Encontro discute participação de catadoras de material reciclável na sociedade

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Encontro discute participação de catadoras de material reciclável na sociedade

Lúcia Norcio
Repórter da Agência Brasil

Cerca de 300 mulheres participam neste final de semana, do 1º Encontro Nacional de Mulheres Catadoras de Material Reciclável, no balneário Praia de Leste, litoral do Paraná. Segundo a representante do movimento no estado, Marilza Aparecida de Lima, será uma oportunidade para conscientizar a mulher catadora da importância do seu trabalho e de sua participação na sociedade. “Vamos trabalhar questões como auto-estima, saúde, preconceito, direitos humanos, trabalho infantil, economia solidária, cadeia da reciclagem e meio ambiente. Será uma oportunidade para quem recicla o lixo se atualizar nas oficinas de formação.”

De acordo com Marilza, dos cerca de 15 mil catadores de Curitiba e região metropolitana, responsáveis pelos recolhimento mensal de 200 toneladas de lixo reciclável, 8 mil são mulheres. “A maioria negra, mulher de alcoólico ou drogado e responsável pelo sustento da família”. Essa mulher, segundo ela, levanta cedo, atende aos filhos, pega seu carrinho [de carregar lixo] e vai trabalhar. “E muitas [delas] são vítimas de preconceito, tratadas como mendiga. Queremos mostrar nossa importância para a sociedade, para o Poder Público. Limpamos a cidade e facilitamos o trabalho nos aterros e lixões.”

De acordo com a assessoria do Instituto Lixo e Cidadania, a maior conquista dos catadores foi o reconhecimento de sua atividade, em 2002, pelo Ministério do Trabalho, que estabeleceu para a categoria os mesmos direitos e obrigações de um trabalhador autônomo. Atualmente eles trabalham em regime de cooperativas e associações, que mantém convênios com órgãos públicos e empresas, para coleta exclusiva, e conseguem uma média salarial em torno de R$ 600 por mês.

Segundo o presidente da Cooperativa de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis de Curitiba, Waldomiro Ferreira da Cruz, os catadores estão se organizando melhor. “Em Curitiba são 18 associações já formalizadas e outras dez estão sendo criadas”. Ele disse que muitos preferem a informalidade, devido às exigências das cooperativas, como não ingerir bebidas alcoólicas ou se envolver com drogas. “Para se ter uma idéia temos hoje apenas 37 cooperados. E desse total, 18 são mulheres, mais responsáveis e mais fáceis de lidar”, compara.

Agência Brasil

Sobre

Maurí­cio Machado

Biólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.

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