Conferência sobre o clima, na Indonésia, entra na fase final

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Conferência sobre o clima, na Indonésia, entra na fase final

Com chegada de ministros, conferência sobre o clima entra na fase final

Luana Lourenço
Enviada especial

Após uma semana e meia de muita negociação e poucos resultados concretos revelados, a 13ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP-13) entrou em uma segunda etapa, a fase ministerial. Ministros e chefes de Estado participaram da cerimônia de abertura e até sexta-feira (14) deverão bater o martelo sobre os resultados da conferência, com o estabelecimento do chamado Mapa do Caminho, um roteiro para o futuro regime global de mudanças climáticas que sucederá o primeiro período de compromisso do Protocolo de Quioto.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon disse que as mudanças climáticas “são o maior desafio moral da nossa geração” e citou os resultados científicos apresentados ao longo do ano pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) como um sinal de urgência por respostas políticas ao aquecimento global. “A hora de agir é agora. O mundo está de olho nas negociações em Bali”, afirmou.

Em um discurso interrompido por aplausos, o primeiro ministro da Austrália, Kevin Rudd, empossado recentemente, disse que o país pretende reduzir em 60% as emissões de gases de efeito estufa até 2050.

Rudd, que assinou o Protocolo de Quioto há uma semana, reconheceu que “ações unilateriais não resolverão o problema” e, numa referência aos Estados Unidos, disse que os países têm que assumir compromissos efetivos em relação às mudanças climáticas, estejam eles dentro ou fora do âmbito do protocolo. “Não haverá plano B, não temos outro planeta para fugir”, afirmou.

A dois dias do final da reunião, alguns resultados já foram anunciados antes das decisões ministeriais. Depois de muito negociar, os países concordaram em implementar o chamado Fundo de Adaptação, com recursos para preparar as nações mais vulneráveis para lidar com os impactos das mudanças climáticas.

O Banco Mundial vai bancar o fundo e o Global Environmental Facility (GEF) será o gestor temporário, até o estabelecimento de um comitê com 16 membros referendados pela Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas.

Um documento sobre a redução de emissões por desmatamento também foi acordado pelos integrantes do grupo de trabalho internacional formado para debater o assunto e deverá orientar a criação de um mecanismo para o tema em meados de 2008, depois de receber sugestões dos países.

Já o debate sobre transferência de tecnologia, anunciado desde o início da COP como um dos principais desafios para alavancar a redução de emissões de gases de efeito estufa, principalmente nos países em desenvolvimento, ficou de fora da agenda de mudanças climáticas este ano.

 

Amorim defende em Bali uso de biocombustíveis e cobra recursos para países em desenvolvimento

Luana Lourenço
Enviada especial

Na abertura da etapa ministerial da 13ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP-13), o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que discursou em nome da delegação brasileira, defendeu hoje (12) metas de redução de emissões de gases de efeito estufa mais ambiciosas para países desenvolvidos, cobrou compromissos financeiros dessas nações e afirmou que os biocombustíveis têm um potencial ainda não explorado no combate ao aquecimento global.

O ministro destacou o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas para cobrar atitudes mais enérgicas dos países industrializados do mundo, que contribuíram historicamente para as emissões de gases estufa. “Eles devem ter novos e mais ambiciosos objetivos de redução das emissões que sejam legalmente obrigatórios e devem cumprir suas obrigações financeiras, a fim de ajudar os países mais pobres a fezer sua parte”.

Ser citar nominalmente os Estados Unidos, mas em uma referência direta, Amorim classificou como “extremamente preocupante” o fato de o maior emissor de gases estufa ainda se recusar a aderir ao Protocolo de Quioto

Amorim também criticou os Estados Unidos e a União Européia ao defender o uso de biocombustíveis como possibilidade de enfrentamento do aquecimento global. Há uma semana, os países propuseram destarifar uma lista de produtos ambientais, mas não incluíram o etanol, o que o ministro classificou de protecionismo.

“Os biocombustíveis produzidos nos países em desenvolvimento apresentam grande potencial para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. No entanto, grandes consumidores de energia do mundo desenvolvido têm colocado todo tipo de barreira aos biocombustíveis dos países em desenvolvimento, mas ao mesmo tempo gastam bilhões de euros e dólares

subsidiando seus produtos ineficientes”, afirmou.

A posição brasileira contrária à inclusão dos mecanismos de mercado como resposta preferencial às mudanças climáticas também foi destacada durante o discurso e reafirmada em entrevista a jornalistas brasileiros.

Sobre uma possível mudança de posição do Brasil nas negociações, que ao longo da semana ampliou o diálogo com outros países e aceitou concessões inclusive em relação a temas de desmatamento, Amorim afirmou que “quando se está num nível técnico e passa para o político, sempre há uma mudança de tom”.

Amorim disse que espera que a elaboração efetiva do Mapa do Caminho – roteiro para o futuro regime global de mudanças climáticas que sucederá o primeiro período de compromisso do Protocolo de Quioto – seja o resultado dessa COP, que termina na próxima sexta-feira (14).

 

Marina Silva pede engajamento de todos os países para conter aquecimento global

Luana Lourenço
Enviada especial

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que representará o Brasil nos próximos dois dias de negociações da 13ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP-13), disse hoje (12) que todos os países devem contribuir para enfrentar o aquecimento global. Segundo ela, os países desenvolvidos devem continuar liderando o processo, com metas adicionais de redução de emissões.

Marina ressaltou que o Brasil tem posição proativa nesse contexto, principalmente por meio das políticas de preservação das florestas. Ela destacou os esforços na redução de desmatamento da Amazônia, que nos últimos três anos apresentou queda de cerca 60%. De acordo com a ministra, no entanto, é preciso construir novos padrões de desenvolvimento para a Amazônia para continuar reduzindo o desmatamento.

A ministra, no entanto, afirmou que a imposição de metas de redução de desmatamento, defendida por algumas organizações não-governamentais (ONGs), não necessariamente implicaria melhores resultados.

“Se há cinco anos alguém chegasse e perguntasse para o Ministério do Meio Ambiente quantas toneladas de carbono gostaríamos de reduzir, com certeza não diríamos que era 500 milhões, se questionassem em quanto queríamos diminuir o desmatamento, com certeza teríamos dificuldade de dizer que seria 59%. O importante é que o Brasil está fazendo um plano, definindo uma política de mudanças climáticas”, apontou Marina.

Em relação ao rumo das negociações internacionais em Bali, a ministra disse que é preciso equilibrar as responsabilidades entre os países que já alcançaram a estabilidade econômica e as nações que ainda estão a caminho desse objetivo. Até sexta-feira (14), os países participantes devem apresentar um roteiro para a preparação do regime global de mudanças climáticas que substituirá o Protocolo de Quioto.

“Há um cálculo que precisa ser feito: como os paises desenvolvidos vão dar suporte em termos de transferência de tecnologia, de capacitação, para que os países em desenvolvimento contribuam sem que isso comprometa a necessidade de combater pobreza, de viabilizar condições básicas das populações”, avaliou a ministra.

Agência Brasil

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Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

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