

Compostos na Antártida reduzem a camada de ozônio
Sexta-feira, 20 de Julho de 2007
Categoria(s): Artigos, Notícias
|-> Publicado por: Maurício Machado
Em um recente estudo publicado na revista Science analisando o gelo da Antártida que flutuam durante todo o ano, foram encontrados dois compostos químicos que são responsáveis pela formação de nuvens e podem ser fundamentais em outros processos referentes às mudanças climáticas.
O principal responsável pela pesquisa é o espanhol Alfonso Saiz-López, membro do Jet Propulsion Laboratory, da Nasa, que explicou a surpresa dos cientistas ao encontrar altas concentrações de dois materiais em suspensão sobre o gelo da Antártida: óxido de bromo e óxido de iodo. Já no Ártico não foi detectado o iodo.
Para situar os leitores nas localizações citadas vamos a uma rápida explicação:
A Antártida ou Antártica é o mais meridional dos continentes e um dos menores, com catorze milhões de quilômetros quadrados. Rodeia o Pólo Sul, e por esse motivo está quase completamente coberto por enormes geleiras (glaciares). Pelas extremas condições climáticas, a Antártica não tem população permanente, tendo uma população residente de cientistas e pessoal de apoio nas bases polares, que oscila entre o milhar (no inverno) e os quatro milhares de pessoas (no verão).
No mapa abaixo, está destaca a Antártida:

O Ártico, ou Região Ártica é geralmente definido como aquela onde a temperatura média do mês mais quente do verão ártico (julho) é inferior a 10 °C na região setentrional do planeta Terra. Na região Ártica se encontra o Oceano Ártico e o Pólo Norte e essa região se encontra praticamente toda inscrita no Círculo Polar Ártico.
Veja o mapa abaixo demarcando a região Ártica e os países nela contidos:

Outro resultado inusitado no mesmo estudo foi comprovar que mesmo em períodos de luz solar as altas concentrações desses dois elementos se mantêm. Este estudo revela, pela primeira vez, que o iodo prejudica seriamente a camada de ozônio da atmosfera, chegando a ser quatro vezes maior na camada mais baixa da atmosfera do Pólo Sul.
Até o momento acreditava-se que os efeitos dos compostos encontrados estavam associados com mudanças apenas em latitudes altas, mas Saiz-López afirma que as concentrações detectadas parecem apresentar grandes alterações sobre a química atmosférica mesmo de camadas inferiores.
O cientista continuou explicando no estudo que, há 20 anos, pensava-se que os halógenos, elementos químicos destacando especialmente o flúor, o bromo, o iodo e o cloro, tinham grande impacto na destruição da camada de ozônio, mas isso em latitudes médias e do norte da zona inferior da atmosfera, conhecida como troposfera (até a altura de 12 km).
Mas isso porque não existiam medições diretas dos halógenos ativos sobre o gelo antártico principalmente por motivos referentes à falta de investimentos. E com as medições realizadas agora, após uma longa pesquisa com muitas observações realizadas na estação Halley sobre os compostos químicos que flutuam a poucos metros da superfície da Antártida.
De acordo com a pesquisa, os níveis de óxido de iodo são os maiores detectados na primavera em qualquer parte da atmosfera, e essa aparente sinergia com o óxido de bromo faz pensar em uma possível existência de um novo mecanismo emissor de iodo que é desconhecido até o momento. Já que com a presença de elevadas concentrações de óxido de iodo na atmosfera demonstra a possibilidade de formação de partículas que cresceriam até se formar em núcleos de condensação de nuvens, tendo impacto sobre o clima.
Deixando de lado possíveis suspeitas, o importante foi descobrir os compostos (óxido de bromo e óxido de iodo) na Antártida e óxido de bromo no Ártico e que influenciam na redução da camada de ozônio, atingindo não só altas latitudes como também camadas mais baixas.
Isso servirá de base para novas pesquisas para se encontrar alternativas com objetivo de se tentar reduzir esses compostos nessas regiões, e destacar a importância de não ocorrer emissão industrial (de atividades humanas) de substâncias que destruam a camada de ozônio, já que é muito difícil reduzir os halógenos naturais.
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