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Desmatamento na Amazônia segue como preocupação de cientistas com Brasil

Domingo, 18 de Novembro de 2007
Categoria(s): Aquecimento global, Biodiversidade, Desmatamento, Florestal, Notí­cias
|-> Publicado por: Maurí­cio Machado

Desmatamento na Amazônia segue como preocupação de cientistas com Brasil

Kelly Oliveira
Repórter da Agência Brasil

O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou ontem (17), na Espanha, uma síntese dos documentos anteriores, voltada para governos e políticos. O desmatamento na Amazônia segue como principal preocupação de cientistas com o Brasil.

Para o pesquisador do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e integrante do IPCC, Paulo Artaxo “não é correto” deixar só com o país a tarefa de manter “a Amazônia de pé”. “Uma nova ordem mundial vai ter que se estruturada para lidar com esses problemas”, disse.

O especialista lembrou que a distribuição das riquezas do nosso planeta é “muito injusta” e precisa ser revista. “Um americano médio emite mais de 10 vezes o que um brasileiro médio emite e quase 50 vezes mais do que um indiano e chinês. Essa desigualdade é impossível de ser mantida.”

Artaxo enfatizou ainda a necessidade de se implementar políticas públicas para reduzir de forma mais intensa o desmatamento da Amazônia. “O grande Calcanhar de Aquiles do Brasil é a questão do desmatamento da Amazônia que continua de uma maneira completamente descontrolada.”

Segundo o pesquisador, apesar da redução nos últimos três anos da taxa de desmatamento de 20 mil quilômetros quadrados por ano para 10 mil quilômetros quadrados por ano, ainda há muito o que fazer. “Dez mil quilômetros quadrados de destruição de floresta é uma área absolutamente intolerável para a população brasileira.”

Para Artaxo, o governo brasileiro tem que frear o processo de ocupação desordenada da Amazônia, o avanço da cana-de-açúcar e da pecuária sobre a região, e atuação de madeireiros.

Apesar disso, ele afirmou que o Brasil tem vantagens estratégicas devido à implantação do programa do álcool e matriz energética com base em recursos renováveis.

“O Brasil tem potencial de se tornar de uma potência ambiental muito grande, mas precisamos ser mais espertos e inteligentes e usar os nosos recursos naturais de uma maneira esperta. Usar economicamente a floresta sem destruí-la.”

No caso das indústrias, Artaxo defendeu aumento da eficiência energética e criação de mecanismos para compensar as emissões de carbono. Segundo o especialista, o cidadão também pode contribuir com a substituição da gasolina (que emite poluentes para a atmosfera) pelo álcool, por exemplo.

“O álcool, do ponto de vista de emissão de gases de efeito estufa dá uma contribuição praticamente desprezível para o efeito estufa”, lembrou o professor. Outras atitudes enumeradas por Artaxo são a redução do consumo de água e energia e o uso de materiais recicláveis.

“Você pode imaginar que é uma contribuição pequena, mas se multiplicar isso por bilhões de pessoas do nosso planeta pode fazer a toda a diferença. Mas é importante entender que a maior parte depende de políticas públicas, como a redução do desmatamento da Amazônia.”

 

Política fundiária é importante para impedir “sufocamento” da Amazônia, diz bióloga

Lourenço Canuto
Repórter da Agência Brasil

O governo precisará intensificar a política fundiária e agrícola na Amazônia para impedir que a floresta se transforme em savana, como informou o relatório das Nações Unidas (ONU) sobre mudança climática divulgado ontem (17). Quem avalia é a professora de Biologia da Universidade de Brasília (UnB), Mercedes Bustamante, que fez parte do grupo de pesquisadores cujo trabalho embasou as conclusões da ONU.

Após apresentar o relatório, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou que a Amazônia está sendo sufocada. Bustamante, porém, acredita que ainda é possível deter esse processo porque a mudança da vegetação se concentrará nas áreas escolhidas para a prática da agricultura e da pecuária.

A especialista ressalta que o Poder Público tem de agir para controlar o uso do solo na região. Ela também defende o aumento na fiscalização em relação ao cumprimento do Código Florestal. “Somente com essas medidas, o país conseguirá controlar os impactos internos e externos que influenciam o uso do solo amazônico”, explica.

A bióloga da UnB afirma que a expansão dos biocombustíveis representa motivo de preocupação para a Amazônia, que se torna cada vez mais atraente para o plantio de soja. “A medida que os Estados Unidos passam a dar prioridade para o plantio de milho usado no etanol, reduzem-se lá as lavouras de soja”, diz. “Isso aumenta a demanda pelo grão nos países produtores, entre eles o Brasil.”

A professora lembra ainda que a recente aceleração do desmatamento e das queimadas em Rondônia, no Acre e no Mato Grosso, pode ser um sinal de que as autoridades precisam agir logo. “A situação da Amazônia hoje demanda soluções da parte do governo para fazer face à complexidade que envolve a região no que se refere à preservação ambiental”, ressalta.

Agência Brasil

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