Conferência da ONU muda rotina de moradores da Ilha de Bali, na Indonésia

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Conferência da ONU muda rotina de moradores da Ilha de Bali, na Indonésia

Conferência da ONU muda rotina de moradores da Ilha de Bali

Luana Lourenço
Enviada especial

Com mais de 15 mil ilhas, a Indonésia pode ser uma das principais nações afetadas pelo aquecimento global, caso sejam confirmadas as previsões de aumento da temperatura e elevação do nível do mar, previstas por organismos como o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).

Escolhida para sediar a 13ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP-13), a Ilha de Bali, uma das mais importantes do país, pode se transformar em um “paraíso perdido” se os países não tomarem decisões urgentes em relação aos impactos das mudanças climáticas, avaliou o secretário-executivo da Convenção da Organização das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, Yvo de Boer.

Na ilha, as ruas estão cobertas de bandeiras com a logomarca da COP-13 e mensagens de boas vindas em diversas línguas aos delegados da ONU. Todos os hotéis de Nusa Dua – onde funciona a sede do evento – e de Sanur e Kuta, regiões próximas, estão lotados, de acordo com o serviço turístico da cidade. O deslocamento das delegações no início do dia provoca grandes trechos de lentidão no trânsito, onde vigora a mão inglesa e há mais motocicletas que carros.

“A cidade está muito cheia, mais do que nas altas temporadas de turismo. E dessa vez está tudo muito concentrado”, avaliou o motorista de táxi Nea Karry, que não está acompanhando os assuntos discutidos pelos negociadores internacionais, mas já avalia positivamente os resultados da COP – pelo faturamento com a jornada de trabalho intensificada.

Nascido na Ilha de Bali, Gede Artade, que trabalha em um hotel da cidade, acompanhou somente a abertura oficial da COP-13 pela televisão. Longe dos debates, acredita que a reunião pode ajudar o futuro do planeta.

“Sei que eles precisam chegar a um acordo, tomara que isso aconteça. Sei que será bom não só para a Indonésia, mas para o mundo inteiro. [O aquecimento global] é uma questão muito séria”, avaliou.

De acordo com a ONU, até o dia 14, fim da COP-13, mais de 10 mil pessoas passarão por Bali para acompanhar as negociações mundiais sobre o futuro das estratégias para enfrentar as mudanças climáticas.

Desmatamento e mercado de carbono serão discutidos em grupos específicos em Bali

Luana Lourenço
Enviada especial

As negociações formais entre os países que estão na 13ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP-13) avançaram hoje (4) nas reuniões dos dois grupos subsidiários da convenção, dos quais um trata de implementação e outro, de assessoria técnica e científica. Os negociadores aprovaram a criação de grupos de contato para discutir as principais questões levantadas pelos países durante as apresentações, entre elas as emissões de carbono por desmatamento e transporte e o fortalecimento de mecanismos de adaptação às mudanças climáticas já existentes.

Esses grupos, que a partir de amanhã se reunirão a portas fechadas, adiantarão as discussões e tentarão chegar a acordos sobre os temas que serão negociados pelos ministros de Estado na próxima semana. A secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Thelma Krug, e o secretário executivo da Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima, José Domingos Miguez, adiantaram que deverão participar de discussões específicas sobre reduções de emissões por desmatamento e Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), respectivamente.

Em um evento paralelo à agenda oficial da COP, a organização não governamental (ONG) Greenpeace lançou uma proposta de mecanismo híbrido para compensar financeiramente a redução do desmatamento e diminuir as emissões de gases de efeito estufa por meio da conservação das florestas tropicais no âmbito do Protocolo de Quioto.

A idéia é unir soluções de mercado e ações de governança para reduzir as emissões, proteger a biodiversidade e defender as populações tradicionais das florestas. O dinheiro viria de um fundo internacional regulado por mecanismos de mercado, e os países em desenvolvimento interessados nos recursos deveriam comprometer-se com metas de redução de desmatamento. “O fundo precisaria de 14 bilhões de euros [cerca de R$ 37 bilhões] em cinco anos e seria acompanhado de um sistema de governança consistente”, afirmou Paulo Adário, coordenador da Campanha Amazônia da ONG.

Diferentemente da proposta brasileira, a do Greenpeace é baseda em soluções de mercado, e funcionaria como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que possibilita o comércio de redução de emissões entre países desenvolvidos que têm metas a cumprir e nações em desenvolvimento.

A proposta deverá ser levada ao grupo de contato formado para debater a questão das emissões por desmatamento. De acordo com Adário, a idéia também foi apresentada ao governo brasileiro hoje. Mais cedo, a secretária Thelma Krug voltou a afirmar que o Brasil não pretende fazer concessões sobre a utilização de mecanismos de mercado para compensar redução de desmatamento.

A coordenação da delegação brasileira em Bali deverá organizar um evento paralelo em que a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, apresentará os números e os resultados das políticas brasileiras pela redução do desmatamento nos últimos anos. A chegada da ministra está prevista para terça-feira (11).

Comunidade científica espera que Brasil atue como protagonista em Bali, diz professor

Danilo Macedo
Repórter da Agência Brasil

A comunidade científica espera ver, em Bali, um maior protagonismo do Brasil. A avaliação é do professor Carlos Nobre, climatologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que disse que o país deveria assumir um papel de liderança entre as nações com florestas tropicais, numa proposta “arrojada” e “inovadora” de redução dos desmatamentos.

“Gostaríamos de ver o Brasil liderando e buscando mecanismos que recompensem os países tropicais que reduzirem suas taxas de desmatamento”, comentou Nobre, em entrevista à Rádio Nacional. Ele disse que o Brasil tem a melhor tecnologia de monitoramento de florestas por satélite e que, por isso, deve buscar maneiras alternativas de desenvolver as regiões tropicais sem desmatar.

Para o pesquisador, o país tem investido em tecnologias limpas, como a produção do biocombustível de segunda geração, produzido a partir de resíduos agrícolas. No entanto, ele defende que os investimentos em recursos humanos e equipamentos tecnológicos na área deveriam ser dez vezes maiores.

O professor disse que o mais importante na Conferência de Bali é que os representantes das 190 nações reunidas concordem numa estratégia que possibilite um novo acordo até 2009. O acordo deve buscar uma redução das emissões para a próxima década, quando, segundo Nobre, elas chegarão ao nível máximo. “A partir daí, iniciamos uma queda das emissões, para chegar em 2040, ou 2050, com 50%, 60% ou até 70% de redução das emissões”.

A grande questão, segundo o professor, é quem vai pagar os custos das mudanças nos países pobres, que pouco contribuem para as mudanças de temperatura e estão entre os que sofrem os impactos mais severos. Ele disse que os países desenvolvidos são “superdesenvolvidos” e deveriam repassar tecnologias, conhecimento e recursos para que os países pobres também possam contribuir. “Eles [países mais industrializados] não precisam se desenvolver mais, precisam apenas manter uma qualidade de vida para sua população”, observou.

Além disso, o climatologista disse que os países ricos têm muita “gordura” para queimar em relação às suas emissões de carbono, enquanto os países mais pobres consomem pouco petróleo, carvão e gás natural.

Relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), divulgado em 27 de novembro, mostra que as nações ricas são responsáveis por 70% das emissões de gases de efeito estufa, enquanto os países em desenvolvimento respondem por 28%, e as nações pobres, por 2% delas.

Agência Brasil

Sobre

Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

  1. rafaela
    rafaelaabr 29, 2008

    eu não gostei desse conteúdo. eu queria que vocês falassem de uma tecnologuia criada para ajudar melhorar o meio ambiente nao essa notícia falando sobre a Indonésia que é um conteúdo muito distante de meu interesse.

    espero que vocês aceitem minha sugestão,
    muito obrigada, rafaela.

  2. Maurí­cio Machado
    Maurí­cio Machadomaio 01, 2008

    Olá Rafaela. Acho muito bom seu interesse em conhecer novas tecnologias focadas em técnicas ou pesquisas para melhoria do meio ambiente.

    Para ver alguns de nossos conteúdos que tratam sobre esse tema, veja este link (de pesquisa interna do site): http://amanatureza.com/?s=tecnologia&x=0&y=0

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