de não ter chegado a resultados efetivos ou mesmo definir se a articulação existirá, o embaixador extraordinário sobre Mudança do Clima e porta-voz da delegação brasileira na 13º Conferência das Partes sobre o Clima (COP-13), Sérgio Serra, classificou o encontro como “positivo”.

A iniciativa da coalizão foi anunciada ontem (9) pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Serra também afirmou, em conversa com jornalistas brasileiros, que, passada uma semana de negociações, o país está mais flexível quanto às questões mais polêmicas das estratégias para que os países ricos financiem a redução das emissões de gases por desmatamento e para a inclusão da proposta no chamado Mapa do Caminho, que está sendo negociado em Bali.

O diplomata afirmou que o Brasil está aberto à discussão de questões como a compensação por conservação ou degradação de florestas. Até a semana passada, a posição brasileira parecia inflexível quanto a esses temas ou à inclusão de mecanismos de mercado para compensar a redução das emissões por desmatamento. As negociações continuarão até amanhã (11) nos grupos de trabalho designados para costurar os acordos antes da chegada dos ministros de Estado, na quarta-feira (12).

Quem chegou hoje (10) à COP foi o senador norte-americano John Kerry, adversário eleitoral do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, nas eleições de 2004 e forte opositor da atual política de mudanças climáticas adotada pelo país.

Em tom de campanha, Kerry afirmou que aposta em novos rumos para as posições norte-americanas relacionadas ao aquecimento global até 2009, numa referência a uma possível substituição da administração Bush por um membro do Partido Democrata nas eleições presidenciais dos Estados Unidos no próximo ano.

“Os Estados Unidos estão dispostos a estar na mesa [de negociações]. Vamos defender uma mudança significativa nas políticas para enfrentar as alterações climáticas”, afirmou Kerry.

Conforme determina o Mapa do Caminho, em 2009 vence o prazo para o estabelecimento de um regime internacional que suceda ao primeiro período do Protocolo de Quioto. O protocolo prevê que as nações industrializadas devam reduzir, até 2012, as emissões de gases de efeito estufa em aproximadamente 5% abaixo dos níveis registrados em 1990.

Maiores poluidores do planeta, os Estados Unidos são alvos de críticas da comunidade internacional por se recusarem a ratificar o protocolo ou assumir qualquer tipo de compromisso formal para redução de emissões de gases de efeito estufa.

Agência Brasil

Sobre

Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

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