Empresas de São Paulo responsáveis por destruição da Amazônia

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Empresas de São Paulo responsáveis por destruição da Amazônia

Pesquisa responsabiliza empresas de São Paulo por destruição da Amazônia

Bruno Bocchini
Repórter da Agência Brasil

Pesquisa divulgada nesta semana em São Paulo mostra a responsabilidade na destruição da floresta amazônica de empresas que atuam no Sudeste do país. O estudo Conexões Sustentáveis São Paulo – Amazônia expôs casos de 13 organizações que se beneficiam direta ou indiretamente do desmatamento da maior floresta do planeta.

A pesquisa foi feita por iniciativa do Fórum Amazônia Sustentável e do Movimento Nossa São Paulo e executada pelas organizações não-governamentais Repórter Brasil e Papel Social Comunicação.

“A pesquisa comprovou que existe uma relação comercial não-sustentável entre empresas de São Paulo e empresas que compram produtos da Amazônia, que fazem o beneficiamento de matérias-primas vindas da Amazônia. Na base do processo produtivo existem fornecedores que são sistematicamente multados pelos órgãos ambientais ou que são proprietários de áreas embargadas, ou que estão na ‘lista suja’ do trabalho escravo”, explicou Marques Casara, um dos coordenadores do estudo.

A empresa Quatro Marcos, quarto maior frigorífico do país em número de abates e fornecedora de carne bovina para o varejo paulistano, é uma das citadas na pesquisa. De acordo com o estudo, a organização apresenta graves problemas ambientais e trabalhistas e comprou gado de empregador que figura na “lista suja” do trabalho escravo.

A unidade localizada em Juara, no bioma amazônico, teve suas atividades embargadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em junho de 2008 por operar sem licença ambiental.

Por meio da sua assessoria de imprensa, o frigorífico afirmou que a posição oficial da empresa já havia sido entregue aos pesquisadores. No texto, a organização diz que a empresa por meio da “contratação de uma consultoria externa vem passando por um momento de reestruturação e reorganização de processos das suas atividades”.

A resposta também diz que “com uma nova gestão definida e em plena ação vêm se desenhando caminhos a serem seguidos pelo frigorífico, por meio da definição de estratégias, e, como não poderia ser diferente, pela sua importância no cenário nacional e mundial, a questão de sustentabilidade estará sendo devidamente desenvolvida e trabalhada”.

Outro caso apresentado no estudo é da Metalsider, empresa mineira, fornecedora de ferro-gusa para a indústria automobilística, que mantém relações comerciais com a A.S. Carvão e Logística, organização que aparece na atual lista de trabalho escravo. Procurado pela reportagem, o diretor da empresa, Bruno Melo Lima, afirmou que a Metalsider tem atualmente centenas de fornecedores e que seria “inviável” manter um funcionário em cada um deles para analisar as condições de trabalho.

Lima ressaltou ainda que a empresa faz visitas e alertas freqüentes a seus fornecedores. No entanto, mesmo estando ciente da situação da Carvão e Logística, Lima não confirmou que a Metalsider tenha deixado de consumir matérias-primas da fornecedora.

Aos pesquisadores, a Metalsider afirmou que havia sido informada que a fornecedora firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público “e que, por isso, a manutenção do nome desta empresa em lista suja é um equívoco que está sendo solucionado pela mesma”. “Desta forma, aguardamos posicionamento desta empresa, inclusive para que exclua o nome daquela lista, sob pena de não mais efetivarmos transações comerciais”, completou a Metalsider.

Os pesquisadores advertem, no entanto, que o TAC não representa uma reparação que possibilitasse a retirada do nome da lista suja. “Eles têm total responsabilidade sobre a origem da matéria-prima. Eles têm total responsabilidade sobre as empresas que eles ajudam a existir por conta da compra de produtos. Hoje em dia já existem mecanismos de monitoramento de cadeias produtivas bastante eficientes e que podem ser usados pelas empresas”, ressaltou o coordenador da pesquisa.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, reconheceu a importância do estudo e afirmou que encaminhará os dados aos setores de fiscalização. “Todo o material que me foi entregue será amanhã [hoje, dia 16] colocado na mão da fiscalização do Ibama e será procedida com o máximo rigor a apuração dos responsáveis”, afirmou em São Paulo, após participar da formalização de pactos entre empresas e governo para garantia do cumprimento de direitos sociais e da preservação dos recursos naturais.

 

Empresas de São Paulo firmam pacto pela preservação de recursos naturais

Bruno Bocchini
Repórter da Agência Brasil

Representantes de cadeias produtivas de madeira, soja e pecuária bovina assinaram pactos pela comercialização de produtos da Amazônia destinados à cidade de São Paulo com garantia do cumprimento de direitos sociais e a preservação dos recursos naturais. Os termos de compromisso foram assinados ontem (15), em evento que contou com a presença do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

“O pacto dá visibilidade para um compromisso público com a sociedade, e a gente reconhece que São Paulo gera impacto sobre a Amazônia e que existem maneiras mais legais e mais ambientalmente responsáveis de comercializar madeira na cidade de São Paulo”, afirmou Karla Aharonian, gerente de produtos ecológicos da Eco Leo, da Leo Madeiras, uma das signatárias.

O pacto da madeira recebeu 28 adesões de empresas intermediárias, redes de comércio direto com o consumidor e organizações não-governamentais. O termo de compromisso da pecuária, referente ao comércio de carne, obteve 17 assinaturas, entre frigoríficos, indústrias alimentícias, supermercados e organizações sociais. Já o pacto da soja reuniu 13 adesões iniciais de redes de supermercados e entidades da sociedade civil.

Agência Brasil

Sobre

Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

  1. mgomide4
    mgomide4out 17, 2008

    O digno reporter Bruno Bocchini divulga o resultado do grupo de estudos denominado “Conexões Sustentáveis São Paulo-Amazônia” que fez pesquisas por encomenda de duas ongs e iniciativa de um forum interessado no assunto. As conclusões do chamado “estudo” são de uma obviedade absoluta. Esses estudos, perícias, pequisas, horas trabalhadas, e demais atos burocráticos são inúteis e engabeladores. Ora, toda empresa comercial tem como objetivo simplesmente o LUCRO. O mais não interessa à administração; venha o lucro de onde vier. Isso é verdade para todas as empresas comerciais do MUNDO e não só de São Paulo.
    E não é só uma questão amazônica. É questão mundial.
    No outro tópico, noticia-se que foi encenada mais uma cena teatral, na qual compareceu o ministro do Meio Ambiente. Nada mais.
    Não está em foco neste comentário qualquer crítica ao trabalho do honroso reporter. Criticamos apenas os atos e ações noticiados.

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