China veta a produção do gás CFC, responsável pela destruição do ozônio

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China veta a produção do gás CFC, responsável pela destruição do ozônio

Formação do OzônioSobre a camada de ozônio:

O Ozônio (ou Ozono – O3), se forma quando as moléculas de oxigênio (O2), se rompem devido à radiação ultravioleta e os átomos separados combinam-se individualmente com outras moléculas de oxigênio.

A ozonosfera ou camada de ozônio é encontrada na estratosfera, região da atmosfera situada entre 30 e 50 km de altitude. Esta camada tem a propriedade de absorver a radiação ultravioleta do Sol, por este motivo, sem a proteção do Ozônio, as radiações causam graves danos aos organismos vivos que habitam a superfície do planeta Terra.

Sobre o CFC:

CFC’s - MoléculaOs clorofluorcarbonetos (CFC´s) são os grandes responsáveis pela destruição da camada de ozônio. O gás CFC tem inúmeras utilizações sendo usado principalmente em aerossóis e aparelhos de ar-condicionado e refrigeração, pois são relativamente pouco tóxicos, não inflamáveis e não se decompõem facilmente.

Por serem tão estáveis, duram cerca de cento e cinqüenta anos. Estes compostos, resultantes da poluição provocada pelo homem, sobem para a estratosfera completamente inalterados devido à sua estabilidade e na faixa dos 10 a 50 km de altitude, onde os raios solares ultravioletas os atingem, decompõem-se, libertando seu radical, no caso dos CFCs o elemento químico cloro. Uma vez liberto, um único átomo de cloro destrói cerca de 100 000 moléculas de ozônio antes de regressar à superfície terrestre, muitos anos depois, sendo a principal causa da destruição da camada de ozônio, conforme explicado nas reações abaixo:

O Radical Livre Cloro que se forma, reage com o Ozônio, o decompondo em O2 (Oxigênio Gasoso) e OCl (Monóxido de Cloro):
Cl + O3 –> O2 + OCl
O OCl então pode reagir com outra molécula de O3, formando duas moléculas de O2 e deixando o Radical Livre Cl pronto para repetir o ciclo reacional:
OCl + O3 –> 2 O2 + Cl
O Ciclo prossegue até que o cloro se ligue a uma substância diferente de O3 que forme uma substância resistente à fotólise ou uma substância mais densa (que leve o Cl da camada de ozônio para uma mais baixa). Esse fenômeno causa a destruição na camada de ozônio.

Conseqüências do buraco na camada de ozônio:

Mais uma catástrofe, a radiação solar sendo emitida em níveis cada vez mais altos, devido à degradação antropogênica do Ozônio estratosférico (mais conhecido como camada de ozônio) o que aumenta a entrada de raios UV na atmosfera, vem comprometendo a saúde humana causando doenças como depressão do sistema imunológico, catarata nos olhos, câncer de pele e também ao ambiente como a diminuição da produção de cultivos agrícolas, árvores e organismos marinhos correndo sérios riscos de extinção.

A população da região Sul do Brasil, predominantemente Caucasiana branca, já está sendo afetada pelo aumento da radiação. Os números de casos de câncer de pele dobraram entre 1983 (0,88 casos por 100.000 pessoas) e 1993 (1,65 casos por 100.000 pessoas) no Rio Grande do Sul, referente aos dados da Secretaria da Saúde do estado. O câncer de pele já é o segundo tipo mais comum de câncer maligno na cidade de Rio Grande, sendo apenas suplantado pelos casos de câncer genital e gastrintestinal, respectivamente, entre as mulheres e os homens. Esta alta proporção esta relacionada as principais atividades econômicas da região, tais como a agricultura, a criação extensiva de gado e as pescarias, onde as pessoas ficam expostas várias horas do dia a ação direta dos raios solares, e que comprovam o aumento da radiação solar também no Brasil.

Alternativas:

Existem hoje vários projetos para diminuir a utilização dos CFC’s. Uma das alternativas tem sido os Hidroclorofluorcarbonetos (HCFC), haloalcanos em que nem todos os hidrogênios foram substituídos por cloro ou flúor. Seu impacto ambiental tem sido avaliado como sendo de apenas 10% em relação aos CFC. Outra alternativa é o Hidrofluorcarboneto (HFC) que não contém cloro e são ainda menos prejudiciais à camada de ozônio, porém apresentam alto potencial de aquecimento global, ou seja, eles contribuem para o efeito estufa.

Suspensão na emissão do CFC na China:

A partir de hoje, na China, a produção do principal gás responsável pelo buraco na camada de ozônio (o gás CFC), está proibida e as últimas fábricas que ainda o elaboravam suspenderão definitivamente suas atividades. O veto foi anunciado pela Administração Estatal de Proteção Ambiental e faz parte dos compromissos de Pequim com o Protocolo de Montreal, assinado em 1987, ratificado por 191 países e que tem como objetivo reduzir as emissões de substâncias prejudiciais para a camada de ozônio. Em relação ao acordo assinado em Montreal, para os países desenvolvidos deveriam suspender a produção do CFC até 2005, enquanto para os países em desenvolvimento têm como prazo até 2010.

Para não deixar dúvidas, o comunicado oficial do veto anunciado pela instituição afirma: “As companhias pertinentes devem destruir o equipamento usado na produção do CFC (clorofluorcarbono) até 15 de agosto. Os que não o fizerem serão punidos de acordo com a lei”.

Nos últimos anos, a emissão à atmosfera deste gás caiu 95%, permitindo que a camada de ozônio começasse a se recuperar, embora muito lentamente, porque estes compostos permanecem no meio ambiente durante muitas décadas. De acordo com as últimas pesquisas da ONU estimam que a camada de ozônio voltará a seus níveis de 1980, com uma recuperação total, entre 2055 e 2070.

Sobre

Maurí­cio Machado

Biólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.

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