

Discussões sobre preservação ambiental no Brasil e no Mundo
Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008
Categoria(s): Aquecimento global, Desenvolvimento sustentável, Meio Ambiente, Notícias, Preservação
|-> Publicado por: Maurício Machado
Manifestantes cobram de legisladores medidas enérgicas sobre mudanças climáticas
Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil
Um pequeno grupo de representantes da organização SOS ClimaTerra fez ontem (20) um protesto para cobrar medidas mais enérgicas dos legisladores que estão participando do Fórum de Legisladores do G8 (grupo que reúne os sete países mais industrializados e a Rússia) e países emergentes sobre mudanças climáticas, organizado pela Globe - Organização Mundial de Legisladores para um Ambiente Equilibrado.
“Estamos aqui para, modestamente, ensiná-los a respeitar a vontade da população, que é continuar viva”, afirmou Roberto Ferdinand, que se define como “voluntário” da organização, “que não tem chefes ou hierarquias”.
Com faixas citando os relatórios do Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês), que apontam o aquecimento global como fenômeno “inequívoco” e o Protocolo de Quioto, os manifestantes (cerca de 20) entraram no salão principal do Ministério das Relações Exteriores, pedindo para participar, como observadores, do encontro de parlamentares. O grupo foi impedido pela equipe de segurança do Itamaraty.
“Estamos diante da maior tragédia da humanidade. Temos dez anos para mudar a matriz energética do planeta para energias limpas, como o sol, o vento e as marés. Se isso não for feito, em 30 anos não vai sobrar ninguém do planeta”, afirmou Ferdinand.
A SOS Clima Terra é uma organização “guarda-chuva” que abriga 3 mil entidades em 100 países, de acordo com o grupo. O principal “alvo” da manifestação de ontem foi a delegação norte-americana presente ao encontro.
“Os Estados Unidos não se deram sequer o trabalho de assinar o Protocolo de Quioto. Eles são responsáveis por 25% das emissões [de gases de efeito estufa] do mundo. E o que é interessa é essa emissão per capita”, comentou Ferdinand.
Legisladores internacionais não chegam a consenso sobre biocombustíveis
Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil
Uma recomendação sobre produção sustentável de biocombustíveis deverá fazer parte do documento que legisladores de países do G8 e mais cinco economias emergentes, entre elas o Brasil, estão discutindo em Brasília e levarão à próxima reunião das maiores economias globais, em julho. No entanto, um impasse entre os negociadores atrasou um consenso sobre o assunto no primeiro dia do evento, promovido pela Globe - Organização Mundial de Legisladores para um Ambiente Equilibrado.
Apesar do acordo sobre alguns pontos do rascunho da proposta, como a criação de certificações “críveis e independentes” para o comércio internacional de biocombustíveis e a necessidade de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, representantes da União Européia, China, Índia, Japão e África do Sul apontaram divergências.
Um dos parlamentares da delegação alemã reclamou ontem (20) da ausência de posições contrárias ao biodiesel no painel sobre o tema, alguma organização não-governamental brasileira ou latino-americana, por exemplo. O debate foi conduzido pelo deputado Antonio Palocci (PT-SP), com apresentações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Petrobras e da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica).
“O Brasil pode até não ter problemas com a questão das florestas [para produzir biocombustíveis], mas outros países podem ter e não devemos construir um documento baseado apenas na realidade brasileira”, disse. Ele citou a Indonésia, onde florestas tropicais são derrubadas para plantação da palma, de onde é extraído o óleo dendê para biodiesel. “Temos que ver o mundo como um todo, não apenas os bons exemplos do Brasil”, comentou.
Na avaliação dos japoneses, as recomendações ao G8 sobre biocombustíveis também precisam incluir questões como a influência dos pesticidas utilizados nas culturas sobre a qualidade das águas e os reais impactos sobre a diversidade biológica, a fim de delimitar quais biomas ou regiões do planeta não deverão ser utilizados para esse fim.
A troca de experiências na produção de biocombustíveis entre países em desenvolvimento, os impactos a longo prazo das monoculturas sobre o solo e até políticas de desestímulo à produção não sustentável também foram apontados como sugestões ao documento.
A redação final do texto sobre biocombustíveis deverá ser apresentada hoje (21), se os parlamentares chegarem a um acordo. Além de combustíveis renováveis, o documento com recomendações ao G8 vai incluir questões como transferência de tecnologia, criação de um mercado de carbono global e estímulos financeiros à redução do desmatamento.
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