Cobertura especial sobre o Dia Mundial da Água

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Cobertura especial sobre o Dia Mundial da Água

Dia Mundial da Água: ONU recomenda que países criem políticas para regular consumo

Ana Luiza Zenker
Repórter da Agência Brasil

O aumento cada vez maior do consumo de água vai exigir que os países estabeleçam políticas públicas para regular o seu uso. Essa é uma das conclusões do 3º Relatório das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Mundial dos Recursos Hídricos, divulgado durante o 5º Fórum Mundial da Água, que ocorre em Istambul, na Turquia, hoje (22), Dia Mundial da Água.

O documento informa que já existem políticas em diversos países para redução da demanda e do desperdício de água. O texto alerta também para a necessidade do envolvimento de todos os setores da sociedade responsáveis pelas tomadas de decisão, e não somente das áreas que tratam diretamento do assunto, na formulação de diretrizes para regular o consumo de água.

Entre os fatores que vão levar ao consumo ainda maior de água, prevê o relatório da ONU, estão o crescimento e a mobilidade da população, o aumento no padrão de vida, mudanças nos hábitos alimentares e o crescimento da produção de energia, particularmente de biocombustíveis. Além disso, segundo texto, os efeitos das alterações climáticas devem agravar a situação em países que já estão quase no limite de uso de água dos recursos hídricos.

De acordo com o relatório, triplicou a prospecção de água potável nos últimos 50 anos e dobrou o número de áreas irrigadas.

A ONU atribiu isso ao crescimento da população mundial, que registra cerca de 80 milhões de nascimentos por ano. O aumento demográfico vem resultando num  incremento anual  de 64  bilhões de metros cúbicos na demanda  por água.

A agricultura é o principal consumidor, respondendo por 70% do uso de água. Caso não sejam tomadas medidas para conter o uso dos recursos hídricos pelo setor agrícola, alertam os autores do relatório, a procura mundial por água vai crescer entre 70% e 90% até 2050.

Ainda segundo o relatório da ONU, a expansão da produção de biocombustíveis também contribuiu para aumentar o consumo de água. A produção de etanol, de acordo com o documento, triplicou entre 2000 e 2007 e pode chegar a 127 bilhões de litros até 2017. O Brasil e os Estados Unidos são os principais produtores, tendo como matrizes, respectivamente, a cana-de-açúcar e o milho.

Além disso, destaca o documento, as mudanças nos hábitos alimentares também têm aumentado a demanda pelos recursos hídricos, especialmente o crescimento do consumo de carne. Para a produção de um quilo de carne são necessários entre 800 e 4 mil litros de água.

 

Dia Mundial da Água: mundo está longe de acesso adequado a saneamento, diz relatório

Ana Luiza Zenker
Repórter da Agência Brasil

O acesso a serviços como água potável e saneamento básico continua inadequado na maior parte dos países em desenvolvimento de acordo com o 3º Relatório das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Mundial dos Recursos Hídricos, divulgado no 5º Fórum Mundial da Água, que encerra hoje (22), em Istambul, na Turquia.

De acordo com as perspectivas apresentadas no documento, em 2030, cerca de cinco bilhões de pessoas, 67% da população mundial, vão continuar sem esgotamento sanitário, se o cenário atual for mantido.

Dessa forma, a perspectiva de alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) relativos à água em 2015 é ao mesmo tempo promissor e alarmante. De um lado, a atual tendência leva a crer que 90% da população terá acesso a boas fontes de água potável no prazo estipulado; de outro, o progresso em termos de esgotamento sanitário, deve continuar insuficiente.

O objetivo estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2000 é reduzir pela metade, até 2015, o percentual da população sem acesso sustentável a uma fonte adequada de água potável e a saneamento.

No que diz respeito à água potável, o mundo como um todo está próximo de alcançar as metas establecidas  nos ODM, a não ser pela África Sub-Saariana, onde cerca de 340 milhões de pessoas ainda não têm acesso ao recurso natural.

Contudo, o mundo está longe de alcançar o objetivo de saneamento. Somente na África, meio bilhão de pessoas não têm acesso a esgotamento sanitário. De acordo com a ONU, os esforços devem ser redobrados para superar esse atraso.

Segundo o relatório, a ligação entre pobreza e recursos hídricos é obvia, pois o número de pessoas que vivem com menos de U$ 1,25 por dia coincide, quase que totalmente, com o número daqueles que vivem sem água potável.

O principal impacto dessa situação é observado na saúde, de acordo com os autores do documento. Quase 80% das doenças em países em desenvolvimento estão associadas à qualidade da água e causam cerca de três milhões de mortes por dia.

 

Dia Mundial da Água: bairro nobre de Brasília é recordista mundial de desperdício

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

O Brasil detém o recorde de desperdício de água por habitante no mundo. Ele foi detectado no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, onde o gasto médio diário por pessoa é de mil litros. Enquanto isso, em países da África, como a Namíbia, por exemplo, as pessoas têm menos de um litro de água por dia.  As informações são do engenheiro Paulo Costa, especialista em programas de racionalização do uso de água.

Ainda de acordo com Costa, da consultoria paulista H2C, que já desenvolveu mais mil projetos em empresas, hospitais e condomínios comerciais e residenciais,  o consumo diário médio de água por pessoa nos grandes centros urbanos brasileiros oscila entre 250 a 400 litros do recurso natural. O volume é mais que o dobro do considerado ideal pela Organização das Nações Unidas (ONU) fixado em 110 litros/dia.

Segundo ele, só cinco países no mundo apresentam um nível de consumo de água per capita previsto pela ONU: Alemanha, Bélgica, República Tcheca, Hungria e Portugal.

Em entrevista hoje (22) à Agência Brasil, o especialista explicou que os resultados alcançados por esses países são fruto da conjugação de tecnologia com informação, educação ambiental e reeducação da população adulta. Esse caminho, assinalou, também deve ser seguido pelo Brasil para reverter o alto nível de desperdício de água.

Em primeiro lugar, ele destacou a necessidade de os brasileiros adotarem uma nova postura diante do consumo de água. “Isso diz respeito à reeducação ambiental, que deve ser difundida entre os adultos”.

Costa defende ainda a introdução da disciplina de educação ambiental nos currículos das escolas de ensino fundamental para fazer com que as crianças recebam noções sobre o consumo racional de água. “Isso possibilita uma vantagem em termos de atitude em relação ao consumo”.

Para reduzir o desperdício, o especialista lembrou uma série de dicas, como os banhos mais curtos, uma vez que o chuveiro responde por 46% do consumo de água dentro de uma casa. Ele recomendou também que, ao fazer a limpeza de utensílios de cozinha, deve-se usar pouca água e muito sabão e bucha, lembrando que as torneiras e misturadores respondem por 14% do consumo domiciliar. Outra dica é escovar os dentes com a torneira fechada.”São cuidados básicos em relação ao que nós já temos quanto ao consumo.”.

Costa criticou a preocupação geral da sociedade e dos governos com a ampliação da produção de água, em vez de buscar reduzir o consumo.  “O que tínhamos de água disponível em 1950 é o mesmo que temos hoje, mas temos alguns bilhões a mais de seres humanos. Então, se não pensarmos em controlar a demanda, estamos completamente errados, porque o trabalho que as concessionárias de água e a população vêm fazendo é de apressar o término dos estoques. A água é a mesma, precisamos é controlar a forma como usá-la”, defendeu.

Dados da ONU apontam que mais de 4 bilhões de pessoas vão ter problemas com escassez de água em 2050.

Segundo o engenheiro, existe tecnologia de sobra no Brasil para gerir a demanda da água, que é um bem finito, não renovável e tem um custo elevado de tratamento. “É a atitude que nos falta”, afirmou.

De acordo com Costa, a conjugação de tecnologia e educação ambiental pode levar condomínios residenciais a terem 30% a 40% de economia por mês em seus gastos com água. Já nos condomínios comerciais, empresas e indústrias, a redução do gasto mensal com água pode chegar a 60%. “Ou seja, o que vemos como despesa no balanço de uma empresa pode se transformar em receita, por meio da adoção de programas de racionalização de consumo de água”, disse o engenheiro.

 

Dia Mundial da Água: escolas públicas do RJ e ES terão projeto sobre consumo consciente

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

Os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo vão implantar na rede pública de ensino fundamental, ainda neste semestre, o projeto Caminho das Águas.

O objetivo é conscientizar os estudantes do 6º ao 9º anos sobre a escassez de água e a importância da gestão adequada dos recursos hídricos. A estratégia inclui a formação de professores para levar o conhecimento aos alunos de forma lúdica e interativa.

Desenvolvido em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA) e a Fundação Roberto Marinho (FRM), o projeto já foi implantado no ano passado em Minas Gerais e Sergipe.

Segundo a coordenadora da Área de Meio Ambiente da FRM, Márcia Panno, a meta é atender também em 2009 os estados da Bahia e de Pernambuco.

Os seis estados fazem parte das quatro bacias hidrográficas selecionadas pela ANA para participação no programa: as dos rios Paraíba do Sul, São Francisco, Doce e  a PCJ (que inclui os Piracicaba, Capivari e Jundiaí).

“O projeto desenvolveu algumas ferramentas que podem ser usadas como estratégias de mobilização dos alunos para esse tema da água”, informou Márcia.

De acordo com ela, o projeto deve ser mantido por tempo indeterminado. Dois  professores de cada escola recebem orientações sobre gestão participativa e descentralizada da água, para se transformarem em multiplicadores dos ensinamentos para outros educadores. As escolas são selecionadas pelas secretarias de educação. Os Comitês de Bacias Hidrográficas sugerem os municípios a serem atendidos, esclareceu Márcia Panno.

O material educativo elaborado pela Fundação Roberto Marinho inclui  jogos e músicas e pode ser aplicado no dia-a-dia das escolas por professores de geografia e ciências e de outras disciplinas.

“A gente tenta criar ganchos com o currículo escolar para permitir esse trabalho em sala de aula com os professores”, destacou Márcia Panno. Estão previstas também atividades que envolvem toda a comunidade.

Em Minas Gerais, o Caminho das Águas chegou a 410 escolas públicas,  englobando 140 mil alunos de 129 municípios do estado e um total de 820 educadores. Em Sergipe, foram 40 escolas e 12 mil alunos beneficiados.

Os municípios a serem atendidos pelo programa são sugeridos pelos Comitês de Bacias Hidrográficas.

 

Dia Mundial da Água: escassez e excesso refletem aquecimento globlal, diz WWF

Lisiane Wandscheer
Repórter da Agência Brasil

As mudanças climáticas terão impacto direto nos sistemas hídricos do planeta, seja pela falta ou pelo excesso de água e esse processo já começou, alerta a a organização não-governamental Fundo Mundial para a Natureza, conhecida como WWF (World Wide Fund For Nature).

O coordenador do programa Água para a Vida, da WWF-Brasil, Samuel Barreto, afirma que fenômenos recentes como a passagem do furacão Katrina, pelos Estados Unidos, em 2005, e as inundações deste ano no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, são consequências das mudanças climáticas.

Para chamar a atenção sobre o assunto, a entidade promove promove no próximo sábado (28) às 20h30min, o ato Hora do Planeta. O objetivo é mobilizar mais de um bilhão de pessoas em mil cidades no mundo a apagar as luzes para simbolizar a preocupação com os efeitos do aquecimento global.

“Queremos convocar a sociedade para este grande ato. Precisamos pensar estratégias de controle dos efeitos do aquecimento global e combater as causas. Os eventos climáticos estão acontecendo com maior intensidade e num período cada vez mais curto”, disse o biólogo em entrevista à Agência Brasil.

Para ele, é preciso que as propostas para o país contidas no Plano Nacional de Mudanças Climáticas, aprovado em 2008, sejam implementadas rapidamente.

“Precisamos saber o que está acontecendo regionalmente. Os relatórios de mudanças climáticas mostram que haverá uma desertificação da parte oriental da Amazônia e uma ampliação da região do semi-árido”, argumentou.

Barreto alerta para a necessidade de governos, iniciativa privada e sociedade preparem-se para os riscos, vulnerabilidades e impactos da destruição dos sistemas naturais. Segundo ele, nas áreas urbanas a falta de tratamento de esgoto compromete a qualidade das águas, e no meio rural o desmatamento prejudica a capacidade de recarga do ciclo hídrico, conduzindo à escassez.

“O mau uso dos recursos hídricos leva à escassez, o que pode gerar conflito entre as populações”, afirmou.

O biólogo também apontou avanços na conscientização da população. De acordo com ele, uma pesquisa realizada pelo Ibope em 2008, a pedido da WWF, em 2008, mostra que 90% da população acredita que o Brasil terá problemas com a água no futuro e vê como prinicipais causas para isso o desperdício (47%) e o desmatamento (22%).

Para o representante da entidade, as mudanças de comportamento que podem alterar esse cenário devem começar dentro de casa.

“Reduza um a dois minutos o tempo de banho e economizará de três a seis litros de água. Ao multiplicarmos este volume pelo número de habitantes de uma cidade percebemos que ações individuais podem trazer impactos positivos”, destacou Barreto.

 

Dia Mundial da Água: escassez é resultado de falta de gerenciamento e degradação do solo, avalia pesquisador

Lisiane Wandscheer
Repórter da Agência Brasil

A escassez de água é um problema de falta de gerenciamento do recurso em todas as instâncias, na opinião do diretor do Instituto de Permacultara do Pampa (Ipep), João Rockett.

“Quando falamos em faltar água, falamos em água potável. Usamos mal a água. Gastamos um copo de água para beber e gastamos três para lavar o copo usado”, exemplifica.

Entre os fatores envolvidos na questão da água, Rockett destaca a degradação do solo. Segundo ele, a escassa camada vegetal existente em função do mau uso do solo e dos desmatamentos leva ao desaparecimento da fauna e acaba com as águas das nascentes, trazendo perdas econômicas em todas as regiões.

“É como se raspássemos todos os pêlos de uma pessoa. A água escorreria pelo corpo, não teria onde parar. O agricultor virou um garimpeiro do campo. Não estamos plantando, estamos garimpando o solo. Antes, com 60 dias de seca, o solo resistia. Hoje, não, porque o solo não é permeável”, explicou o diretor, lembrando que, atualmente, o Paraná tem apenas 5% de sua vegetação nativa e Minas Gerais, 3%.

Segundo Rockett, o efeito esponja do solo se perdeu e os aqüíferos estão diminuindo no mundo inteiro. “Na China, o lençol freático já baixou quase 70 metros”, afirmou.

O diretor do Ipep diz que um exemplo positivo para mudar esse panorama é o projeto Caminhos das Águas, patrocinado pela Petrobras, desenvolvido pelo Instituto em parceria com a Fundação Avina, nas comunidades da região do Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais.

O trabalho consiste em orientar as famílias para desenvolver técnicas alternativas de produção agrícola, melhorar o aproveitamento da água, além de usar filtros biológicos para o esgoto.

“Fizemos hortas nos quintais e cobrimos com palha para economizar e reter a água. Reutilizamos a água do chuveiro e da pia. Foi surpreendente a resposta num ambiente que chega a ficar 60 meses sem chuva”, relatou

O agricultor João Coelho, conhecido como Seubeu, é morador da comunidade de Alfredo Graça, no município de Araçuaí. Ele sempre viveu na região o gado morria na época da seca ou era preciso levá-lo de um lado para outro até encontrar água.

Ele conta que na comunidade de Cruzinha, onde não há nenhum rio próximo, as pessoas precisam contratar um caminhão para levar água até suas casas. “Minha tia paga vinte e cinco reais por mil e duzentos litros de água. Só dá para usar na casa, não dá para pensar em plantar nada.”

Seubeu integrou o projeto e aprendeu a fazer caixas para armazenar a água da chuva, a construir mini barragens para utilizá-la quando a seca piora e a plantar mudas para conter a água. “Antes, quando chovia, a água ia embora. Agora estamos preparados”, disse o agricultor.

Agência Brasil

Sobre

Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

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