Compensar a emissão de gás carbônico plantando árvores

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Compensar a emissão de gás carbônico plantando árvores

ONU estuda recompensar a redução do desmatamento no mundo

18 de maio de 2007 – 15:53

Medida estaria de acordo com o Protocolo de Kyoto, que permite às empresas descontar de suas emissões de CO2 os investimentos em energias renováveis em países em desenvolvimento

(Efe)

SEVILHA, Espanha – A ONU estuda recompensar a luta contra o desmatamento com um mecanismo similar ao aplicado aos direitos de emissão de dióxido de carbono (CO2), anunciou à agência Efe o diretor de Ordenação Florestal da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), o chileno José Antonio Prado.

Prado, que esta semana participou em Sevilha (sul da Espanha) da 4ª Conferência Internacional sobre Incêndios Florestais, explicou que grupos científicos da convenção contra a mudança climática já trabalham no novo procedimento, denominado “desmatamento evitado”.

O dirigente da FAO explicou que o Protocolo de Kyoto estabelece os denominados Mecanismos de Desenvolvimento Limpo, que permitem às empresas descontar de suas emissões de CO2 os investimentos em energias renováveis realizados em países em desenvolvimento.

De forma similar, o desmatamento evitado compensaria economicamente as atuações em reflorestamento em função do volume de CO2 que a vegetação protegida fixa da atmosfera.

Prado lembrou que a cada ano são perdidos 7,8 milhões de hectares de coberta vegetal (4 milhões por incêndios) no planeta, já que os 5,6 milhões de hectares replantados não cobrem os 13,4 milhões de hectares desflorestados.

O representante da FAO considerou evidente que os incêndios “geram uma quantidade enorme de CO2”, que aumentam a mudança climática. Isto ocasiona “variações no clima que aumentam as primaveras em algumas regiões, causando mais incêndios mais devastadores”.

Lembrou que a FAO trabalha há anos para que todos os países assumam compromissos na luta contra os incêndios florestais e apliquem os critérios de gestão do fogo do organismo.

Prado acredita que a ameaça global da mudança climática intensificará a cooperação com os países em desenvolvimento, pois a queima de florestas tropicais, por exemplo, repercute no aquecimento de todo o planeta.

Segundo disse, esta cooperação é “muito importante” porque alguns países que produzem grandes incêndios “não têm capacidade para enfrentar este problema”.

“Para a FAO, os incêndios florestais constituem um assunto prioritário há muitos anos, não só por seu tremendo impacto ambiental, mas também pelo social, já que põem em risco o meio de subsistência de muita gente”, disse.

Estadao.com.br

Este estudo trata-se de uma idéia muito interessante, e por sinal muito boa, pouquíssimas pessoas levariam um estudo por este mesmo ponto de vista, e esta idéia é uma solução “diferenciada” para reduzir a emissão de gás carbônico.

Trata-se do ponto de vista partindo da análise que empresas não tenham como adquirir mais técnicas em sua infra-estrutura, ou seja, tudo que foi cabível ser feito na empresa para reduzir os impactos ao meio ambiente já foram feitos, mas mesmo assim a indústria continua emitindo uma grande quantidade de gases poluentes, então para “compensar” esta emissão, no caso das empresas com grande capital disponível para investimento, deveriam propiciar técnicas para serem implantadas em países subdesenvolvidos com objetivo de que as queimadas diminuam.

Árvores na cidadeComo já abordamos em um artigo (Analisando o relatório do IPCC, sobre as influência das queimadas na emissão de gases poluentes) as queimadas são uma fonte altamente responsável pelo aumento do efeito estufa já que contribuem diretamente com o aumento da emissão de gás carbônico e com isso o mundo inteiro sofre estes problemas, pelo aumento da temperatura, e muitas vezes os países subdesenvolvidos não tem como investir em suporte contra queimadas, por isso, esta nova solução, é muito boa.

Conforme foi destacado na notícia acima, de acordo com o Protocolo de Kyoto é estabelecido que os Mecanismos de Desenvolvimento Limpo, que permitem às empresas descontar de suas emissões de CO2 os investimentos em energias renováveis realizados em países em desenvolvimento, o mesmo pode ser feito aplicando esta idéia contra os incêndios, já que o desmatamento evitado compensaria economicamente as atuações em reflorestamento em função do volume de CO2 que a vegetação protegida fixa da atmosfera.

Ou seja, se uma empresa necessita plantar um certo número de árvores para compensar suas emissões de gás carbônico, pode ser aplicado à mesma lógica evitando que esse certo número de árvores sejam queimadas. Porém haveria uma variação nessa taxa, e mesmo assim seria necessário plantar árvores (mas em menor quantidade) para compensar sua emissão total de gás carbônico, ou ainda evitar uma área maior de incêndios. Essa variação ocorre, pois uma árvore nova que é plantada, irá absorver muito mais gás carbônico da atmosfera do que uma árvore que já é bem antiga, já que esta nova árvore necessitará absorver mais gás carbônico para seu crescimento.

Vamos transformar esta idéia em um exemplo numérico fictício: uma empresa emite anualmente 100 toneladas de gás carbônico, então seria necessário plantar mil árvores por ano que iriam absorver a quantidade necessária de gás carbônico até estabelecerem-se em sua faixa adulta. Já se forem evitadas que mil árvores, já fixadas em sua faixa adulta, sejam queimadas em um ano, não irá absorver a mesma quantidade de gás carbônico, pois passaria a absorver cerca da metade dessa taxa de gás carbônico e seria necessário plantar mais 500 árvores para compensar o total de gás carbônico emitido. Mas o grande diferencial nestes cálculos é referente ao valor dos investimentos, pois para evitar que mil árvores sejam queimadas sairá um preço mais inferior do que plantar mil árvores. E seguindo o mesmo raciocínio pode haver até um investimento menor se uma área de duas mil árvores for evitada de ser queimada.

Além disso, devemos ter em mente, que mesmo que as árvores antigas não absorvam tanto gás carbônico da atmosfera quanto árvores novas, ao evitar queimadas, está sendo evitado conseqüentemente que mais gás carbônico seja liberado na atmosfera com as queimadas.

E também não que com isso estamos falando para cortar árvores antigas e começar a plantar novas, pois alguma empresa madeireira já poderia estar feliz com a idéia de usar a madeira (matéria-prima) das árvores antigas que são bem valorizadas e plantar umas árvores novas no lugar, mas com isso essas novas árvores estarão sim absorvendo mais gás carbônico, porém há todo ecossistema que pode ser destruído, plantas e animais entrando em extinção e podendo desequilibrar muito mais esta área do que apenas absorver gás carbônico em maior quantidade.

Árvores na cidadeComo o exemplo acima (da quantidade de emissão de gás carbônico e quantidade de árvores necessárias serem plantadas para neutralizar esta emissão) foi fictício, não podemos de deixar de expor a realidade para os leitores, então fazendo uma média de valores, pode se chegar à estimativa de que a cada 180 quilos de gás carbônico emitido, deve ser plantada uma árvore. Mas como saber uma média aproximada de quanto gás carbônico uma pessoa como você emite? Há um projeto muito interessante, “Iniciativa Verde”, que disponibiliza em seu site uma calculadora que ao fornecer dados como freqüência que você utiliza automóvel, energia elétrica gasto, etc, exibe um valor aproximado, e relaciona com o número de árvores que teoricamente deveriam ser plantadas para compensar essa emissão: Clique aqui para acessar a calculadora. Para se ter uma idéia aproximada do resultado que pode vir, uma família de 5 pessoas pode emitir uma média de 2 a 4 toneladas de gás carbônico e será necessário plantar de 10 a 30 árvores.

A idéia deste projeto “Iniciativa Verde” também é muito boa, pois conscientiza a pessoa da imensa quantidade de gás carbônico que emitem e incentiva as pessoas a teoricamente plantarem árvores, ou ainda pagarem um valor para que o projeto plante as árvores necessárias, e cobram atualmente R$ 12,00 (doze reais) para plantar cada árvore. Sem querer criticar a idéia em si deste projeto que é boa, mas criticando este objetivo de receber doações para plantar árvores, pois isto não trata de um objetivo altamente viável, já que uma família que precisar plantar 30 árvores por ano deverá pagar 360 reais por ano é muito difícil alguém desejar investir este dinheiro sem saber se realmente estas árvores seriam plantadas. Ou ainda mais difícil de alguém se comprometer a plantar estas 30 árvores por ano. Além disso, não podemos esquecer de um dado publicado, que mostra que em um ano esta ong plantou cerca de 20 mil mudas em área de preservação permanente de mata ciliar a maioria no interior de São Paulo, mas esse efeito é perdido ao ver todas as árvores que foram cortadas, e ainda ao analisar toda emissão de gás carbônico.

Então o que é sugerido para este objetivo tornar-se de maior efeito, não é sair plantando árvores por aí, que apesar de ser uma ação que já ajuda, é como uma formiguinha querendo lutar contra um ser humano para não ser pisada, e infelizmente nossa situação é de inferioridade quando somos comparados a toda força da natureza (incluindo as formigas), por isso o objetivo é de que inicialmente sejam diminuídas as origens de degradação ao meio ambiente como fontes de emissões de gás carbônico, cidades com pouca infra-estrutura em que não há rede de esgoto, coleta seletiva de lixo, reciclagem do lixo, enfim, inicialmente deve ser diminuído a degradação ao meio ambiente. E simultaneamente devemos aplicar técnicas para neutralizar toda degradação que já foi feita ao planeta, mas não cobrando de pessoas para plantar árvores, mas sim o próprio governo investindo em infra-estrutura nas cidades para o reflorestamento, mas também não só isso, deve ser investido também em sistemas já citados como uma estação de tratamento de água e rede de esgoto e também na viabilização de energias alternativas como energia solar, eólica, entre outros investimentos, que todos nós devemos pressionar as autoridades para que sejam feitos, que além de passar a beneficiar o meio ambiente estará também beneficiando toda sociedade, que passará a conviver em situações melhores, com mais infra-estrutura, em uma ambiente mais agradável.

E além de plantar árvores para compensar a emissão de gás carbônico que cada pessoa faz, também é necessário que cada um utilize conscientemente os recursos naturais sem desperdício, até mesmo porque a emissão de gás carbônico que provoca o aumento da temperatura no planeta não é o único problema relacionado ao meio ambiente, há também outras questões como falta de água que não podem ser esquecidas.

Sobre

Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

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