Enchente no Amazonas

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Enchente no Amazonas

Minc e presidente da ANA falam sobre enchente no Amazonas

Da Agência Brasil

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e o diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), José Machado, falam sobre a enchente que atinge o estado do Amazonas. Há previsão de cheia na região este ano. Atualmente 24 municípios amazonenses estão em situação de emergência e já receberam ajuda da Defesa Civil.

Também participam da coletiva o diretor da ANA Benedito Braga, o presidente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Agamenon Sergio Lucas Dantas, o diretor do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Antonio Divino Moura, e representantes do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência e da Secretaria Nacional de Defesa Civil.

 

Meteorologistas analisam causas das fortes chuvas na Amazônia

Amanda Mota
Repórter da Agência Brasil

A temperatura acima do normal no Oceano Atlântico Norte e o transporte de ventos quentes e úmidos dessa área para a Região Norte do Brasil é provavelmente a principal causa das chuvas mais intensas e freqüentes neste início de 2009 na Amazônia. Juntos, de acordo com a chefe do Instituto Nacional de Meteorologia no Amazonas (Inmet/AM), Lúcia Gularte, esses fatores estão favorecendo, neste momento, a ocorrência das chuvas e intensificando as áreas de instabilidade já presentes na região.

“Os ventos quentes e úmidos que estão sendo transportados do Atlântico Norte para o Norte do país favorecem as chuvas e intensificam as áreas de instabilidade. O tempo está instável em todo o Norte do país, há possibilidade de chuvas fortes no Amazonas, Pará, em Roraima e no Tocantins. No caso do Amazonas, essas chuvas devem permanecer ainda até o início da segunda quinzena de maio”, disse Lúcia.

O físico e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Antônio Manzzi, explicou que o comportamento das águas oceânicas influencia o transporte de umidade para a Amazônia e, com isso, se haverá mais ou menos chuvas.  Em 2009, segundo o especialista, observou-se que, parte do Oceano Atlântico Tropical Sul, por exemplo, está mais aquecido, enquanto o Norte permanece mais ou menos na sua normalidade. Manzzi avaliou que a situação observada nos oceanos Atlântico e Pacífico comprova as condições favoráveis ao aumento de chuvas na Amazônia.

“Isso também provocou um maior aporte de umidade para a Amazônia. Neste caso, provocou o aumento de chuvas na região e a chegada mais cedo desse período chuvoso em algumas áreas. Tem também muita água nos nossos rios que vem das chuvas registradas na Colômbia e no Peru”, disse Manzzi.

“O que estamos observando este ano não está fora da climatologia. É um evento que está ocorrendo naturalmente e ocorreria mesmo se não tivéssemos essas ações do homem queimando combustíveis fósseis e promovendo o desmatamento”, disse Manzzi, em entrevista à Agência Brasil.

As previsões meteorológicas estimam que as chuvas tendem a diminuir gradativamente nos próximos dois meses. Ainda assim, algumas áreas da Amazônia devem concentrar chuvas um pouco acima da média histórica ainda em maio. O meteorologista do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), Márcio Nirlando, confirmou que as atuais condições climáticas, sobretudo do Oceano Atlântico, já sinalizavam para o aumento do índice pluviométrico na região.

“No Pará, por exemplo, a estação chuvosa é iniciada em dezembro e se estende até maio. Do ponto de vista climatológico, isso é normal e a gente ainda espera para maio chuvas acima da média, mas com menor intensidade em comparação ao mês de abril. Chuvas concentradas em determinadas áreas e chuvas fortes em um curto espaço de tempo fazem parte das características dessa região”, finalizou Nirlando.

 

Chuvas na Amazônia devem aumentar nos próximos meses

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

As chuvas que atingem a região Norte nos últimos dias e que já deixaram milhares de desabrigados devem se agravar até junho, mês de maior alta do nível dos rios da Amazônia. A capital do Amazonas, Manaus, deve enfrentar a pior cheia desde 1953, com elevação de mais de 3 metros no nível do Rio Negro, que corta a cidade.

“Não queremos fazer catastrofismos, mas pelo andar da carruagem, a situação é muito preocupante”, avaliou quarta-feira (15) o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

Em 1953, o nível do Rio Negro chegou a 29,68 metros, número que pode ser superado este ano, de acordo com as previsões do Serviço Geológico do Brasil. “A persistir a tendência, com 70% de probabilidade de acerto, o nível do rio pode ficar entre 29,33 metros e 30,03 metros”, detalhou o diretor-presidente da entidade, Agamenon Dantas.

Nos últimos meses, o volume de chuvas em algumas regiões da Amazônia chegou a ficar 500 milímetros acima da média nos primeiro trimestre do ano. A previsão para Manaus nos próximos 7 dias é de 400% a mais de chuva que o normal para o período.

Segundo o superintendente do Serviço Geológico em Manaus, Mauro Oliveira, se o nível do rio chegar ao patamar da cheia de 1953 – 29,68 metros – a inundação afetará pelo menos 50 mil pessoas na capital, principalmente a população que vive em palafitas ao redor de dois grandes igarapés (braços do rio) na área urbana.

De acordo com o ministro do Meio Ambiente, as autoridades estaduais e municipais já foram alertadas para o risco do desastre. “Queremos evitar que se repita a tragédia que aconteceu em Santa Catarina. Dessa vez não se poderá dizer que foi por falta de aviso. Avisamos com 60 dias de antecedência”, apontou.

A Secretaria Nacional de Defesa Civil já começou a enviar auxílio para o estado, de acordo com secretário Roberto Guimarães. O repasse incluiu 312 toneladas de alimentos e 450 mil itens dos chamados “kits de desabrigagem”, como colchões, lençóis, travesseiros e materiais de desinfecção.

“A Defesa Civil está pronta para responder em caso do acontecimento [a enchente]. Estamos preparados para alimentar, abrigar e medicar”, afirmou Guimarães. A Sedec não descarta a retirada de pessoas que vivem nas áreas de risco e mobilização de outros órgãos do governo federal no atendimento às possíveis vítimas.

No entanto, o secretário reconheceu que “culturalmente” no Brasil as ações de defesa civil são tomadas durante ou após os desastres, sem priorizar as medidas de prevenção. Cálculo da Organização das Nações Unidas, citado por Guimarães, mostra que cada US$ 1 investido em prevenção de desastres evita o gasto de US$ 10 na solução dos problemas.

A orientação do secretário é que os moradores da região atendam aos alertas das autoridades locais. “As pessoas que estão lá devem ficar atentas às recomendações da Defesa Civil estadual, municipal, dos órgãos de segurança, como Corpo de Bombeiros e Polícia Militar”, apontou.

Além da situação de risco em Manaus, a capital acreana, Rio Branco, também registra tendência de cheia para o Rio Acre. Hoje, o volume do rio chegou à chamada “zona de alerta”, por causa do nível acima do esperado para essa época do ano. Mais de 670 famílias estão desabrigadas em Rio Branco por causa das chuvas recentes.

Agência Brasil

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