Discussões sobre biocombustíveis

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Discussões sobre biocombustíveis

Conferência em São Paulo discute futuro dos biocombustíveis

Da Agência Brasil

Começa hoje (17) em São Paulo a 1ª Conferência Internacional de Biocombustíveis, organizada pela Casa Civil e pelo Ministério das Relações Exteriores. O encontro, que reúne chefes de Estado, autoridades públicas, comunidade científica e acadêmica, representantes da sociedade civil e de organizações não-governamentais, começa às 14h no Hotel Hyatt.

O tema central dos debates é Biocombustíveis como Vetor do Desenvolvimento Sustentável. Até quarta-feira (19) outros temas serão discutidos, como segurança energética, produção e uso sustentáveis, agricultura, processamento industrial, comércio internacional, mudança do clima e futuro dos biocombustíveis.

Hoje, na primeira sessão plenária, o tema será Biocombustíveis e Segurança Energética e terá a presença do presidente da Petrobras Biocombustível, Alan Kardec.

Às 18h30, haverá sessão especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, em que será apresentado parecer do Grupo de Trabalho de Bioenergia, com sugestões dos conselheiros a serem encaminhadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Paralelamente ao encontro, Lula abre às 13h a 1ª Exposição Internacional de Biocombustíveis. O destaque brasileiro é a tecnologia que permite que os veículos utilizem tanto gasolina quanto álcool.

 

Movimentos sociais fazem encontro paralelo à Conferência de Biocombustíveis

Da Agência Brasil

A partir de hoje (17), em contraponto ao encontro promovido pelo governo para debater os biocombustíveis, movimentos sociais do Brasil e de outros países promovem em São Paulo o seminário internacional Agrocombustíveis como Obstáculo à Construção da Soberania Alimentar e Energética. Os debates começam às 9h no auditório do  Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), na Praça da República.

Organizado pela Via Campesina, o encontro só será aberto à imprensa amanhã (18), quando a Comissão Pastoral da Terra e a Rede Social de Justiça e Direitos Humanos lançam relatório sobre a expansão do cultivo de cana-de-açúcar na Amazônia e no cerrado.

Segundo a comissão organizadora, o seminário pretende alertar os participantes e a opinião pública nacional e internacional sobre os problemas do etanol quanto a questões trabalhistas (trabalho degradante e escravo), ambientais (desmatamentos, contaminação de solos e cursos d’água) e fundiárias (concentração de terras, ocupação de territórios de populações tradicionais).

 

Expansão do etanol traz risco real à produção de alimentos no Brasil, mostra estudo

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

A expansão do etanol no Brasil pode causar prejuízo à produção de alimentos no país. É o que afirma relatório elaborado pelo conjunto de organizações denominado Plataforma BNDES, que monitora socialmente as ações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

O estudo foi editado pelo Instituto Brasileiro de  Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e será divulgado amanhã (18), no seminário internacional Agrocombustíveis Como Obstáculo à Construção da Soberania Alimentar e Energética, evento que se realizará em paralelo à Conferência Internacional de Biocombustíveis, em São Paulo.

“Esse  risco é real”, afirmou hoje (17) à Agência Brasil o coordenador do Ibase, João Roberto Lopes, integrante da Plataforma BNDES. Ele salientou que as áreas mais afetadas serão as de produção de grãos. Segundo ele, um estudo realizado pelo governo de São Paulo apontou para uma tendência de especialização produtiva no estado, com predomíio da cana e um grande vazio na produção de grãos.

O relatório constata que ainda há pouco investimento público e privado para a realização de estudos que visem a melhorar a avaliação dos impactos da produção do etanol no Brasil. O documento aborda os impactos da indústria canavieira no Brasil sob três aspectos: a questão ambiental, abrangendo a poluição atmosférica e os recursos hídricos; a produção de alimentos e a segurança alimentar; a saúde do trabalhador e suas condições de trabalho.

Com base nos artigos que compõem o relatório, Lopes afirmou que “já se pode dizer que, de fato, a expansão do etanol vem gerando, sim, deslocamento da produção de alimentos, uma redução da produção de alimentos onde há a expansão do etanol”. Isso ocorre, segundo ele, em São Paulo, no sul de Mato Grosso do Sul, no sul de Goiás, no noroeste do Paraná e no sudoeste de Minas Gerais.

Com base em  pesquisas da Universidade Estadual Paulista e da Universidade de São Carlos, fica demonstrado que a indústria canavieira traz riscos de contaminação dos rios e dos lençóis freáticos por agrotóxicos e aumento da poluição atmosférica devido às queimadas. Lopes destacou também a necessidade de uma maior atenção por parte das autoridades para a questão da saúde do trabalhador, face ao desgaste, ao consumo maior de calorias e à  freqüência cardíaca observados nesse tipo de tarefa.

“E o padrão de desgaste físico desses trabalhadores é um padrão de atletismo, de pessoas que consomem mais de oito mil calorias por dia e cortam em média 15 mil a 20 mil toneladas de cana diárias.”

O estudo demonstra muita preocupação nesse sentido e apresenta, ao final, uma lista com mais de 20 casos de morte no setor. Lopes revelou, também, que há denúncias de que os números de corte de cana não correspondem à realidade, porque as usinas pagam por tonelada cortada de cana, mas os trabalhadores não têm controle sobre a pesagem.

Lopes enfatizou que existe, “no mínimo”, a necessidade de se estabelecer um princípio de precaução em relação à expansão do etanol. “Há necessidade de haver mais estudos, mais discussão. A  situação de que haveria um caráter sustentável nesse tipo de fonte de energia é algo que os dados demonstram que tem que haver uma precaução, tanto por parte do governo como dos setores privados, para se fazer uma discussão”, disse.

O relatório será encaminhado à direção do BNDES, que é atualmente o principal financiador do setor de etanol, para o qual teria aprovado, somente este ano, recursos no montante de R$ 6,5 bilhões. O número é do Ibase. De acordo com o documento, o banco seria também responsável pela elaboração da própria visão do governo sobre o setor.

Lopes  ressaltou a importância de que o BNDES se abra para uma discussão sobre os impactos do etanol, incorporando nos seus procedimentos de análise e acompanhamento de projetos outros critérios sócio-ambientais.

“Porque hoje o banco se limita à questão legal: se há licenciamento por parte das usinas. Essa é a única exigência do ponto de vista ambiental que o banco cobra. E a gente está vendo que tem vários outros impactos, não só ambientais, mas sociais. E que o banco simplesmente ignora.”

 

Deputado diz que não vê indisposição de países latinos à produção brasileira de etanol

Lourenço Canuto
Repórter da Agência Brasil

O vice-presidente do Parlamento Latino-Americano (Parlatino), deputado José Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), destacou hoje (17) a importância da produção de etanol para o Brasil, por se tratar de combustível proveniente de fonte renovável, ao contrário do petróleo, que no futuro vai desaparecer.

Em entrevista, Bonifácio disse que não vê maior indisposição dos países vinculados ao Parlatino à produção de etanol pelo Brasil. De acordo com Andrada, apenas produtores de petróleo, como a Venezuela, demonstram alguma oposição ao plantio da cana-de-açúcar para produção de biocombustíveis.

O deputado é um dos participantes de um encontro, aberto hoje em Brasília, para discussão dos impactos de projetos hidrelétricos, de mineração e de produção de biocombustíveis sobre o meio ambiente e o aquecimento global. Segundo ele, a defesa do meio ambiente não deve ficar só nas leis, pois sua consecução envolve a ação administrativa dos governos.

“O brasileiro gosta de fazer leis e acha que pode resolver tudo através de leis, dentro da herança portuguesa que recebeu”, afirmou Andrada, ao defender ações governativas e administrativas para enfrentar de fato os problemas e encontrar as soluções.

Já o presidente do Parlatino, senador Jorge Pizarro, do Chile, disse acreditar que, com a eleição de Barack Obama, para a Presidência dos Estados Unidos, “o país terá outra disposição em relação ao cumprimento dos objetivos do Protocolo de Kyoto”, que prevê metas obrigatórias de redução de gases que provocam o efeito estufa. Segundo ele, os Estados Unidos não subscreveram o tratado e, no entanto, cobram do resto mundo a não-poluição do planeta.

Em entrevista, Pizarro afirmou que é fundamental que os Estados Unidos se transformem nos principais mentores de políticas para redução da emissão de gases causadores do efeito estufa, por se tratar da nação que mais polui o meio ambiente.

O encontro, promovido pela Comissão de Meio Ambiente e Turismo do Parlatino, termina amanhã (18), no Auditório Antonio Carlos Magalhães, do Interlegis, no anexo do Senado. Participam das discussões parlamentares de 22 países latino-americanos.

 

Crise vai provocar revisão de investimentos em biocombustível, diz empresário

Ivy Farias
Repórter da Agência Brasil

O presidente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), Marcos Jank, disse hoje (17) que os investimentos para produção de biocombustível será revisto. “Nossa previsão de investimentos de US$ 30 bilhões entre 2009 e 2012 será revista”, afirmou na Conferência Internacional Sobre Biocombustíveis.

Segundo Jank, a crise financeira internacional é o fator que mais impulsionou a revisão do volume de dinheiro destinado aos investimentos.

“Já sentimos um pouco da escassez do crédito. É até possível que o valor estimado não seja reduzido, dependendo dos próximos movimentos da economia, como a posse do presidente [eleito dos Estados Unidos] Barack Obama”, disse Jank.

De acordo com Jank, o maior desafio do setor é exportar cerca de 30% [do que produz] e formar um estoque de álcool para cerca de seis meses para o país. “Outra coisa que não pode acontecer é vender o álcool a qualquer preço por causa da queda do [preço do] petróleo”, disse.

Jank disse que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está injetando recursos no setor e que espera melhoras no cenário econômico. “Esperamos que as medidas anunciadas já produzam efeitos logo”, afirmou.

Ele destacou ainda a importância do evento para discutir questões relativas ao biocombustível. “Este encontro serve também para esclarecer que os biocombustíveis não foram responsáveis pela alta dos alimentos. Nos últimos anos nossa produção aumentou, assim como os grãos, o algodão, o leite e a carne. Os produtos alimentícios e os biocombustíveis podem conviver juntos, perfeitamente”, garantiu.

Agência Brasil

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