Custo de termelétricas compensa risco de racionamento

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Custo de termelétricas compensa risco de racionamento

Ministro diz estar confiante que será possível desligar termelétricas

Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse hoje (27) estar confiante da possibilidade de desligar parte das usinas térmicas que foram acionadas desde o final do ano passado para compensar as perdas nos reservatórios das hidrelétricas. Lobão participa nesta manhã de reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que está discutindo o assunto.

“As grandes usinas, com a de Itaipu e a de Tucuruí, já estão vertendo [água]. As chuvas foram generosas e São Pedro nos ajudou realmente”, comemorou.

O ministro ressaltou que a possibilidade de operar sem as termelétricas será discutida “detidamente” e que nenhuma decisão será tomada “de sopetão”. “Se houver a mínima faixa de risco, vamos mantê-las [as usinas térmicas]”, afirmou.

 

Comitê decide manter usinas termelétricas em operação

Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil

As usinas termelétricas que estão ligadas desde o ano passado para garantir que não haja racionamento de energia no país não serão desligadas agora. A decisão de mantê-las em operação foi tomada hoje (27), em reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico.

De acordo com ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, a decisão foi tomada por cautela e não há risco de racionamento. Uma nova reunião do comitê está marcada para daqui a 15 dias, quando o assunto voltará a ser analisado.

 

Manter termelétricas funcionando não vai encarecer energia, garante Lobão

Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil

A decisão de não desligar as usinas termelétricas que estão em funcionamento desde o ano passado não irá resultar em reajuste nas tarifas de energia. A garantia é do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que participou hoje (27) da reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico. “Já há um custo previsto nas tarifas das hidrelétricas, exatamente para atender a essas emergências das térmicas”, explicou. Segundo ele, a possibilidade de racionamento de energia está descartada.

Lobão disse que a decisão foi uma medida de zelo e responsabilidade com o sistema elétrico. “Não estamos preocupados com 2008, a nossa preocupação é manter a situação de segurança que temos hoje também em 2009, 2010 e assim por diante”, ressaltou o ministro.

Antes do início da reunião, o ministro havia se demonstrando confiante na possibilidade de as termelétricas serem desligadas, pois, segundo ele, “as chuvas foram generosas”. Depois do encontro, Lobão disse que a situação dos reservatórios das hidrelétricas ainda não é satisfatória nas Regiões Sul e Nordeste. “Se estivesse havendo chuva suficiente nas duas regiões, seguramente haveríamos tirado hoje as térmicas”, avaliou.

Dentro de 15 dias, o comitê irá se reunir novamente para avaliar a situação elétrica do país e decidir pelo desligamento ou não das térmicas. Segundo Lobão, já existe uma “pré-decisão” no sentido de desligar as usinas termelétricas, mas ainda não se sabe se serão todas desligadas ou se será mantido um sistema de escalonamento com as usinas a gás. Atualmente, as usinas térmicas estão gerando cerca de 5 mil megawatts.

Questionado se o governo atual pretende mudar a legislação do setor elétrico, que impede uma segunda renovação de concessões de hidrelétricas, Lobão disse que a decisão não precisa ser tomada agora. “Por que tem que ser nesse governo, se o problema vai surgir daqui a sete anos? Não estou dizendo que não vai haver [mudança na legislação], mas necessariamente não terá que haver este ano, poderá ficar para o próximo governo”, disse. Em 2015, vencem as concessões de várias usinas hidrelétricas, que deverão voltar ao domínio da União e ser leiloadas novamente.

 

Para especialistas, custo de termelétricas compensa risco de racionamento

Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil

O possível aumento na conta de luz dos brasileiros por causa do uso de energia das termelétricas será um custo menor para o país que o de faltar energia no ano que vem. A avaliação é de Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo ele, o consumidor poderá pagar de 3% a 5% a mais na tarifa de luz a partir de 2009: “Nós vamos pagar um pouco mais, mas não vamos ter um apagão igual ao de 2001.”

O professor disse acreditar que ao longo do ano o governo devrá acionar as termelétricas novamente, para economizar água dos reservatórios das hidrelétricas e não ficar dependendo das chuvas do ano que vem. E considerou acertada a decisão do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) tomada hoje (27), de manter as termelétricas acionadas por pelo menos mais 15 dias.

“A manutenção das termelétricas funcionando age como uma espécie de seguro e permite que entremos no período de seca com os reservatórios em um nível mais alto”, disse. Para o Grupo de Estudos da UFRJ, a pior situação dos reservatórios está nas Regiões Sul e Nordeste, onde os níveis atingem 43% e 61% da capacidade total, respectivamente. No Sudeste, os níveis estão em 61% e no Norte, em 80%.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, também considerou que o custo maior das termelétricas se justifica pela segurança de não faltar energia no futuro. “Toda energia que é gerada tem um custo e é paga, seja pelo consumidor, seja pelos próprios geradores. Isso é normal, a segurança tem um custo. O maior custo que um país pode ter é o da falta de energia”, avaliou.

Para ele, a operação das termelétricas “é uma situação normal e será mantida enquanto for necessário – pode ser que daqui a 15 dias se resolva desligar, pode ser que não”.

Tolmasquim ainda disse acreditar que a decisão de manter as termelétricas ligadas foi uma atitude de prudência: “O objetivo é aumentar a poupança de água nos reservatórios e ter a certeza de que 2009 será um ano tranqüilo, e mesmo com a hidrologia muito ruim, não tenhamos risco de racionamento”.

Agência Brasil

Sobre

Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

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